quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Tudo e nada

A mata do Campos,
A estrada por terra,
A areia solta coberta de folhas enxombradas,
O aroma dos fungos,
O céu nublado,
As mudas de plantas,
O canto do Sabiá,
Sabe-se lá...
A tarde fagueira,
E o tempo a escorrer
Em direção ao infinito.

Consciência

A manhã nublada,
Meu ser nublado,
O frio vivo,
A saudade viva,
Saudades dos amigos,
Dos lugares do que fui,
A distância e o tempo hoje me separa
E me une ao que fui e ao que sou...
A oportunidade de me deparar
Com o novo e renovar,
Ser, ser...
Enquanto cai a chuva,
Enquanto as aves cantam.
A manhã de quinta-feira se passa
E levo em minha mente um turbilhão de pensamentos,
Oras próximos, oras distante...
Esse fluxo contínuo que me constitui,
Me faz e desfaz.
Oras é, oras não...
Consciência da vida.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Pobres palavras

Conhecer do desconhecido,
Viver o não vivido,
Viajar,
Sonhar,
Está aqui ou acolá,
Desvendar o mundo,
Ler um livro,
Ouvir uma música,
Ver o mundo,
Ser do mundo,
Se fazer do mundo,
Porque tudo passará
E um dia,
Estará preso ao corpo,
E um dia nem corpo mais habitará,
Será o nada,
E essas pobres palavras...

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Presente e passado

A lua cheia,
As nuvens frouxas,
O vento,
A noite,
As árvores balançando,
A janela aberta,
A luz florescente,
Os pisca-piscas,
Os himatantus,
As pessoas estudando ou descansando,
Tudo isso em plena terça-feira,
No dia dezessete de dezembro,
Do ano de 2013,
Que logo será só um fato,
E nunca mais voltará no tempo.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Não, não, não...

Não,
Não,
Que me perdoe o sabiá que canta,
Mas não consigo ouvir,
Que me perdoe o sol que brilha e aos poucos
O poente o apaga, seus raios crisos,
Seus raios crisos,
Que me perdoe o meu corpo,
Que me perdoe as minhas pernas,
Que me perdoe o meu ser,
Porque a minha alma está em trapo
E não sei como me reconstruir,
Esse momento que toma conta de mim...
Onde está a minha calma, 
Onde está o meu domínio,
Neste instante um vazio,
Neste instante sou pequeno e incapaz,
Quem sabe após a noite,
Pois após a noite vem a energia,
Há de haver mais alegria,
Porque neste instante,
Nego minha existência,
Preciso sarar,
Preciso rezar, orar,
Sabe-se lá,
Verbalizar...
Não, não, não....
Tudo isso vai passar.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Sábado que passa

Sábado, 14 de dezembro de 2013...
Que dia beirando a perfeição,
Sol a todo vapor,
Vento frouxo,
Muito calor,
O coqueiro do quintal tem suas folhas agitadas,
A patativa pousa no cacho de flores
Feliz a cantar, beija as flores,
E colhe feio de fibra para seu ninho confeccionar
E canta, e canta, e canta...
Eita pássaro pequeno que canta e encanta o sábado.
Vou à janela e vejo o mundo
Esse mundo tão profundo,
Vejo as nuvens, vejo as árvores e não vejo ninguém,
Se conhecesse minha vizinha talvez fosse feliz.
Vejo que o sábado passa por um triz,
Vou a porta e olho o quintal da casa ao lado
Onde uma pimenteira se pintou de vermelho,
Olho para o vento e nada vejo,
Sinto apenas seu afago...
E fico aqui só, sozinho...
Vendo o sábado passar.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Centenário

