quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Oco

Vai o dia,
Vem a noite,
Poesia e melodia,
Vento de acoite,
Cada dia é impar,
Corremos cansados,
Ignorando o mundo
E suas coisas,
Seus adornos,
Hoje me impressionou
Ver a lua ao meio dia,
Tantas coisas se passam
Sem que percebamos,
As vezes nosso mundo
É um grande oco,
Entre o dia e a noite.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

o Sertão

O sertão,
Folhas secas pelo chão,
Galhos cinzas,
Troncos ramificados,
Flores perfumadas,
Cipós de marmeleiro,
Terra seca, corrida,
Que chupa a urina,
E solta um cheiro de terra molhada,
Ou aroma de folha...
Ah, o sertão,
Parece que tudo é solidão,
Tudo é resistência,
E quando a noite cai,
E o vento sopra,
Vemos que o sertão
É sempre o mesmo
Plantas espinhentas e retorcidas,
Flores amarelas...
E o homem,
Esse ser perdido.

sábado, 18 de outubro de 2014

Bem devagar

 Mais uma noite caiu,
Após uma tarde mateira,
As sombras da noite
Faz a natureza silenciar
Faz a natureza descansar.

A rua vazia,
Cães a ladrar,
Tudo não passa.

As luzes frias alumiam
As ruas e avenidas,
O tempo vai passando bem devagar.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Amanhã

A noite chega,
Tudo é cansaço,
Tudo é vazio,
Tudo é solidão.

O vento sopra de vagar,
Os cães latem sua solidão.
Ruas vazias,
Casas apagadas,
Uma noite de sexta que se passa.

Amanhã é um novo dia.


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Consequências da noite

É noite,
E a noite é misteriosa.
A noite é fogueira apagada,
Luz das estrelas feito cinza na brasa,
Quente ou fria sempre se passa.

É noite,
E a noite temos memórias noturnas,
Memórias que surgem sob a sombra da noite.

É noite,
A noite lembro de coisas,
Mas a noite reserva um tempo só meu,
Posso tranquilamente tomar um chá,
Ler um livro, ou papear,

A tempo que me livrei dos telejornais
E até mesmo da televisão...

Se bem que na minha gênese nem tv tinha em casa.

A noite não é ociosa para mim sem tv,
Ao contrário a noite é curta,
A noite é misteriosa.
E é a noite que os sonhos se tornam realidade.

A noite

O escuro da noite,
Oculta maldades,
Oculta realidades,
Mas revela belezas,
Como a lua e as estrelas.
É preciso conhecer a noite
Para ver um céu estrelado,
Para ver um céu enluarado,
Uma luz acesa,
Mariposas voando,
O canto do urutau.

Uma xícara de chá,
Quantas ideias...
A noite apesar de tudo
Acalma a alma,
Dar descanso ao corpo,

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A realidade

A realidade é solta como uma rocha num riacho.
A realidade é fragmentada como areia.
O que é a realidade?
A realidade é o todo e por ser o todo,
Torna-se abstrata.
A realidade às vezes me arrebata.
Nem tudo que percebo é realidade,
São breves ilusões frutos de nossos sentidos.
Conceitos, abstrações e conhecimentos,
Eis que está tudo dissolvido,
Tudo preso ao humano,
Além do humano,
Nada faz sentido.
A realidade é solta,
E só faz sentido a luz da razão.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

O vento

O vento soprando suave,
Invisível o vento nos toca,
Nos envolve nos embala.
O vento assovia na janela,
O vento fecha e abre porta,
O vento venta pela manhã, pela tarde e pela noite.
As vezes calmo e as vezes de açoite.
Vento, vento, vento.
Vento que envolve algum amor,
Vento que fez as flores sorrir,
Vento que me faz sentir,
A vida viva.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Humanizar

Sempre que acordo costumo olhar através da janela.
Olho para o mundo e contemplo.
Contemplo o céu, o verde das árvores,
O colorido das casas o movimento da gente que passa.
Quando abra a janela ouço o som do mundo, do vento e do belo canto das aves.
Há tanta coisa por ser descoberta,
Quanto tempo tenho para fazer isso?
Explorar este mundo?
Não podemos adivinhar.
Muitas coisas não são previsíveis.
Como o amanhã por exemplo.
O amanhã que é eterno e não saberemos quantos amanhãs mais seremos.

As coisas e o mundo continuarão,
Flores a florir,
Aves a cantar,

E nós nos encantaremos.
Nós voltaremos a eternidade de onde viemos.

Tenho, hoje, a certeza que um dia desaparecerei,
E serei esquecido,
Como desapareci de Serrinha, de Natal, de São Paulo, de Campinas e de Brasília...

