quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Crianças egoístas

Ver criança brincar é uma graça. Vou sempre aos fins de tarde a academia de idosos do PIE. Lá fico curtindo a tarde, fazendo exercícios físico e observando as pessoas, os pais e as crianças, às vezes até cachorros. É muito engraçado ver como as crianças se comportam. Na verdade não sei se é engraçado. Porque na verdade as crianças são egoístas... Sim são... Hoje tinha um bando delas seis, nem vi os pais delas. Tinham entre cinco e sete anos. Três meninas eram as mais novas, uma loira e duas morenas... A loirinha era a bola da vez. Era ela quem escolhia a amiguinha. Então ela escolheu a mais serelepe de cabelos cacheados para ser sua amiguinha. A outra ficou excluída. Tadinha... A escolhida como amiguinha da loirinha ficou bulinando falando que ela não era amiga das duas... Para se proteger foi muito bonitinho a excluída tapou os ouvidos e saiu dali, no entanto ficava sempre rodeando... Que dó...
A escolhida tagarela falava alto para chamar atenção... que chata.
Tinha uma maior e dois meninos...
A maior era cortejada por Nicolas e Artur... Ela queria Nicolas o maior para brincar junto. Artur foi excluído... mas ele era mais forte e maior e sempre se sobre saia... e ficava perto da menina.
Até que apareceu uma menina magra e perguntou que serie Nicolas estudava, mas acho que só tava chamando a atenção de Artur... então os dois Artur e a menina de pernas finas foram brincar no balanço...
E as duas meninas continuaram excluindo a menininha.
Fui embora...
Crianças egoístas.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Essencial

Não te aborreças um só minuto a vida é curta demais para coisas pequenas. Ame a vida, seja pragmático ou seja teórico. Colha flores e enfeite sua casa, elas perfumam e embelezam tudo.
Gaste seu tempo com um pouco de arte, música e risos. Não sabemos o que nos reserva o amanhã.
Saia para caminhar, olhe para o mundo, para a aurora, para o dia ou para o fim da tarde.
Ame a lua ela te iluminará pela eternidade.
Muitas coisas não nos são reveladas sobre nós, melhor assim. Nos envolvemos tão fácil naquilo que nos diz respeito e nos enganamos, nos aborrecemos com coisas simples por puro capricho.
A vida passa como a brisa passa, como o dia passa. Depois que a vida passa nada fica.
Só uma ou outra lembrança que logo será apagada pelo tempo.
Pensar nisto faz bem.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Partiu

A vida é assim, um dia chega ao fim.
Passamos a maior de nosso tempo
numa busca, nem sabemos que procuramos,
mas continuamos nessa jornada.
Vivemos dias difíceis,
dias do ócio, dias de alegria,
dias de vitórias... Vivemos...
Mas um dia a vida chega ao fim.
Algo acontece conosco,
o tempo cai, o corpo aos poucos
segue a lei da entropia
e a vida se vai...
Se vai sem nos dar tempo para refletir.
Não que joguemos tudo para o alto,
mas busquemos mais a felicidade,
talvez seja isso que buscamos.
E quando a morte vem,
nada, absolutamente nada nos deixa levar.
Em um instante nossa alma
deixa nosso corpo...
E nada mais faz sentido.
Hoje, mais um partiu,
uma pessoa que conheci por toda
a minha existência.
É um parente, mais um que partiu...
Ontem dormiu bem,
e hoje seu corpo é só um corpo...
Deita e dorme a eternidade
Chico de Leão.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Decisões


Quando se vive só,
Sentimos viva nossa solidão.
Os átrios vazios da casa,
O telefone mudo...
O único barulho que ouvimos
é o motor da geladeira...
E a noite cai
e o dia vem,

A vida passa,
Não sabemos porque
escolhemos está só,
Talvez foi a vida que escolheu.

E vamos ficando cheios de manias.

A solidão nos impõe manias,
Meditações profundas
chegamos a beira da loucura.

Certas escolhas como a de viver
só, as vezes é o eco da loucura
nos dominando,

Num próximo dia quem sabe
não dominaremos nossas
decisões.