A cem anos atrás nasceria aquela que geraria minha  mãe. Severina Maria da Conceição, popularmente conhecida como Sinhá. Em 13 de dezembro de 1913 na cidade de Martins, Rio Grande do Norte. Filha de João Gato, Papai João. Cresceu nas cercanias da Lagoa num sítio que hoje foi fragmentado e grande parte dele urbanizado. O sítio ainda têm plantas daquela época, jaqueiras, cajueiros, cajazeiras... O solo é argiloso e escuro. Pouco conheço daquele ambiente, apesar de ter morado metade de minha vida lá. Em um dos escritos, de minha avó, que encontrei, havia registros de datas e sentimentos. Ela escreveu a data que nasceu, a data que sua mãe e seu pai faleceram, além de expressar suas saudades.
Minha avó teve uma vida de privações. Teve 16 filhos, mas apenas 10 chegaram a idade adulta.
Após a morte de meu avó, minha avó se desapegou de tudo e foi morar com as filhas. Morou um tempo conosco, foi quando tive a oportunidade conversar tardes inteiras. Aprendi muito com ela. Contou-me muito sobre a história dela.
Adoraria dar um abraço nela hoje.
Fica a saudades

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Tarde infinita

A tarde cai lentamente,
Posso ouvir do silêncio de minha sala
O canto do sabiá,
Uma patativa (cambacica) canta longe
Tão longe quanto a luz do sol
Que se vai,
Que se vai,
Como a vida se vai,
A tarde se vai,
A inocência se vai,
A juventude se vai,
E tudo passa
E a tarde continua
A existir para a eternidade finita de nossos olhos.

Viva a vida

O sol desponta no nascente
Leve, suave e a luz acende o mundo,
E a luz acende o dia,
E a luz revela o mundo belo...
E as aves cantam encantando o mundo,
E as flores desabrocham embelezando num ar profundo.
Cora Coralina que linda,
Drummond que doce...
Vida que mistério e graça.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O silêncio do calor

À noite escura e quente,
O calor parece por tudo em silêncio.
O incomodo que não permite dormir,
Do calor, do que penso, do que temo.
Temo ser mais forte,
E fugir daquilo que me poe medo...
Enfrentar o outro, alteridade...
Porque desconheço o outro,
Como oculto são os atos a sombra da noite...
Calor, silêncio...
Mais nada.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Memória...A noite e suas lembraças

A noite escura,
Cães a ladrar,
O vento sobre pela janela,
Estrelas piscam no céu,
Motos roncam ao longe.
Quero-quero canta longe,
Há um silêncio intermitente,
O guarda que passa assoviando,
O barulho do mar aqui não há...
Hoje o dia foi quente e intenso,
Amanhã, após a noite dormida
Quem sabe não será melhor,
A noite de amanhã e depois de amanhã...
Lembrei instantaneamente de Barão Geraldo,
De dia lembrei de Brasília,
Meu passado recente sempre me visita
Ainda mais a noite...
Já fui esquecido,
Não componho mais a paisagem
Como transeunte de Campinas,
De São Paulo ou Brasília,
Não estou mais tão só. Estou?
Saudades dos amigos, da Ana...
Tudo que me fez bem,
Como a noite,
Como agora,
Vou em boa hora.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Breve

Como é breve a vida,
Tão breve quanto a brisa que passa, à tarde,
Tão breve quanto a passagem da ave que voa só.
Não seria a vida um breve sonho?
Quanto tempo já vivemos?
Os anos passados foram tão curtos,

Com o passar dos anos vemos a brevidade da vida,
Devemos apreciar cada momento,
Pois, apredemos que passam rápido.

sábado, 7 de dezembro de 2013

O sábado

A manhã de sábado,
O sol pleno,
O vento vindo do mar,
As folhas de coqueiro a balançar,
A cama e os livros enfeitando o quarto,
A leitura e o sono,
O pensar,
A casa por arrumar,
Borges, Debussy, Lao Tsé, Gandhi,
Amadeus, Shiva e Ganesh,
Força para levantar e fazer tudo acontecer...
E o sábado segue,
Ardente e vivo
Até o sol se por no fim da tarde.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Como a brisa da manhã

A luz do sol acende a manhã,
O canto das aves desperta o mundo.
A brisa sopra suave,
Janela a dentro e espanta o calor.
Manhã de sexta-feira,
Manhã cheia de alegria...
A vida passa e nem vemos passar
É tanta coisa por fazer,
Rir e viver...
E logo passa o fim de semana.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Quinta-feira

A tarde quando cai,
Cai bem devagar,
E se arrasta até as 15 horas.
Aves silenciosas,
Sol ao pino,
Que canseira fagueira.
Tarde de quinta-feira.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A sombra do amanhã

