sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O mar

A água salgada,
A areia úmida
E lambida das ondas do mar,
A linha do horizonte tão planta,
A brisa a soprar,
As algas ancoradas na praia,
Uma ou outra caravela,
O céu e o continente dois oponentes,
Coqueiros a balançar,
Pra lá e pra cá...
Já não desconheço,
Mas pouca intimidade tenho com o mar.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Boa impressão

João Pessoa é uma cidade que me surpreende sempre, oras são as matas conservadas, oras praias, oras as pessoas e agora o conjunto arquitetônico histórico desta cidade. Hoje fui surpreendido ao visitar o centro histórico, pois não sabia que haviam igrejas tão belas em João Pessoa. À propósito fui conhecer o Centro Histórico fiquei surpreso com as igrejas que visitei. Igrejas construídas no século 16, cheias de beleza difundida em suas fachadas, pinturas, santos, toda um patrimônio sacro maravilhoso que nos ajudam a imaginar e tentar, resgatar como foi esta cidade no passado. Iniciei meu o roteiro pela igreja Nossa senhora do Carmo, em seguida visitei Igreja de São Francisco e por ultimo a Academia Paraibana de Letras. Detenho-me aqui a visita das igrejas embora a visita a Academia Paraíbana também seja importante, no entanto o conjunto sacro me atrai mais atenção, até mesmo pelo gosto que tenho a arte sacra. Fiquei maravilhado com as construções, os painéis, os santos e todo o conjunto. Ambas igrejas são belíssimas e vale a pena visita-las. Em ambas somos extremamente bem recebidos. Na igreja São Francisco pagamos uma quantia irrisória de quatro reais para visitar, mas vale a pena. Temos uma coleção impressionante.
Ao longo dos anjos que haverei de viver aqui, procurarei descobrir mais sobre estas igrejas e suas histórias.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Dias de verão

Mais um dia quente de verão se passou.
Nos dias de verão o sol brilha intenso,
Nos dias de verão as chuvas são escassas.
Nos dias de verão as ervas torram sobre a areia escaldante.
Nos dias de verão formigas trabalham sem parar.
Nestes dias as tardes são fagueiras
O açúcar do suco é tão doce,
O sono se faz presente durante o dia e escapa durante a noite.
Ficamos muito ociosos nos dias de verão,
Temos mau está no corpo,
Bebemos muita água, fugimos do sol...
E sobrevivemos na esperança
De que o inverno venha e a tudo apague,
A cinza do pó das ervas,
O pó que cobre o mundo...
O pó que cobre a vida.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Sem propósitos

Após o meio dia, 
É preciso ter paciência,
O sol arde lá fora,
Através da janela
Fugo de meu tédio,
Sinto-me ocioso, enfadado,
Então olho através da janela
E vejo a aroeira  de ramos longos 
Balançados ao vento,
Quem dera ser o vento
E vivesse sem propósitos,
A assanhar os cabelos das meninas,
A embalar os carros nas estradas,
Viver uma vida desregrada,
Sol, horizonte e praia.
O que me resta é ser feliz
Olhando através da janela
A aroeira embalada pelo vendo.

Cada flor

As flores desabrocham ao amanhecer,
Há aquelas que duram poucas horas,
Nem chegam ao meio dia,
Entretanto há aquelas que permanecem por dias.
Cada flor tem sua história.
Cada rosa, cada geranium, cada pelargonium.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Relações

A vida é todo esse movimento,
Desde a tomada da consciência do mundo,
Do tomar posse de si,
De compreender,
De reagir,
De lutar e correr em busca daquilo que nos faz bem.
E neste movimento existem tantos hiatos.
Tantos desgostos, fulcros que inconscientemente
Se cristalizam e nos tornam quem somos.
E quem somos nós?
Uma mistura de encontros e desencontros,
O desfiar e acontecimento e desacontecimento
Das relações.