Chuva

A tarde quente se desfez
Quando uma nuvem
Desfiou uma suave chuva...

A dias que não chovia,
A poeira já sobia,
Então nesta tarde
que agradável,
ver a chuva chover.

A tarde ficou mais curta,
mais amena...

Ao vento

Hoje a tarde se revelou mais linda, mesmo estando nublado.
A finitude da vida povoa minhas ideias. Infelizmente penso muito nisto.
Enquanto caminhava recordava a casa de meus avós,
suas imagens, as visitas que lhes fazia. Tudo ali era simples e rústico.
Sem conforto algum... Corpos cansados da luta que é a vida.
Roupas velhas do cotidiano, com cheiro peculiar de seus corpos.
Cansaço e um horizonte próximo.
Vô José levantava, tomava café e sentava na frente da casa. 
Vô Sinhá ainda se mexia, fazia café, comida, mas a limpeza
da casa era feita por Nana ou Lera... Lentamente meus avós
materno foram cedendo suas atividades. A casa foi ficando
escura, mais vazia...
Estas ondas chegam a casa de meus pais
e na minha nem começou... Não tenho filhos ainda...
Mas já sou cheio de manias.
Pequenas coisas na minha tarde se tornaram grande,
ouvi que a vida é como um sonho
quanto mais a queremos, mais ela se vai...
Vejo minha vida com profundidade,
alguns que riam comigo
já dormem...
As vezes nossas esperanças parecem tão tênues.
Por que há pessoas que creem ser imortais?
Vitae breve...
E a tarde nublada foi muito excelente...

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Domingo

No domingo sempre acordamos indispostos, pelo menos pessoas normais. Saímos da cama mais tarde... Tomamos um café menos frugal e reservamos o ócio para nós mesmos. A inércia nos domina. Há quem goste de cozinhar, sair para pescar, bater uma bolinha, tomar uma cerveja, ou fazer um churrasco. Domingo é o nosso dia. Domingo é dia de missa, de culto a Deus, há aqueles do contrário que fazem o culto a Dionísio.
Bom, mas tem aqueles que trabalham nos domingos, ou tentam fazer para recuperar o tempo perdido ou para ganhar tempo...
Quanto a mim, já renunciei tantas vezes os domingos e continuo a renunciar... Estudar, corrigir artigo ou escrever um projeto.
Quem dera que o corpo entendesse tudo isso, pena que viva uma inércia. 
As formigas não tem essas coisas trabalham diariamente. Serão as formigas felizes?
Acho que sim, acho que a palavra felicidade é uma palavra que nos trás a reflexão sobre o seu significado... Felicidade; Eu sou feliz? E ai lá se foi nossa felicidade.
As formigas certamente são mais felizes que nós. Pensar nos leva ao ócio...
As abelhas também trabalham nos domingos, os cupins...
Somos mamíferos como vacas que levam o tempo a comer...
Ah, já entendi, há os homens bois que levam o tempo a comer. Opâ, homem boi não é uma boa frase, visto a conotação boi, "xifres"; talvez homens rezes fique melhor.
Há os homens leões, que saem a caça... Há os homens... bem é melhor deixar pra lá.
Que texto machista. E as mulheres...
Bom isto fica para outro domingo.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Tempo para si