Eu sou o meu tempo presente, meu lugar presente e minha vida presente,
O mais são memórias, são histórias e o que materializei e que construí de bom.

Amanhã serei uma história, depois de amanhã memória e depois uma lápide.

Vão-se as memórias, as histórias e tudo some.

Quando acordo lembro que tudo é passageiro, omnia vanitas...

Lembro da vida de Borges, uma vida inteira vivida e contada.

Eu lembro dos que me divertiram e partiram,
Lembro dos que amaram os que me amam e me amaram.

Quando amanheço tento me humanizar.

domingo, 12 de outubro de 2014

João Pessoa

O sol,
O sol radiante brilha sobre João Pessoa,
O sol revela nossa cidade viridescente,
O sol brilha intensamente e deixa todos os seres contentes,
Cantam alegre patativas, cigarras e pardais.
Querida cidade que delícia é em teu seio habitar,
Filipeia, Paraíba, João Pessoa,
A pouco que aqui habito,
Mas já me sinto em casa,
Com esse sol,
Com esse mar,
Com as nossas matas...
Que a vida seja próspera nestes ares,
De matas de tapirira, maracujás, açoita-cavalos e amesclas.
E as manhãs, quem não conhece são as mais belas.

sábado, 11 de outubro de 2014

Indagações

Os jarros com as plantas,
Folhas secas desprendidas no chão,
A poeira do ar,
Os livros,
O sofá.


O brilho criso da tarde,
A palha do milho,
As maliças secas,
Os acúleos desprendidos na pele,
O vermelho caliente do sangue riscando a pele.

A solidão!

Hoje e ontem,

Sinto falta de coisas simples,
Do vira lata, da areia frouxa,
Do cheiro e do chiado das folhas do marmeleiro,
Da segurança materna,

De onde viemos sabemos,
Mas para onde iremos?

As vezes sinto falta da minha ingenuidade,
onde muitas coisas se resolviam
Em Ave Marias e Pai Nossos,
Onde deixei essa fé?

Bom, nem todas as interrogações serão resolvida.



Somos todos passageiros

O céu com seu firmamento,
O solo por onde ando,
Os seres que aqui habitam
Tudo isto dá significado a minha existência,
Tudo isto é a minha existência.

Ah, o céu uma janela para o infinito,
O solo um abraço que me torna finito.
Nos pobres seres e nossos enganos.

Nossos ideais e nossos medos,
Por que nos iludimos?

Nossas ilusões passageiras,
Por que discutimos?
Por que negamos ou afirmamos?

O céu e seu firmamento eternos,
O solo que desde o início nos consome,
E nós corrente de vida nos desentendemos,
Brigamos... Somos todos irmãos,
Respiramos o mesmo ar,
Nos alimentamos da mesma coisa,

Somos passageiros,
Somos todos passageiros...

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Coisas

Tenho vários hábitos esquisitos,
Mas um é muito mais esquisito,
Gosto sempre que viajo
De trazer objetos como pequenas rochas, conchas e sementes.
Adoro observar as formas amorfas das rochas,
A beleza sólida das conchas,
E as sementes com suas formas e suas cores.
Acho que as coisas carregam uma história,
Ou melhor cada coisa tem a sua história.
Nestes objetos, enquanto os observo
Imprimo neles memórias do lugar,
Dou-lhes um novo significado.
Guardo ali, as minhas memórias daqueles lugares.
Mas com o tempo, tudo esqueço,
É da natureza humana o esquecimento.
Restam apenas conchas, rochas e sementes,
Guardava mais a memórias,
Bom, mas acho que estou vivendo mais o presente...


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A odisseia da vida

Minha querida amiga,
Dia 1/11 farei 35 anos.
Bom parece que vivi séculos.
Quando me olho no espelho
Eu já vejo o rastro da idade,
Perdi parte dos cabelos,
Minha pele pouco a pouco perde a elasticidade,
Já me sinto muito cansado a noite,
Já não tenho mais tanta energia,
A ousadia já não faz parte de meu ser,
Minha amiga minha querida amiga,
A idade chega sem avisar,
Ela vem devagar,
Ao menos nos dar o sabor da sabedoria,
Ouvir uma música,
Admirar uma poesia,
Parar para admirar a lua da rua,
Se impressionar com um planta florida,
E ter muitas memórias para rememorar,
Minha amiga,
35 anos se passaram tão rápido,
E quando esse número dobrar
E se dobrar,
Ah minha amiga,
Vou pensar,
Na metade da vida era um velho...
Deus, ensina-me a viver com alegria,
Mostra que minha vida é uma história,
Que eu faça de meus dias
Uma doce odisseia,
E que adormeça na paz e nos braços do criador.