A vida é um dia

A vida termina.
Em pouco tempo a vida se vai.
O suspiro que surgiu do amor
E se desenvolveu e veio a ser e é
Tem um fim.
E como explicar os hiatos da vida?
Momentos de profunda tristeza
Ou até mesmo de profunda alegria.
Os encontros casuais entre as pessoas,
E os desencontros seriam casuais?
Como explicar o gostar, o sentir, o carinho?
Serão apenas sensações humanas?
O espirito que rege a razão humana?
O espirito humano que ecoa entre gerações.
A vida termina.
Serão nosso instintos animais que nos oculta esta máxima.
Será que nossa ergia vital dissolve esse pensar?
A vida é um dia.
E a luz que emana do sol
Ilumina todo que vemos, percebemos
E vemos a realidade,
Mas a ignoramos...
Não é belo o canto de um pássaro,
E as paisagens que vemos?
E não nos assusta saber que a vida acaba?
Talvez se aceitarmos a realidade
A vida será mais agradável.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A noite e nossos desejos

A noite,
O vento soprando do mar,
O céu azul marinho,
Estrelas piscando,
Grilos a ciciar,
O ponteiro do relógio a se mover
Segundo por segundo sem que percebamos.
A noite nos convida, antes de dormir
A comer.
Nosso espírito de barata que nos faz lembrar,
Do chocolate no armário,
Do doce na geladeira,
Dos biscoitos...
Hum! é preciso ser muito forte,
É preciso fugir deste pensamento,
E fugimos para outro pensamento
O sexo, nossa, nestas horas é péssimo está sozinho,
Sem comentários,
Já não há leitura em que nos concentremos,
Graças a Deus nem novelas e nem filmes,
Agora só me resta dormir,
Mas os desejos da carne,
Cortam na carne.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Pressão

Às vezes somos tomados por um vazio que nos impede de pensar.
Este vazio seria refente ao cansaço mental ou a pressão que o mundo exerce sobre nós?
Este vazio, parece ser a ausência de capacidade de se concentrar em determinada coisa fugindo assim daquela ideia que nos consome. Seria então a pressão?
Diariamente, somos bombardeados pelos meios de comunicação que mostram pessoas vencedoras, pessoas lindas, pessoas alegres, pessoas felizes, pessoas com um ótimo emprego, pessoas que consomem as melhores roupas, que vão aos melhores salões, que são cultas e inteligentes...
Ou seja o padrão que nos espelhamos é um padrão que não condiz com a nossa realidade.
Então nos lançamos em direção a este ideal, em busca de todas as qualidades, em busca deste ubermam, de maneira que não conseguimos respeitar nossos limites. E somos consumidos por tal espirito do tempo, e nos tornamos vazios, cheios de pressão, cheios de medo.
E parece que não encontramos uma solução para isto, na religião, na medicina, na psiquiatria em lugar algum.
A busca pela felicidade que é a mensagem ai imbuída, um ideal utilitarista nos impede de vivermos,
de sermos e de nos afirmamos como seres capazes e capacitados a exercer nossas funções como seres humanos.
Haveremos de neste momentos, como dizia Pessoa, nos atermos aos nossos sentidos, sentir o mundo em si, pensar a vida em sim, nos percebemos como animais, como seres... E quem sabe assim, assumindo a prioridade do viver em si, não estejamos livres do cansaço mental. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Alma, tempo e vida

A hora que se passa no relógio,
O sangue que segue entre artérias e veias,
A luz que acende o olhar,
A brisa soprada do mar,
A música decifrada das notas,
A intuição a guiar nossas ações...
Nosso ser nossa constituição,
Nossos impulsos e desejos e reflexos,
O eterno vir a ser,
O desejo de melhorar,
O tempo a nos consumir,
O sangue a nos alimentar,
Entre nossa hora primeira
E nossa hora última nosso movimento,
Nossa história, este eterno devir,
Que se precipita na morte,
Mas enquanto ela não chega,
Viva de maneira cada vez melhor,
Aceitando a hora,
O rios que correm em seu corpo
E que aquece sua alma...

Sonho pueril

Um menino sonhou,
E o seu sonho o alimentou,
Alimentou e nutriu seu espirito.
E seu espirito desabrochou,
E a vida seguiu como segue para todos,
E espectador de sua vida, aquele menino cresceu,
Muitas vezes como figurante de sua vida,
Só em seus sonhos era protagonista,
Por isso aquele menino nunca tomou posse de sua vida,
Mas fez de tudo para existir,
E não aprendeu a tomar as rédeas da vida,
Mas percebeu que sonhar era o norte que guiaria sua vida,
Teve fé, teve disciplina, no entanto certas coisas são independentes de seu ser...
Sonha querido menino, sonha que é noite profunda,
Dorme e sonha,
Só em sonho se é plenamente feliz.