É necessário um tempo para si, mesmo que seja um breve momento de contemplação e reflexão.
Contemplar uma paisagem, um jardim, uma flor, uma pintura ou alto que nos traga admiração. Em seguida refletir sobre a beleza, a ordem ou desordem, a combinação de formas e cores ou a arte. Contemplar e refletir é parte de nossas naturezas. No entanto o que fazemos quando o mundo contemporâneo em que vivemos nos arrebata, nos rouba atenção, nos tira o tempo e nos sufoca com tantas informações? Temos a internet e tempos a televisão canais que aparentemente nos revela o mundo. Temos que trabalhar para adquirir conforto, sucesso e tudo que a contemporaneidade nos alicia.
Somos seres que vive para o obter, para o poder consumir, nos sentimos felizes em poder comprar, em poder ir e vir, em poder conhecer de imediato... Coisas que o dinheiro pode comprar. Uma linda casa, equipamentos sofisticados, livros, roupas, sapatos... Imediatamente tempos a sensação de que estamos completos até percebemos que tem algo com mais função ou mais belo...
Na minha infância o desejo de ter, de consumir era o mesmo, queria todos os brinquedos, todos doces e roupas, queria ser o centro das atenções... Não nego isso, tinha em mim todos os desejos que as crianças de hoje tem... Se já existisse Macdonald em Serrinha, claro que eu queria Mac lances feliz...
O fato é que meus pais não tinham como dar o que almejava. Não era não e pronto.
Nosso sítio, era o maior universo que podia ter... Tinham árvores, no inverno ervas, animais e o ócio...
Que fazer com tardes longas, noites escuras? Fins de semana? Ocupava o meu tempo brincando de criar coisas, dissecar flores, girinos, caçar pássaros... A vida era longa. Sair para o mato, sentir o cheiro do mato, sentir a terra quente ou úmida... ou não fazer nada. Chegar para onde estavam os adultos conversar e ouvir as conversas. Ficava feliz em conhecer pessoas desconhecidas com outras histórias...
E a tarde contemplar o belo por do sol ou ouvir a chuva e nela banhar-se.
Mas a vida sempre segue, e apesar de bom, queremos mais. Desejamos poder ajudar nossos queridos com algo, poder presenteá-los e vê-los felizes.
Então imergimos nesta aventura que promete progresso e melhores dias e esquecemos de viver cada dia.
Não que almeje viver o que vivia, mas sei que mesmo naquela vida de privações havia algo de bom
e resgatar por meio de minhas reflexões aquelas coisas boas poderá me fazer bem e completo.
Hoje não nos dominamos, usamos remédios, fazemos terapias... Porque o mundo está muito desregrado, não sabemos dizer não a certas coisas. Um pai não sabe dizer não ao filho nem que seja para o seu bem... Não sabemos dizer não aos nossos desejos.
- Não, hoje não vou a loja.
- Não, hoje não vou a livraria.
- Hoje vou ao parque!
- Hoje não vou entrar no facebook!
- Meu Deus estou sem internet, como vou viver...
- Com o vou saber o que acontece com meus amigos, o que estarão fazendo?

Acho que tínhamos mais tempo para nossos amigos ou para nós mesmos.

Você tem tempo?

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Mudar

Somos o que somos, mas podemos mudar.
Podemos mudar nossos pontos de vista,
nossas ideias sobre as coisas, nossa maneira
de agir. Mudar não significa ser fraco,
ao contrário significa abri-se para uma nova
perspectiva de vida.
Mudanças muitas vezes são necessárias
para um melhor convívio no mundo.
Aceitar a madeira do outro agir
é ser superior... Poucas coisas podes
fazer para mudar o outro,
se queres  mudar o outro por que não
tentas mudar a se mesmo...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Memórias de Barão

As memórias
Minhas memórias,
Tudo poderia ter sido melhor ou pior...
É certo que as coisas que vivo despertam em mim memórias adormecidas.
Agora mesmo vendo uma aula sobre Urticaceae, lembrei da rua José Martins em Barão Geraldo.
Logo que passamos o colégio objetivo em direção a fazenda, depois que cruza um riacho tem um pé de Boehmeria caudata e mais adiante tem um lugar onde as pessoas costumam por lixo e tem muitas Urera bacifera, sob ciprestes e uma grande Paineira ali é mais fresco. Era por ali que toda tarde passava de bicicleta, ou certas vezes passava pra Unicamp quando dormia na Kit da Ana...
E de que me servem estas memórias...
As vezes acho que são memórias de louco...
Sempre passava ali, classificando as plantas em ordens do APGIII...
Rosales, Malvales, Lamiales, Sapindales, Poales, Caryophylales, Fabales, Malpighiales,
Cucurbitales, Commelinales, Gentianales, Zingiberales, Asterales, Ericales, Dipsacales, Apiales...
Para que? Para que?
Boa tarde seu Antônio...Igrejinha, por do sol...
Malpighiales... que deliciosa Acerola...
O velho do caldo de cana sobre a Paineira... Acho que não vai com a minha cara...
O bar da esquina com música piegas...
Sexta-feira tem pastel do japonês simpático...
Magnoliales, Apiales...
Chego em casa, guardo a bicicleta, lancho e vou para o mundo de sofia... 