A noite não há flores,
Não há o canto das aves.
Há o silêncio,
Sapos cantam no molhado,
Grilos cantam enamorados.
E esse sangue que circula em minhas artérias,
E retorna veias coração a dentro.
Célula a célula alimentada.
A massa cinzenta em minha cabeça grande dura,
Essa massa parada, eletrizada,
A decodificar o mundo, a noite...
Sou um ser vivo,
Sedes um ser vivo.
Que respira ao ler,
Que pensa ao ler,
E só ler porque pensa...
A noite as flores são pardas,
Perfumadas por vezes.
O relógio soa mais alto,
As gotas da torneira,
O silêncio que nos atormentam.
O coração a bater,
A pulsar...
Agora tudo está se passando,
O amanhã passará,
E o que acontecerá,
é um segredo que nem podemos esperar.

Juntos

E a tarde vai caindo devagar,
Enquanto, lá fora canta o sabiá.
E aqui ouço Debussy...
Quanta coisa increada para crear,
Quanta coisa por fazer.
As coisas serão feitas,
A quem as fizer sentido,
Agora o que faz sentido
É o doce canto do sabiá
E o som de Debussy.
E a tarde vai quente,
Bem que poderia levar meu resfriado.
E a tarde cai,
Como sempre caiu,
No mês de dezembro...
Se vovô fosse viva faria 100 anos,
Daqui em 11 dias,
Mas descansa em paz
Junto ao meu avó...
Quantas tardes ao som do sabiá
Não terão ouvido juntos?
Sabe lá.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Ana ou Davi

A bela rosa,
Minha querida rosa,
Agora não está mais sozinha,
Em teu ventre é gerado um novo ser,
Que alegria,
Que maravilhosa poesia,
Ana ou Davi,
Seja bem vindo ao mundo,
Será e já motivo de muita alegria,
É docemente motivo dessa alegre poesia,
Será mais uma flor do cerrado,
Teu nascimento por todos nós será celebrado,
Será tão especial quanto a doce rosa,
Sua vida será uma prosa,
Com certeza irá contemplar
Nossas conversas de idosos,
Sei que dará significado a sua vida,
Bem vindo a vida,
Ana ou Davi.

Cheios de emoção

Não há sentimento mais humano que a emoção.
Emociona-se com qualquer coisa:
Com a beleza e o perfume da flor.
Com o diálogo das crianças no parque, nas ruas, na escola,
Como são sérias as crianças quando conversam.
Com a voz cansada dos avós,
Com o caminhar lento dos idosos,
Com a proteção feminina,
Com o miado de gato novo
Ou o grunido do cão novo chorando por sua mãe.
Ou o piado desesperado de pintos desgarrados no  início da chuva,
Coisas tão simples
Que enche nosso coração de alegria ou de tristeza
Somos seres cheios de emoção.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Despertar

Eterna aurora,
Nunca mais ti vi,
Que sol ligueiro,
Antes que desperte,
Oh, Apolo já desponta no nascente,
E as aves cantam sua bondade,
Cantam sem parar,
Vivos e agitados cantam
de lá pra cá e de cá pra lá,
Suave manhã que passa,
Abraça-me e me desperta,
Ao afago da brisa
E ao canto das aves...
Ensina-me a ser útil a vida,
Logo mais não estarei aqui nessa lida,
Mesmo assim quero cantar
Como fazem as efêmeras aves.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A preguiça

A sombra da mata,
O vento fresco,
A estrada de terra,
O verde da mata,
A preguiça quase se arrastando.
Pequena, magra e cinza,
Mais parece uma criança.
Ia passando e ela na indecisão,
Cruzar ou não cruzar a estrada,
Ajudei-a...
Tão magrinha.
A sombra da mata.
Os ingas...