Oculto, mas não silêncioso

Distantes,
Não posso mais sentir o teu olhar,
Nem ouvir a tua agradável voz,
Está tão distante e se distancia cada vez mais,
Para longe de mim, para longe de meu ser,
Não esperei que fosse assim,
Não achei que fosse tão ruim.
Hoje converso com a noite,
E a noite parece está sempre triste e só.
A partir de agora, vou escrever uma nova história,
Mas as conchas de tudo que voce deixou,
Levarei como tesouro que me destes,
Cada concha, e as pérolas que nos produzimos,
Tudo agora são memórias, doces memórias,
E me pergunto onde nos perdemos,
Porque sei onde nos encontramos,
E nosso encontro foi tão lindo,
Tão pueril e por isso houve um rompimento,
E agora sinto a noite, o silêncio da noite,
Porque talvez buscasse isso e quisesse isto,
A vida é pragmática,
Devemos então seguirmos em frente,
Partimos para uma nova história,
Escrevermos um novo livro,
Confesso que com o passar do tempo,
Os casos de paixão ou a promessa de amor passa a ser ilusão.
O ceticismo nos toma por razão...
E o que tenho são memórias e medo e a certeza
do meu fim.

Silêncio noturno

A noite silenciosa de luz,
O som intermitente de insetos, grilos
De frequência semelhante ao pulsar das estrelas.
O apito do guarda,
Vozes indecifráveis,
Latido dos cães,
O som distante do deslocar de carros,
Ouço a voz da noite,
Sinto a brisa da noite.
Como voce percebe a noite?
Noite de um dia de semana,
Voce que está na labuta
Ou que descansa,
E os grilos continuam cantando noite a dentro.
Sem que entenda significado algum,
O cansaço de meu corpo, quiçá de minha alma,
Só percebe o silêncio da luz e ausência lunar.

http://www.youtube.com/watch?v=ikBD3DcSGFM

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Exemplos humanos

Borges meu querido Borges,
Jorge Luis Borges,
Sua vida, sua obra,
Contos, poemas, ensaios...
Tanta coisa o caracteriza,
Sua vida foi uma obra,
Sua vida uma batalha,
Enfrentou a cegueira com energia
E profunda sabedoria,
E sua vida continuou,
Foi ali, no escuro de seu corpo
Que o brilho veio a sua vida,
Sofreu, sofreu com o amor,
Com a dor da perda...
E no final da vida um câncer enfrentou,
Um câncer o consumiu,
Consumiu seu figado,
Consumiu sua vida,
Seus pensamentos, Sua obra,
Seu exemplo...
Encantam-me a força e a disposição com a qual enfrentou a vida.
Ao ler sua biografia,
Ao ler sua obra,
Tenho a sensação da universalidade humana,
Embora possa ser um ser de extrema brutalidade,
É capaz de universalizar-se em sua obra...
Que o diga aqueles que me fizeram enxergar além dos meus sentidos,
Gogh que ampliou minha maneira de perceber as cores,
Mozart ampliou minha maneira de ouvir a música,
Sócrates que me ensinou a questionar,
Nietzsche a me ater aos pequenos aforismos...
Borges me alegrou ao tentar escrever,
E tantas outras coisas me fizeram avistar a razão...
Kant com sua BOA Vontade,
Gilsão com suas leituras reflexivas e simples...
Aprendo tanto com a vida,
E com pessoas vivas e com pessoas imortalizadas por sua obra,
Francisco de Assis e sua obra,
Padre Antônio Vieira e seus Sermões,
Cristo e sua eterna coragem...
Tolstoi e Gandhi me ensinaram a força da não violência...
Só a maturidade e a experiência, a idade da razão Spinisiana
Nos faz entender a importância da tristeza e da felicidade.
E assim vou seguindo minha passagem pela terra,
Com amor no coração.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Definição subjetiva de mar

O horizonte distante,
No mar e no céu,
Ondas vindas de lugares distantes
Se acabando na areia,
O céu azul,
O mar salgado,
De águas que se vertem na praia
E vão e voltam
e se infiltram na areia...
O som do mar,
O frescor da brisa,
A textura da água e da areia,
Estou onde quero está?
Vejo o que quero ver?
Sinto o que quero sentir?
Ou sou um prisioneiro do meu corpo
E da distância...
Certamente algo que está distante me faria feliz,
Talvez esteja feliz com o mar,
Talvez o mar me faça pequeno e solitário,
Um grão de areia numa praia
Que vive, que sente e se exprime,
Não fala, apenas traça monólogos,
Se muito fala apenas
tira da carteira o dinheiro e paga o ônibus,
A água de coco,
E saboreia a água, a paisagem, o mundo colorido e vivo da praia.
Algas são derramadas na praia,
E a mente vaga entre tanta coisa a ser pensada,
Tanta coisa a ser vivida,
A vida pode está apenas começando,
Mas pode já ser tardia,
Ou está no fim,
A praia é tão larga,
Tem tanta água salgada no mar,
Que conseguirá entender o mar?
Quem conseguirá entender a vida...
Talvez numa poesia,
Se defina o mar.