Bruma

Sentando na manhã,
o sol nascendo,
espero a bruma,
que vem e acarícia
as flores, e leva embora
folhas soltas.

Leve passa a bruma,
enquanto durmo
e quando acordo,
nem percebi sua passagem,

Bruma suave da manhã,
refrigera minha alma,
traz me a calma,
Que a vida é passageira.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Cinzas da noite

A cinza da noite apaga as cores do diz,
O sol já partiu. Na natureza tudo é silêncio...
Suave uma brisa desfia do nascente,
Noite eterna noite...
Meus olhos se fecham e tudo é noite...
Assim é a morte? eterna noite,
Eterno sono profundo...
Hoje dormem pessoas que quando nasci
viviam, pessoa que tinha a lua como luz,
e palavras como conforto e melodia...

Quando a noite cai tudo está tão próximo,
Tudo é tão finito, sem luz, só lua e estrelas.

Quando temos flores, mariposas voam
sob suas asas suaves em busca de néctar,
mas em noites profundas de calor,
até a natureza se dobra diante da noite...

A noite passada, quase não dormi,
só para entender a noite
e sua face oculta, mas nada encontrei...

Noite

A noite eterna solitária
Quando cai a tardinha,
A natureza se recolhe,
As aves se aninham,
Os animais descansam.

A noite eterna solitária,
Sempre calma marca
O fim de mais um dia,
Algumas vezes fecha um ciclo,
outras é um dose desabrochar
um beijo de adolescente.

A noite quando cai enluarada,
toda a natureza pára
e observa a majestade
eterna da noite e da lua...

Os anos caem,
A juventude cai,
mas a noite é eterna,
nós morremos com os nossos corpos,
mas a natureza se recria
noite após noite...

A noite é eterna solitária
por ser eterna...
Por ver gerações contemplarem
e desaparecerem,
como vemos as flores
e nem percebemos
quão quimera são elas...

A noite nos faz dormir,
quiçá eternamente.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Vírus

Meu corpo quente feito chama
Me faz suar. Sinto calor, sinto dor,
Parece que minha alma quer
desencarnar.
Este vírus que me incomoda,
Sei que não me mata,
mas tira todas as minhas vontades.

Sinto um forte calor,
não consigo dormir,
minha garganta e meu nariz
estão incomodados,
minha garganta coça.

Vírus bendito,
viestes não sei de onde,
nem foi como me acometeu,
agora só me resta
paciência e descanso,
logo estarei bom,
logo tu passarás...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A mariposa

Na noite escura, oculta voa a mariposa. Que busca luz ou flores para saciar-se.
Voa, voa com suas leves asas, que batem sem parar. Leves asas que levam
noite adentro ao teu destino. A mariposa que suave voa, já foi pupa encantada,
que sofreu uma grande metamorfose, que se enterrou no solo e certa noite
como uma flor desabrocha, mariposeou.
Saiu de seu casulo bateu assas e voou, toda a noite.
Saiu beijando as flores e seguiu a luz de minha casa.
Lembro que acordei ouvindo o som do bater de suas asas...
Se debatia no escuro, não creio que via.
Acendi a luz e vi aquela linda mariposa
de escamas escuras, dorso veludo,
olhos brilhantes... Ela voou até a luz,
com suas asas leves voava, mas parecia flutuar no ar.
Tomei-a na mão, senti o veludo de de suas pernas,
suas asas descamarem em minhas mãos.
Segurei-a com uma mão, abri a janela.
Como eram belas suas antenas e veludosa sua textura.
Abri a mão e ela voou para o infinito de minha visão,
num instante sumiu na escuridão...
De onde veio e para onde foi aquele ser mágico?
Sabe-se lá...
E o que veio buscar em meu quarto escuro?
Nem chovia...
A noite mais uma vez mostrou-me um pouco de seus mistérios,
o voar da mariposa.