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Pisca-pisca quase natal

A noite esta quente e escura,
O céu estrelado,
E o vento sopra através da janela.
O tempo passa depressa,
Já estamos novamente no fim do ano,
Nas ruas pisca-piscas piscam
todos coloridos azuis, verdes e vermelhas
Piscam, piscam noite a dentro
Anunciando o Natal...
O silêncio da noite...
Todos distantes, meus pais, meus irmãos meus sobrinhos, meus amigos.
A minha mente vê a poeira das estradas
que povoavam minha infância
os galhos secos.
A embauba que de longe ganhava verde das folhas,
O açude que seca se preparando para a chuva,
A barra mais limpa a cada manhã,
Meus avós vivos envelhecendo,
Meus pais jovem e fortes
E nós crianças crendo em papai Noel,
Nunca ganhei presente de Natal,
Mesmo assim gostava de saber que papais Noeis existiam na televisão.
A noite está escura,
Minha mente também,
Só sob a luz de lembranças da vida.

domingo, 24 de novembro de 2013

A arca de Noé

Na minha infância à noite saíamos para a casa de algum vizinho. Geralmente íamos a casa de Chico Franco.
Caminhávamos no escuro silenciosos, olhando para a lua, pisando na poeira vermelha da estrada. A noite era um breu. As vezes encontrávamos alguns vizinhos indo fazer boca de noite na casa de outras pessoas e as vezes  nos reuníamos numa só casa. Naquele tempo não tinha televisão a conversa era a unica distração, quebra do tédio. Na casa de seu Chico tinha um quadro que adorava olhar. Era uma representação da Arca de Noé. Uma arca em forma de navio com uma estrada que levava todos os animais para o seu interior da arca. Aquela pintora era a unica forma de ver animais africanos elefantes, leões, zebras... Todos eles emparelhados me seduziam e me tomavam a atenção. Enquanto isso os adultos conversavam, vez por outra saia um café. E a conversa ia até tarde as 21 horas. Depois voltávamos para casa e levava na imaginação como tantos animais se acomodavam em uma arca.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Um dia

Que se passava na cabeça de Borges,
Uma cabeça cheia de ideias, de memórias,
De livros lidos e apreendidos.
Uma cabeça em que os sonhos
Se confundem com a realidade.
Amo tanto os livros,
Amo as ideias,
Ideias engendradas
nos giros e circunvoluções cerebrais...
Dos mais sábios dos homens.
Quanto sabemos?
Sabe-se lá...
Ainda muito pouco, mas é assim...
Um dia saberemos quem sabe.

domingo, 17 de novembro de 2013

Noite

A noite enluarada e silenciosa,
Becos vazios, perfumados por quisqualis,
Sobre os muros Himatanthus florescem
Flores brancas,
Fauces amarelas.
Que bela noite...
Que silenciosa noite,
Vazia noite de domingo.

A flor

A flor que nasce no campo,
Nasce no campo,
A flor perfumada,
Flor desejada,
Flor ornamentada,
Flor colorida,
Flor querida,
A flor que nasce no campo,
É uma flor estimada...

sábado, 16 de novembro de 2013

Profundidade

Uma canção perdida no ar,
O vento que a tudo afaga,
As flores que doam sua beleza.
O mar com seu horizonte ilimitado,
O céu com o sol ou suas estrelas,
A noite com sua profundidade,
O homem com sua visão limitada,
O desejo consumido,
Coração partido,
A partida...
O querer objetivado,
Algo de tudo isto nos compõe,
Algo de tudo isto nos faz ser quem somos.
Mais nada.

Acontecer

As flores desabrocham dos botões,
Flores vermelhas, flores brancas, flores amarelas.
O sol no céu azul.
Schumann tocando no sábado.
A solidão,
Alvo sótão,
O vento soprando,
Peito perdido,
Emoção,
Lágrimas...
Luz.
Flores e a solidão.

Como bolas de sabão "existência"

Quem eu sou e como me definir?
Não sei quem eu sou e nem como me definir.
Viver não me diz quem eu sou nem me define.
Ser para mim é viver, não preciso de uma definição.
Mas para o outro aquele que me desconhece,
Aquele que é. O vejo e o defino.
Nem um espelho nos define.
Nos definir seria nos conceituar,
Nos categorizar...
Não sei quem eu sou,
E todos os dias me descubro, forte ou fraco, bom ou mal, amigo ou inimigo.
Como saber, para o meu eu atribuo sempre o melhor,
O que não condiz com a alteridade.
Sou um pouquinho de cada um daqueles que me cerca,
Sou um pouquinho daquilo que aprendi a perceber...
Ser... Este fluxo que se esvai, essa ampulheta que conta os meus dias,
Meu construir existencialista...
As vezes me definem Borges, Pessoa e Drummond, e Adelha...
As vezes eles me indicam um caminho,
Quando os leio me vejo ali em suas palavras.