Que constitui o tempo?

O que constitui o tempo?
O tempo seria uma medida que separa os fatos.
Desde o dia que comemorei com meus amigos
meu último aniversário, me distancio cada vez mais deles,
Me distancio cada vez mais do último dia que conversei com minha avó,
Me distancio cada vez mais do dia que nasci,
Me distancio cada vez mais da primeira vez que fui embora,
Me distancio cada vez mais das pessoas que hoje dormem na eternidade,
E ao mesmo tempo me aproximo cada vez mais do dia que pode ser o meu fim.
O tempo permite que me aproprie da razão,
Mas ao mesmo tempo me desaproprio de tudo que me ligou e liga a vida.
O tempo é a medida de nossas BOAS ou má vontades...
O tempo é o eco e é saudade...
O tempo me aproxima e me distancia...
O que constitui o tempo são as nossas memórias...
Mais nada.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Devir

Breve a vida passa,
Nossos sentimentos de apego e de desejo,
Nosso desprezo pelo vazio,
Nossos maiores inimigos, nossos medos
Tudo a acontecer,
Ser, vir a ser, ser,
O não ser...
Aquilo que nos constitui,
Aquilo que nos divide,
Aquilo que admiramos,
Suportar as coisas da vida.

O tempo passa
E quando passa nos separa,
Nos opõe a vida,
Mas enquanto vida tudo há...
Paixão, sensação, desejos, ação.
Tudo suporta e segue para o fim.

Existencialismo

Somos, enquanto vivos, ação,
Quando descobri isso,
Nem me lembro,
Nem refleti.
Somos ação,
Vir e devir,
Sujeitos e objetos,
Alteridade o que é?
Vivos, vivemos e tudo podemos,
Tudo podemos se planejamos,
Tudo podemos se projetamos,
Somos livres,
E o mundo acontece
Sob o suor e a convicção.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Onde estou?

O sol intenso da manhã
Que despenca para o meio dia,
O canto da cigarra sertaneja.
O mundo é só energia,
Pedras soltas no chão,
Ideias perdidas no azul do céu.
Existe o aqui e agora que pode ser em qualquer lugar.
Estou onde projeto está
Ou estou em qualquer lugar...
As sensações me levam a está onde estive
E são reconstruídas sempre.
Aqui, ali ou acolá.
O sentido está onde o coloco,
Está onde me atenho aos sentidos.
O sol intenso,
A vida singela,
O canto da patativa...
Seremos eternos saudosistas?

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Através da janela

Sentado, olho para a janela
E bem, vejo através da janela,
As árvores a balançar,
Sei que a brisa está a soprar.
Perceber o mundo externo
É muito fácil, embora só vejamos o que queremos...
Mas perceber o mundo interno
É extremamente difícil,
Pois sempre nos comparamos por cima,
Sobrestimamos sempre...
Como compararmos, com os outros.
As vezes, paro e penso na vida,
Procuro ver o que me rodeia,
Nem sempre encontro um pensamento vigoroso,
Ao menos tento.
Tento me nortear através dos livros...
Talvez me perca mais que me encontre,
Talvez nunca consiga,
Mas persigo assim mesmo uma autonomia
Intelectual...
Talvez tudo seja em vão.
Pelo menos tenho a mania de ver as coisas
Mesmo que seja através da janela.