Mulher

Adorada e doce flor,
Sedes tu mulher,
Sedes tu como a terra,
Fecunda e terma,
O mais agraciado
De todos os seres,
Em teu seio é gerado a vida.
Em teu seio fecundo
Foi que fomos gerados,
E em teus braços fomos criados,
Dia e noite nos destes
Tua atenção e o teu carinho,
E é nos teus braços
Que encontramos conforto,
E é no teu seio
Que sentimos amor.
Mulher sedes flor,
Sedes tudo que precisamos,
Sem ti, nada somos,
Senão um ponto final
De nossa existência. 

Clima

O tempo está uma loucura. Depois de muita chuva, agora faz um calor em Brasília que tira todas as energias, triste de nós se não fosse o Lago Paranoá com seu espelho de água. Desde cedo faz calor até muito tarde... Espero que as chuvas voltem logo.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Solidão

E o dia se vai, e a noite se vai...
Resta o silêncio, resta a solidão.
Há lugares que são solitários,
Sinta o sertão com sua imensidão.
As vezes a vida é assim
um desertão,
Quando alguém parte,
deixa saudades e solidão...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Lago ondulando

No fim da tarde ventava,
As águas do lago agitadas
Ondulando, ondulando, ondulando.
O sol foi caindo devagar,
E as águas ondulando,
E uma nuvem em brasa ardendo
E a tarde se desfez majestosa,
E a tarde se desfez augusta.
Os biguás nadavam
E mergulhavam e voavam
Pareciam dançar no lago...
A lua apareceu pálida
e a noite se fez...
Até parece que as chuvas
Partiram, se foram,
Fez tanta luz, tanto calor,
Céu limpo e azul,
vento soprando
e o espelho do lago ondulando...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Tarde de calor

Caiu a tarde quente, nem uma chuva mais apareceu, está tudo secando.
Falta disposição pra fazer qualquer coisa, que preguiça...
É tarde de quarta-feira de cinza, só o que resta do carnaval.
Calor, indisposição e mais nada.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O Sertão

O campo dourado de grama madura vasta paisagem.
O vento sopra suave ondula e leva o cheiro maduro da grama
para longe, para além do horizonte.
Riachos secando e aves voando para longe,
o sertão abandonando.
Os pássaros cantam felizes,
e a vida segue suave até um próximo inverno,
agora só restará o verão, solidão e cinzas
e a incerteza e dúvidas, ano que vem haverá chuvas?

O sertão é um mar de solidão.
Céu azul, nu, vazio de nuvens,
de noites escuras e estreladas,
de lua cor de leite...

Que ocupa o campo de grama?
Cinza, poeira e o vazio.
Mais nada. 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Tempos idos


O sol já foi mais belo no amanhecer. Hoje, a vida me ensinou muitas coisas que descoloriram e tiraram o doce de meus sonhos. Descobri a realidade e as outras faces das coisas. São poucas coisas que me despertam interesses. Isto é envelhecer?
Não sei, mas ao mesmo tempo que estou distante de meus entes queridos, criei uma carapaça ou uma forma de mimetisar a vida.
E as pessoas partem, e os mistérios das pessoas são revelados e as coisas perdem a complexidade e seus segredos, só me restam os livros, as músicas e as lembranças alheias que me servem para contar uma história a me convencer de minha história.
O sol já nasceu mais belo...
No carnavais, me assombravam os papangus de Martins. Hoje sei que eram pessoas fantasiadas,
como as datas perderam a graça. Com a partida dos amigos de meus pais, meus avós... Cresci
e as coisas tornaram-se reais.
Já não é doce a bala, continuam perfumadas as flores, sei como se chama as fulanas e ciclanas...
A aurora já foi mais bonita, mais prazerosas feito fins de semana com bolo de ovo.
Hoje, não restam mais nada dos tempos idos, apenas lembranças.
Mais nada.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Outros carnavais

O tempo passa tão depressa
que nossas perspectivas
se apagam junto com nossos sonhos.
É como se fossemos dunas
movidas pelo vento e pelo tempo.
Carnaval, em outros tempos
seguia para onde houvesse folia,
mas hoje, curto mesmo o feriado...
E o tempo passa tão depressa
e leva toda a graça,
toda a juventude,
Toda nossa coragem
e o que fica,
senão a experiência, 
mais nada...

