quinta-feira, 30 de abril de 2015

Desprender

Palavras faladas,
Sons, cantos,
Canto do grilo,
Absolutamente tudo
Se faz sentido,
E compreendo um pouco do mundo,
Das coisas da vida,
Do tudo e do nada,
Meu juízo,
Sintético ou analítico.

Hoje vi uma folha se desprender do ramo
E planou até o chão...
Não seria assim a vida?

A gente que norteia
Nossa vida e nosso viver,

O tempo nos torna oculto de tudo,
E vamos costurando
O sentido de nossa existência.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Sombra

Sob a sombra da noite me acordo,
Sob a sombra da noite durmo.
Esse ser que sou que pulsa,
Que age, que é,
Esse ser que combina e discorda,
Esse ser que existe...
Este ser me ensina meus limites.

Hoje eu sei que os minhas limitações
São infinitas, mas que apesar disso,
Movo-me, reajo, reinvento,
E construo a minha história,
A minha história,
Que é colorida com todos que me cercam,
Que me reconhecem
Que me apontam mais ainda meus pontos frágeis,
Que me amam e que rejeitam o meu amor,
Que me ajudam a construir a minha história
e a moldar quem eu sou,
Sou tudo e nada,
Mas sou...
Nos limites de um dia,
Só as sombras do universo
Podem me limitar,
Não creio que o brilho de uma estrela ofusque o brilho das demais.
E o meu silêncio,
É como a sombra da noite,
Surdo.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Cinza

Encantos,
Desencantos,
Em cada canto,
Nos quarto cantos,
O mundo não tem canto,
E nós em que canto encantamos,
Por que desencantamos?
E quando eu estiver triste
Em que canto estarei?
Distante ou próximo possivelmente de um grande amor,
Ou seria um abismo de dor?
Bom não se pode viver com uma angústia
Ela vai passar como a brisa da manhã
E a própria manhã,
Tudo vai passar!
É preciso esquecer tudo
E se não for possível,
Não há nada a fazer.

O tempo se encarregará de tornar
Tudo cinza.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Ia

No silêncio da noite solitária
Até o latir de um cão serve de companhia.

Passageiro

Já não posso olhar nos olhos
Aquele olhar que tanto pude contemplar,
Já não posso ver aquele doce olhar,
Não posso olhar através da iris aquele olhar a me olhar,
Quem sabe talvez a me contemplar.
Não eu não tenho mais aquele olhar,
Talvez nunca o tive!
Era só magia, era só energia...
Eu nunca contemplei um olhar,
Nem mesmo o meu olhar,
Queria ver um olhar ideal,
E por não contemplar,
Hoje contemplo apenas o tempo.
Tudo passa,
Tudo passou,
Resta caminhar,
Caminhar com o meu eu...
Resta contemplar o meu olhar.
Tenho minhas metas
Além do amor,
Muito além da dor.
Tenho o momento presente,
Esse pleno devir,
Que me distancia a cada momento do que fui,
E o que sou?
Energia, um passageiro em deslocamento.

domingo, 26 de abril de 2015

Busca

Vivemos aguardando encontrar
A outra metade,
Será se não se trata de vaidade?
Não adianta buscar,
Algum dia há de aparecer,
Um dia haveremos de estarmos juntos,
Quem sabe?
Quão maravilhosa incógnita é a vida.

Ocaso

Ocaso,
Noite ou dia?
Silêncio,
Brilho opaco,
Morcegos voando,
A natureza se oculta,
Se encanta sob as sombras da noite,
Muitas vezes nem percebo,
No dia que se apaga,
E novamente se revela,
Neste aurora que renasce
A cada dia.

sábado, 25 de abril de 2015

Passagem

Uma flor,
Uma folha,
Folhas secas pelo chão,
Frutos podres,
Sementes, caroços,
Uma velha árvore,
Uma encruzilhada,
A ferrugem corroendo o ferro,
Cabelos brancos,
Quem domina o tempo?
O tempo tudo consome,
Nos consome como vela acesa,
Hoje não somos nada, amanhã seremos tudo
Ou vice-versa.

Espero que o encanto em viver,
Seja chama sagrada,
Que a vida tenha sempre sentido,

Que existam sempre flores e primaveras,
E chuvas...
E que as lembranças sejam as melhores,
No final não sobra nada.

Amadurecendo

Cai a noite,
O escuro da noite me abraça,
O silêncio da noite me conforta,
Deus que existe está comigo,
Estou em meu abrigo,
Cai o sono,
Cai a noite,
Quem está só?
Quem se sente só,
Não posso está só nunca,
A paz de Deus me conforta.
E as noites amadurecem
Meu entendimento e enche meu coração de paz
E esperança.

Meu amor

Por que minha vida é bela nos estremos?
Aurora e crepúsculo,
Manhã e tarde,
Noite...
O tempo que passa.
O amor e sua busca,
Tudo que passa.
Amar e não ser amado é amar.
E a noite que passa,
E a vida.

Caminhar na praia,
Distante parece o horizonte, mas é tão breve,

Como a vida.
Por isso tudo vale a pena.

Doce aurora

Aurora,
Doce aurora que cora o amanhecer,
Que enche de alegria a brisa do dia,
Aurora que vem e se vai ser perceber,
Enche minha vida, o aurora de poesia,

Que nao perca a alegria de viver,
Se quer um dia...