O canto da manhã

Rouxinol cedo cantou,
Cantou na minha janela,
Rouxinol anunciou,
Que aurora já viva,
Que o sol em breve viria,
Cantou, cantou, cantou,
E encheu meu coração de alegria,
E anunciou o novo dia,
E expressou a presença de Deus
Na beleza de seu canto.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Despedida

Partiu?
Partiu quando?
A que horas?
Para onde?
Estava feliz ou triste?
Chorou?
-Partiu sim,
-Partiu antes de você sair.
-Era cedo para a noite.
-Foi para onde sopra o vento.
-Estava vivo, nem percebi.
- Se chorou? Não sei.
-Só sei que partiu.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O mundo

O mundo que vejo é um mundo de substantivo,
É um mundo de coisas e de nomes.
Eu percebo o mundo e aprendi a nomear as coisas
Em categorias científicas, em categorias literárias,
Eu vivo o mundo e sinto o mundo e conheço as palavas,
Mas sou oculto no mundo,
Não sei trançar as palavras,
Sou quase mudo tudo em mim é alteridade,
Não sei relacionar as palavras,
O mundo que me comunico é extremamente subjetivo,
Morre comigo se morrer,
Não passará além-túmulo,
Embora tente lutar contra isso,
Sinto que o universo todo cala meu verso...
Quem sabe um dia, chegue a algum conhecimento
Categorizado por Spinoza
Ou serei sempre mudo das palavas...
Não seria minha intenção.
Vou continuar vendo o mundo
E quem sabe um dia expresse o mundo.

Heidgger

O que leva o pensar para esquecer do ser?

Dúvidas

Como ouvir o coração?
Como ouvir a alma?
Nossos corpos cheios de desejos,
Cheios de paixões.
Em nós há uma guerra interna
E travamos cada dia uma batalha,
Nem sempre vencemos,
Nem sempre perdemos,
Seguimos sempre em direção
Àquilo que melhor nos convém,
Mas o que nos fará bem?
Eis ai a vida,
Se somos condenados a liberdade,
Se a liberdade gera em nós angústia,
Viver é se angustiar,
Ou renegar os desejos.
Mas renegar os desejos
Não seria renegar a vida?

domingo, 12 de janeiro de 2014

Aquilo que me toma

Quatro paredes brancas,
Janelas claras,
O vazio da sala,
Um corpo vivo sobre o chão,
A brisa que passa,
Na mente inquietação,
Apatia ao tédio,
Apatia a luz,
Apatia ao dia,
Solidão...
Tédio,
Tantas coisas parecem desprovidas de sentido,
O som desconexo das aves,
A luz quente do sol...
Tantas coisas criativas a serem pensadas
Ou apenas assimilada,
Mas absorvo o brando das paredes,
A luz quente do sol,
E o que sou e o que me faço?
Sou tédio,
Sou nada, quando me disponho
A não fazer nada,
Poderia ser pior,
Mas poderia ser melhor,
E o que me falta?
E o que me toma?
Desprezo.

Sol

O sol brilha intenso,
As folhas viridescentes
Brilham intensamente.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Angustia da existência

Noite escura,
Noite profunda,
Um pouco de doce à solidão,
Um pouco de doce a escuridão,
Dos olhos fechados,
Do peito apertado,
O cheiro das flores colhidas na noite anterior,
A ausência de sentido em tudo...
Ao menos as memórias,
Ao menos as ideias!
Nada, absolutamente nada faz sentido,
Talvez fizesse, se despencasse,
Mas tudo continua como
A noite segue.
Grilos, estrelas, escuridão
E a Desilusão,
E nada mais.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Compreender-se

E a tarde cai,
E o sono cai,
E a vida cai,
E o tempo passa,
E os desconfortos não de passar,
Desconforto do que se come,
Desconforto do que se consome,
Desconforto de existir...
É preciso educação,
É preciso reduzir o pão...
Silêncio,
E reflexão.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir, nasceu em 1908.
Francisco Raimundo, nasceu em 1908, meu avó.
Ela em Paris.
Ele em Martins.
Ela filha de advogado.
Ele de agricultor.
Mesmo sendo mulher, ela foi educada e instruída, mundialmente conhecida.
Mesmo sendo homem, nenhuma liberdade
De educação tinha apenas seu instinto de justiça.
Ela leu milhares de livros,
Ele nem sabia ler.
Ele casou-se aos 22 anos e teve uma família enorme.
Ela teve um relacionamento aberto com Sartre...
E tudo isso aconteceu no mesmo século,
Em  lugares extremamente distintos.
Ela está em qualquer lugar que tenha mídia.
Meu avó que morreu dois anos depois em 1988,
Hoje nem nome na lápide têm,
Faz-se oculto até mesmo dentro da família...
Resta-lhes esta singela lembrança.