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Aflito

O dia está muito bonito,
não sei porque me sinto aflito.
O sol brilha no céu,
nuvens somem e aparecem
mostrando o azul celeste.
Aves já relaxam o calor do meio dia.
Ainda assim me sinto aflito.
Uma amiga me falava que era frescura,
essas minhas aflições,
mas é uma sensação
de aperto no coração.
Nem o dia bonito,
nem os trabalhos a fazer,
nem os livros para ler,
me tira esta sensação...
Vai passar, antes que me consuma,
vai passar, logo a vida apruma.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Pela manhã.

Caminhando pela manhã depois de uma noite de descanso com a mente relaxada, posso sentir o pulsar de minha vida. Sinto o aroma fresco das ervas, das flores, dos frutos maduros, posso sentir o frescor da brisa da manhã. Eu vejo as cores revelando as formas das coisas. Eu sinto o pulsar de minha vida. Caminhando pela manhã, percebo quão bela é a vida. Pela manhã as abelhas visitam as flores, pessoas iniciam suas atividades e assim segue o dia...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Mesma manhã

Suave cai a manhã e com ela uma brisa corre acariciando as folhas e flores.
Sinto a manhã e a brisa que despertam em boas memórias da infância.
Na infância mal acordava e já tinha que sair andando no frio da manhã
sobre um jegue em busca do córrego em busca d'água e era lindo
ver os primeiros raios do sol desfiando no nascente e dourando o mundo,
se derramando e dando cores ao mundo. O barro poeirento e frio,
o cheiro de estrume seco. O desespero das ancoretas que fazavam
gotas. O acelerar do jegue. A escola logo em seguida. O encontro
com os meninos e os deveres da professora Lenita...
Hoje não mais aquela rotina, menos sonhos, mais realidade,
mas a manhã continua a mesma.  

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Quaresmeira

As quaresmeiras estão tão lindas floridas,
flores rosa e lilás.
Plantas pequenas, árvores enormes,
flores rosa e lilás.
São tão belas e delicadas suas flores,
pétalas, estames...
Enfeitas o mundo, oh quaresmeira...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Caminhar

Caminho com calma, como quem vive e gosta de viver.
Minha trajetória é longa e meu itinerário desconhecido.
Sigo sempre em frente desde o amanhecer ao anoitecer
e as vezes sigo noite adentro. As vezes perco a paciência,
mas a vida se encarrega de me trazer a calma.
Nessa longa caminhada, muitos companheiros seguiram
juntos, mas todos tomaram seus rumos.
E enquanto caminho sempre faço amizade
para não me sentir tão sozinho...
Quantos não chegaram ao seu itinerários,
vô José e vô Chico, vó Sinhá e vó Chica
e alguns amigos camaradas chegaram tão cedo.
A caminhada continua. O tempo tira nossas forças,
mas nos trás experiências...
As vezes penso nisto, não sei por que se só me resta caminhar...
Acho que aprendi com meus medos, melhor esquecer
e caminhar...
São muitos os faróis por onde quero passar
e seguir caminhando até chegar lá. 

Suave manhã

A manhã segue fresca, suave. Sentado, olhando através da janela vejo brisa suave acariciando as folhas de bambus. O solo vermelho úmido fresco abriga folhas secas de bambus e ervas.
Segue manhã sem nada. O mundo que se arrume, eu tenho que fazer minhas coisas, embora roube um pouco de meu tempo para observar a manhã e lembrar de manhãs suaves.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Noite

Noite

Noite escura estrelada.
Calma caiu a noite
escura como um breu.
Toda a profundidade do mundo
ficou tão próxima...
Estrelas no céu
e o que me certa
a noite apagou.
A luz se dissolveu
no escuro da noite.
Mariposas andam
seguindo odores,
morcegos seguindo,
e os gatos com seus
olhos fosforescentes.
Noite, noite, noite.
Em ti tantos encantos.
Luz bruxuleante de lamparina,
amarelo querosene.
Noite e mitos
mais nada.