As vezes me encontro em meus pais,
As vezes numa máxima avulsa.

E tenho medo de existir e de desexistir.
Sei que amanhã não serei nada,
Nem este corpo que respira que age,
Que sigo para ser prisioneiro do meu corpo,
Caso não desexista primeiro.

Um gole de água, o sabor de uma fruta, o perfume de uma flor.
A paixão pelo perfume de uma pessoa que me prende,
Sabe lá por que? Química louca da vida,
Sem explicação...
Eu me defino na maior parte das vezes para o outro
E não para mim...
Uma definição seria a alma, a história de vida, saber agir...
Quem sabe,
Palavras avulsas como bolas de sabão.

O congresso

O encontro
Ainda é noite ou madrugada ou dia quando partimos,
Malas cheias, coração a mil.
Quantas expectativas!
E partimos de muito perto ou de muito distante.
Aos poucos vão surgindo rostos amigos,
Risos, abraços e beijos...
O grande encontro.
Encontro que já imaginávamos no passado,
Encontro do amigo querido, quase irmãos...
De quarto, de copo, de dificuldades, de estudo, de afinidade.
Aqui, faz-se amigos, renova-se a amizade, mata-se a saudade...
E aumenta a saudade daquele que ficou,
É festa, gente de todo o Brasil,
Gente que nunca se viu, mas que agora,
É parte de nossa existência,
Conversas, trocas de experiências,
E é cansativo, mas é gostoso,
Mas o tempo voa,
E já temos que partir, mesmo sem mochila.
E partimos de volta,
Cada um a sua maneira...
Ano que vem quem sabe, estaremos juntos novamente neste grande encontro.

Um maravilhoso congresso.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Povo mineiro

Belo Horizonte,

Que grande cidade,
lá encontrei a praça da Liberdade,
Um lindo jardim,
Cheio de cores das flores.

Prédios da década de vinte,
Estátuas de bronze de Bernardo Guimarães,
Arachis repens e Arachis pintoi...

Os meus passos calmos, meu olhar atento,
As formas e as cores...
O que eu vejo e o que senti na praça...

A arte mineira depositada nos museus,
Quanta coisa maravilhosa.

O povo mineiro valoriza a arte e a praça,
Sou mineiro de coração,

Sou brasileiro, senti um orgulho desse povo
bonito e culto, meus irmãos mineiros.

Sentir Minas

Minas Gerais,
Belo Horizonte,
As ladeiras,
Os bares,
As árvores,
O sotaque!
Quantas riquezas há em Minas?

O mercado central,
Gente bonita e hospitaleira,

Museus, a Pampulha...

Minas Gerais,

Drummond, Adelha prado de Divinópolis,

Milton Nascimento,

Pelé... Badine...

O paulista mais mineiro João Aranha,

As montanhas, a cachaça...

A arte sacra...

Que sei eu para falar de Minas,

Nada só vindo aqui

Para sentir.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Incognita

No deserto choveu,
Uma semente dormente geminou,
E choveu novamente,
E a semente numa planta,
Se transformou,
Se cresceu quem sabe?
O deserto é tão adverso.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Sensações cotidianas

O dia ensolarado,
Nuvens que passam carregadas e escuras.
O vento frouxo na rama das árvores e bambus.
Flores desprendendo de seus cachos,
Colorindo por um breve espaço
O vazio do mundo.
Tanta coisa me impressiona.
A vida é tão maravilhosa...
Que dizer da vida?
Vivemos fazes.
Cada uma destas fases devem ser vividas com intensidade.
O tempo é irreversível.
Devemos aprender com os dias que passam,
Com os dias presentes e tentarmos ser feliz
E valorizar tais instantes.
Há momentos que penso, poxa a vida poderia se cristalizar aqui,
Mas tudo passa...
Cuidado com as vaidades,
Cuidado com as vaidades.
Um dia ensolarado,
A saúde perfeita,
Flores florindo,
Que pode ser melhor?