Sentir

A manhã vazia de sol oculto pelas nuvens,
Prédios vazios, o silêncio das palavras.
Cantam as aves lá fora,
Aqui dentro, soa Debussy.
E dentro de mim, há um universo,
Oras fluído, oras engessado,
Feito estalactite se desfazendo
E se fazendo...
Algo em mim quer ser expressado,
A palavra? A ação?
Algo indefinido grita...
Será a manhã ou a solidão?
Talvez nada...

A senhora e a menina

Elas moram no mesmo lugar,
Suas casas se encontram uma frente a frente.
A senhora vivida, experiente e já de idade,
Adora brincar com a menina, novinha e inexperiente.
O tempo não importa, pois ambas tem
A mesma idade que se conhecem.
E ambas se abraçam,
E ambas riem
E ambas são felizes
Com as pequenas coisas que vivem,
Com a graça do existir e viver o presente,
Excluindo o passado e o futuro.
Cheiros e afagos amigos,
Um dia ambas seguirão caminhos
Diferentes, mas são feliz neste momento
Em que estão juntas, amigas e felizes.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Manhã cantarolada

Que encantada manhã de janeiro,
O vazio de um enorme espaço
Completamente em silêncio de fala,
Apenas o maravilhoso cantar das aves
E o ronco do ar a refrigerar,
Saudosa manhã de janeiro,
Em janeiro tudo é tão fagueiro,
Será, apenas minha tal impressão?
Esta manhã seguirá até o fim,
Como as coisas seguem para o fim
E o tempo para o infinito,
Mas como é belo o canto do sabiá,
Do roxinó...

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Além

A noite escura,
Estrelas brilham no céu,
Grilos cantam no jardim.
Grilos sempre cantam a noite.
O sol brilha e é dia.
E sinto a água fria refrescar meu corpo,
O doce verde da uva,
O açúcar vinho da uva,
E a noite segue,
E a vida segue,
Sem mim. 

Que resta?

O tempo ecoa,
O vento soa,
Quão profundo é o tempo,
Quão rasa é a memória,
Dura menos que uma geração,
Não vi meus bisavós dormir,
Pouco vi meus avós sorri,
E o tempo passou,
E o tempo lhes calou.
Ecoa o tempo,
E o que me resta são escritos,
Palavras, frases e histórias,
E por momento o tempo,
Habita minha mente,
E o tempo me inquieta,
Porque fora de mim,
O que é o tempo, além do subjetivo?
Agora o tempo me usa para se materializar,
Agora uso o tempo para cristalizar
Este momento.
Amanhã, quiçá desfaz a minha matéria,
mas estes versos, serão eternos
enquanto puderem ser lidos,
No mais, que resta?
Nada.

Tarde de janeiro

O ano passou 
E outro iniciou,
E como todo início
Tudo é tão incerto,
De certeza apenas uma há,
Tudo certamente passará.
E à tarde que cai devagar,
É encantada ao som de sabiás,
Sabiás cantam sem parar,
No interior da mata,
Marteladas na parede dura,
É preciso destruir para reconstruir.
Tudo início é muito incerto,
Há de passar,
Como a tarde que cai
sossegadamente ao canto de sabiás

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Paciência

A noite,
A coceira na traqueia,
O incomodo nas narinas,
A dor de cabeça,
O calor,
Quanto incomodo,
Apego-me a certeza que tudo passa,
Enquanto isso,
Paciência.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Domingo primeiro

Primeira tarde de domingo de 2014,
Parece que o mundo parou,
Ruas vazias, só o vento ocupa o vazio das ruas,
Vento frio.
O céu azul, com tingimentos de vermelho,
Barulho algum ecoa,
Caminho vagando,
Olhando as coisas do mundo,
As pedras do calçamento,
Os muros com plantas floridas,
Olhando para ver se encontrava algo
encantador além da beleza
E a noite chegou,
E a tarde passou...
Nada demais ficou.

A última flor

Na janela descansa um jarro
Que abriga uma rosa do deserto,
Suas folhas verdes viridescentes
E vivas e a última flor desabrochada,
Aquela que fui o último botão,
Que existe e foi a última a existir,
Que não participou do vigor
Do último cacho.
Aquela linda flor,
É mais bela por ser a última,
Assim como foi a primeira.
Está no ramo bela,
Efêmera flor,
E logo se vai,
E logo se foi...
E nada ficou...
Da florzeira,
Que restou?
A força e o vigor,
Ser flor.