Palmeiras


Copas pequenas crescem aos céus
feito estrelas verdes ou varas
de condão, caule retinho,
cresce sozinho lá para o céu.

Plantas simpáticas,
de flores amarelas,
são todas belas,

Palmeiras ou coqueiros
assim são chamadas
com folhas usadas
no artesanato
e em tantas coisas...

Palmeiras enfeitam as paisagens,
crescem tão belas.

Coqueiros, pupunhas,
catolés...
São todas tão belas
e brasileiras...

Flor amarela


Anemopaegma de flor amarela,
perfumada e muito bela.

Essa planta crescia
bem ali no meu quintal,

as flores amarelas,
as folhas verde escuro,

Quem diria,
que seria uma Anemopegma,
aquelas flores amarelas,

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O tempo apaga

Silencioso o tempo desbota tudo que existe. Tudo oxida, tudo passa, tudo se acaba. Toda a matéria viva.
Algumas coisas reagem ao tempo, veja a lua, veja o céu e veja o horizonte. Estes parecem ser eternos como o tempo.
Nós somos ínfimos interpretes destes universais.
Hoje somos jovens, amanhã adultos e depois idosos e depois dormiremos e assim a natureza segue ocultando tudo.
Quando volto a casa onde morei que já não é a mesma de muito tempo atrás. Sinto a falta de minhas energias e os meus sonhos, muitas coisas ganharam sentido e realidade e outras perderam sentido e ingenuidade... Nada do que me fazia feliz faz mais, brinquedos e doces... Hoje são marcas do passado.
As flores ganharam nomes e perderam seus mistérios.
O tempo nos leva para o universo de onde viemos o nada. Há quem descreia disso, mas respeito
e respeito a mim mesmo.
Com a vida tudo se fez e ganhou sentido e quando a vida partir
o que restará?
Só o silêncio do tempo, só o céu e a lua e o horizonte.

Na infância guinés e galos cantando e aves e poeira e chuva... Tanta coisa era bela e simples.
Coisas que o tempo e a distância apagaram. Pessoas que dormem e que viraram simples personagem de uma história que a muitos nem chegou a existir.

Mas o tempo vai apagar a tudo que damos sentido só vai restar a vida, o céu, a lua e o horizonte.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Lentamente

Sábado, fim de tarde.
As ruas, os estacionamentos
tudo está tão vazio.
O sol brilha no céu,
seus raios aos poucos
tornam-se tênues
e a tarde vai partindo.
Lentamente,
bem lentamente...

Ecos do passado

Hoje apenas o vento ecoa onde pessoas falavam felizes ou tristes, as matas apagaram os terreiros, chiqueiros e currais, o tempo fez em ruínas as casas, casas de farinha e engenhos; onde havia baixas de cana a seca transformou em árido lugar. O vento que sopra do norte agita os ramos secos das árvores, a velha grande cajaraneira comprova que ali vivia gente. Homens gastando suas forças nas roças, no trato com o mato, em suas roças de milho, feijão, gerimum, melancia, e mandioca. Sob a cajaraneira dormiam cães, galinhas e porcos, quando não se fazia um chiqueiro. Aquelas cajaraneiras fartas de frutos amarelos, acridoces. Nos arredores daquele lugar havia uma faxina que protegia as galinhas das galinhas das raposas e gaviões. Havia ali no baixo cana-caiana e um engenho de onde saiam doces rapaduras, mel e alfinim. Havia casas grandes de farinha de tijolos enormes, coxos e prensas de madeira de onde se extraia a goma e a farinha...
Hoje o que resta? Apenas ruínas e poucas memórias aos poucos as memórias se apagam ou adormecem  na grande passagem da vida.
Já não existem chamas de lamparinas, nem lenha, nem noite de breu...
Hoje a natureza apagou tudo.
Mas ainda carrego na memória a época em que as noites escuras eram iluminadas pela lua e pela lamparina. Época em que as flores mais belas eram as dos jardins.
Carrego na lembrança a alegria do cair das primeiras chuvas, plantar a roça no barro umido, ver a babugem crescendo, córregos escoando a água que sobrava do solo, as sabiás cantando do alto das aroeiras, a planta da mandioca.
Hoje árido torrão de terra que arde o calor do dia... As chuvas e o inverno voltarão, sempre se foram e voltaram como fazia a fauna... Amanhã quando voltarem chuvas será tudo diferente, não haverá mais força física, nem disposição para trabalhar, nem precisão. Nos mudamos, nos perdemos no mundo em busca de outras memórias...
Amanhã não restará nem memórias, ninguém sabe contar as histórias, todos se alienam frente a televisões, desvalorizam os pequenos valores...
Os tempos são outros, a geração é outra...
Que bom que restam estas miseras memórias que logo se apagarão no tempo.
Sem eco, sem tempo, sem nada, nem um romance será, nada mais.  