Aurora, tras a mim aquele doce olhar,
Ou ent'ao me ensina a ser um ser so.

N'ao se ama mais que uma vez,
Se n'ao se sabe esquecer,
Ensina-me como aparecer e desaparecer,
Que seja como uma folha quando desabrocha do ramo,
imperceptivel,
E tudo volta a ser o que nunca foi,
Doce aurora.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Mistério do amanhã

Há algo que podemos fazer sempre
Viver um dia de cada vez,
Sentir cada impressão com solidez,
Temos que ver o mundo em cores e não em  palidez,
Cada dia que passa é impar,
Então sejamos otimistas,
Até quando pode durar o riso?
Quando tudo vai passar?
Sagrado mistério, amém.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Angústia

Quando quis te esquecer,
Estava preso a você,
E deixei você partir,
E deixei você ir,
Agora, tudo é vazio,
Tudo é frio,
Fria matéria,
Sem um gato ou um cão...
Sem nada,
E sem você,
Meu sono leve, curto,
Quem quer saber...
Quem sabe não seja você.

O encanto

Encanto,
Espanto,
Observação,
Concentração,
Olhos,
Sentidos,
Contidos,
Num olhar,
Num gesto,
Algo que nos toma atenção,
Coisas simples,
Oculto no momento,
E o devir que revela
Algo do ser ao ser...
Quem sabe o desvelar dos dias,
Dos momentos,
Do falso destino.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Três Ruas

Três ruas,
João,
Luiz Gonzaga,
Menino de Jesus de Praga,
Novo oriente,
Picuí,
Recanto das Castanholas,
Cajueiros,
Bambus,
Ficus,
Boeiro,
Ipês,
Casuarinas,
Sapucaia,
Guabirobas,
Castanholas,
Jambolão,
Coqueiros,
Pista rachada,
Spilanthes,
Urochloa,
Luehea,
Centro espirita,
Tamarindus,
Uma parada,
Um senhor ouvindo o rádio,
Doce aurora do meu dia,
Da minha nova vida,
É nela, nas três ruas que meu dia se acende!

Alfa e omega paraibano

A brisa da noite,
A lua apagada,
Cantiga de grilo,
A folha seca arrastada pelo vento,
Chiando no escuro.

Meu ser,
E seu infinito pulsar,
Rio vermelho,
Mar interno,

O que é o meu ser?

O que é minha alma?

Não sei,

Sei que um grilo pulsa lá fora,
Que a porta abriu e gemeu,
Folhas se arrastam,

Que se for lá fora verei o céu, talvez nublado ou estrelado.

Se eu for para a minha cama irei dormir,

Quem sabe onde tudo começa ou está terminando.

Azul celeste

Ah! o azul do céu,
Azul celeste,
Quando a manhã nasce,
A lua vai mergulhando no azul celeste,
E aos poucos se afoga na luz do sol,
Vai para o fundo do céu...
E no fim do dia,
Coisa de poesia,
O azul celeste revela novamente a lua,
E é tão lindo vê-la surgindo da rua...

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Acontecimento

Às vezes, falta  terra nos pés,
Acontecimentos que nos deixam desnorteados
E como lidamos com isso?
Não sei, enfrentando a todo custo?
Não sei!
Sei que tudo vai passar.

terça-feira, 7 de abril de 2015

O Passo

A cada passo que passo,
Mais um passo no tempo,
Mais um passo ao vento,
Cada passo em minha caminhada,
Mais uma página virada
Ou simplesmente um mergulho
Mais profundo para ganhar fôlego.

Passo a passo sigo e minha caminhada,
Hora marcada com o devir,
A angústia, limito-me a espreitá-la,
Sou o dono do meu caminhar,

Determinado sigo sempre em frente,
E o que vier que venha,
O que for pra ser, será.

A vida essa incógnita,
Quem desvendará,

O importante é aprender a caminhar,

Um passo de cada vez, num belo compasso.

domingo, 5 de abril de 2015

Caatinga

Como são mágicas as chuvas!
Como são hábeis em fazer germinar
As sementes e gemas dos arbustos e das árvores.

Ah! o meu sertão é tão grato,
Mais tão grato que com uma chuva,
Germinam as sementes
E florescem os arbustos e as arvoretas,
Coisas pequenas como seus habitantes,
Que explodem em flores e diferentes odores...

E me arrebata,
Pois quanta biologia ali há de se aprender ali.

E com uma câmera vou clicando,
Vou captando as formas resistentes a seca!

O agudo dos espinhos e tricomas urticantes,

A caustica faveleira, e urtigas de euforbiáceas e loasáceas,

Os acúleos das leguminosas,

O fedido das malváceas e caparáceas,

As folhas simples e as folhas compostas,

As flores dióicas dos crótons e jatrofas,

O violeta das mucunãs,

O cheiro forte dos velames e mufumbos,

O ralo capim, belas poáceas,

E o que eu vejo é mato com nome,

Mato identificado e classificado,

Os matos de Allemão, Martius, 
Os matos de Lueltzelburgue,
Matos bahianos de Blanchet,
E de tantos e tantos expedissionários,

Matos meus, herbáceas minhas,

Manhã não serei nada,

Ao menos fiz coleções de matos nomeados,

E conheci a diversidade que há no sertão do seridó e do cariri...