No fim da tarde

Estava caminhando devagar para casa,
Como o sol lentamente partia pelo poente.
Caminhava firme e observava,
As rochas ordenadamente formando calçamento,
As paredes caiadas ou pintadas
E as árvores, majestosas e idosas  e experientes,
Árvores que viveram e suportaram longos e cálidos verões.
Castanholas e jambeiros,
observava ainda as ervas,
As folhas juntadas pelo vento.

Ah, estou envelhecendo.
Envelhecemos sem perceber.

Como o dia só percebemos que acabou,
Porque no segundo crepúsculo o sol lentamente vai desaparecendo.

A gente vai aprendendo a viver,
Vai aprendendo a ser pacientes.

Tanta coisa coisa eu sentia enquanto caminhava,
Não consigo nem expressar,

Sinto que Borges se expressou por mim na escrita,
Mozart na música,
Gogh na pintura,
Kant na filosofia,
Não menosprezo os demais,
Apenas desconheço,
A beleza está na soma do todo,
Mas algumas estrelas brilham mais.

Ao final da rua olhei para trás,
A rua continuava vazia,
Meu horizonte sempre a se expandir,
Deus meu, mostra-me por onde devo seguir,
O existencialismo é muito realista,
Me amedronta,
Mesmo assim a vida continua.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

M - A - N - H - Ã

Um sabiá cantando longe,
Sanhaçus e patativas cantando perto,
Manha nublada.
Abro a janela para ver o mundo,
Meu mundo termo ainda desperta.
Aos poucos vejo as formas,
Vejo o céu,
Vejo o que me cerca,
Vejo as palavras impressas nas coisas,
N U V E M numa nuvem,
P - A - S- S- A - R - O...num sanhaçu...
Tudo tem nome e o que não tem eu ignoro...
Algumas coisas tem nome, mas ignoro por desconhecer,
E assim crescemos como a manhã, como o dia.
E as aves cantam por generosidade a beleza,
Nada mais.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Mais uma vez

É noite,
Foi manhã, 
Foi meio dia,
Fez-se tarde,
Fez segundo crepúsculo
E agora a noite
É carregada pela brisa 
Escura, calma e fria.
Quantas sensações percebo em um dia?
Quantas informações,
Quantas imagens vi e vivi?
Quem seria capaz de saber?
Se pudéssemos ver nosso dia
Todo em fotografia,
Ou gravar tudo que ouvimos...
Quantas informações,
Passam ocultas por nós.
Mas amanhã poderemos perceber
Mais uma vez,
Numa linha reta seguimos a vida,
Sigamos adiante,

Canto encantado do sabiá

Outubro chegou,
O ano se finda,
As plantas perdem as flores
E se cobre de flores,
Logo mais virão as chuvas de verão,
E os sabiás voltarão a cantar,
Voltarão a cavar o jardim,
As magnólias florescerão...

Memórias de Barão, Campinas,
Unicamp...

Saudades dos sabiás,
Da terra vermelha molhada,

Bom, as vezes lembramos do passado,
Das coisas boas impressas em nossas almas.

Mas como dizia o velho Heráclito
"Não se banho no mesmo rio duas vezes".

Talvez a pessoa habite potamus,
E não percebe sua beleza,
Talvez nunca aceitemos a realidade,
Porque somos idealistas demais para aceitar a realidade,

Canta sabiá.

domingo, 5 de outubro de 2014

Eleições

Hoje, mas um dia se passou,
Mas um dia muito importante para alguns políticos.
E quando se fala de política no Brasil.
Ai, é uma vergonha,
Mas vamos lá,
Vamos seguir em frente,
A vida continua,
Há de continuar.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Aurora

Entre a madrugada e a manhã
Te encontro oh aurora,
Primeiro crepúsculo que norteia o meu dia,
As aves cantam em ti e para ti,
Sabe lá se não será meu último aurora.
Sorte que vejamos o segundo aurora.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Flores de outubro

As cores das flores,
São tão belas,
Tão atraentes,
O rosa da calósia,
O vermelho da helicónia,
O branco das flores de palmeiras,
O lilás das centrosemas,
O amarelo das anteras de solanum,
O pink da flor do jambo,
O branco e rosa das caliandras,
Tudo que vejo,
Tudo me encanta,
Flores vivas,
Com suas pétalas,
Seus aromas,
Suas texturas...
Flores de outubro.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Outubro

Outubro chegou,
Agora, a margem que separa o ano
É tão curta,
Praticamente o ano se passou.
Que outubro seja equilibrado,
Que este mês nos encha de esperança e alegria,
Que seja intenso,
Cada dia,
Cada dia,
Que nos seja pleno como o mês passado.