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Ruínas do tempo

Naquela casa  antiga não havia luz elétrica. As noites eram escuras. Apenas uma lamparina se acendia na sala, a cozinha, os quartos e o banheiro ficavam no escuro. Os sapos a noite saiam de seus buracos e vinham para o esgoto do banheiro ou para o banheiro para se refrescar e respirar melhor com suas peles rugosas.
Um lamparina velha com um pavio de algodão e querosene a queimar uma chama amarela e a soltar uma fumaça escura que se acabava no escuro da sala.
Os homens a contar causo e os meninos a correr ou se entretiam ouvindo as histórias.
Naquela casa antiga, metade taipa e metade alvenaria, com caibros de marmeleiros velhos e linhas de aroeira e telhas sem capricho no fazer abrigou meu avó José e minha avó Sinhá.

Quantos segredos não lhes foram confessados? Quantas coisas ali não foram vividas que o tempo ocultou e consumiu as pessoas e as coisas.

Hoje aquela casa é uma ruína. Aquela casa sempre foi rústica do começo ao fim...
Nela todos se sentiam aconchegados, homens e bichos...

Parece tão antiga, mas é tão jovens se comparado as rochas, e as terras que ali existem desde muito tempo...

O tempo consumiu tudo que parecia tão longo, mas foi curto...

Tempo...

Vô José não sabia que aroeira era Miracrodum urundeuva e isso é tecnologia?

A casa se foi, meu avó se foi...

E a casa e as lembranças e as saudades... tudo isso está em minhas memórias
e tudo isso foi já não é... e o mundo continua.

Meni

A lua é tão bela quando cheia
que revela os mistérios da noite.

Lua cheia que inunda
os vales com luz
espelhada do sol...

Lua singela,
noite bela,

Cantos de aves,
Cantos de grilos,
soa o vento,
canta a chuva...

Noite de lua
sem rua,

sem chuva.

O gado rumina,
sob a noite enluarada,
o cheiro frio das coisas.

Madrugada e dia,

Foi-se a lua,

É dia.

A realidade

O mundo é tão vasto, tão diverso e nos somos tão pequenos diante desta imensidão.
São tantos os mundos num só mundo. Cada vez que vivemos e viajamos
descobrimos um pouquinho mais de sua imensidão...
Coisas sutis como o cair da tarde se tornam pequenos, mas como somos
únicos e peculiares temos o nosso mundo e no nosso mundinho
coisas pequenas como o cair da tarde são tão amplos
e muitas vezes nem percebemos a beleza da vida que está em todos os lugares
até os mais ermos até lá há a realidade.
Realidade das montanhas, da neblina, da chuva, das matas, dos musgos,
das rochas nuas, do vento a agitar as folhas e flores...
Realidade das águas correntes,
Realidades da riqueza e da pobreza...
Coisas que só o mundo,
coisas que só a vida podem realizar.

Coisas que nem percebemos, mas que exitem
como as manhãs de inverno ou de verão
ou tardes de inverno ou de chuva...

As aves que aparecem depois vão para longe e desaparecem,
as lagartas e as borboletas...

Os peixes nadando...

As ondas da praia...

Conheço gente que nunca saiu de onde nasceu...

Quem conhece maior realidade
essa realidade que é o mundo...
Que é a vida...

As vezes a poesia nos fazem sentir isto,
as vezes a música.

E tudo se passa diante de nossos olhos,
sem que percebamos...

A vida passa, nos passamos...

Mas a realidade permanece,

mais nada.