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Envelhecer

É doce ver o mundo e ter uma opinião sobre este.
O tempo nos dá este sabor, mas tira-nos os dias que nos resta.
Cada manhã vivida é uma manhã perdida.
Cada tarde que se passa não volta mais.
O tempo é irreversível.
A infância passa,
A adolescência passa,
Nos tornamos idosos e nem percebemos
Que consumimos nosso tempo iludidos com nossos sonhos,
Muitas vezes nos esquecemos de viver.
Viver é conhecer,
Viver é consumir cada inspiração e expiração.
Coragem! O medo nos consome, mas temos que ir
De encontro com este e façamos os dias melhores,
Vivamos com intensidade,
Tudo é incerto,
Inclusive o amanhã.

Em algum lugar

Nascestes ali, naquela casa de tijolo cru caiada de branco, onde tudo era rústico por natureza. A frente dá para a estrada de poucos transeuntes e a cozinha da para um vale que depois de cruzado dá numa linda montanha. Seu horizonte tem um limite, mas quem precisa de um amplo horizonte se ali se concentra toda a beleza do mundo nas formas das rochas, na neblina frouxa das nuvens. A casinha simples rodeada de terreiros de terra branca. Uma pequena planta cresce no rodapé da casa botando cada flor linda e colorida.
Ai há silêncio, tudo é silêncio exceto quando a barra é quebrada, quando aurora surge e anuncia a chegada do sol. Um jatobá faz sombra sob o céu e o sol azul. A água se derrama montanha abaixo.
Tudo é silêncio. O tom azulado das rochas na montanha. Ode casa! E lá vem uma pessoa adorável e doce e nos atende com a paciência de um tibetano. Oferece-nos um café. A brisa fresca nos dar uma sensação de paz. A voz abreviada e tímida moldada pela montanha e pelo silêncio. Gente ali fica feliz quando ver gente.
A vida ali é calma e longa...

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Doce Anonna

O branco doce da Anonna squamosa (pinha).
Desmancha na boca.
Na pinheira, quando há pinha madura,
É sempre festa, cantam sabiás, sanhaçus e patativas.
Voam lerdas as arapuás.
E de longe, sempre malandro, buscava sempre
uma festa da passarinhada,
Ali, encontrava sempre a doçura gerada da terra.
Pinheira nova e viçosa, com ramos crescendo
Fugindo da sombra dos cajueiros,
E lá estava ela uma, duas enormes pinhas,
Doces pinhas, que frutos doces,
Sementes negras,
A casca enrugada.
Vai o doce e ficam as cascas,
e lá se vai em busca de outra passarinhada.

Vinte

Pela manhã, saia do meu apartamento de número 20,
ouvindo a bandnews e caminhava para a Embrapa
Até a sala de número 20.
Chegava, abria a porta de número 20,
Entrava e abria o computador,
Ligava na tomada 220 volts.
E punha uma música, de Mozart.
Então, ela vinha de um lugar que não era de número 20.
Mas entrava pela porta de número 20,
Ela que não tinha 20 anos ainda.
Abria um sorriso maior que a lua cheia quando nasce.
Nos abraçávamos, seu cabelo dela cheirava a mel.
Sua voz suave. Comentava o que acontecera fora da sala 20.
Ouvia e ela perguntava o que ouvia. 
_ Mozart respondia. -É óbvio.
Ela pedia para colocar Chopin.
Como poderia negar aquele olhar e aquele riso.
Então ao som de Chopin sorria  a sala 20.
E assim, Senhorita Stêfani,
Vicie-me em Chopin,
Na sala de número 20,
No meu apartamento de número vinte...
Soa suave agora no 303...
Em algum lugar do mundo.

Novos hábitos

O calor da manhã,
À proximidade com a mata onde crescem
Ingas, Protium, Erioteca e muitas outras árvores.
O ronco do ar,
O canto das aves, sanhaçus, patativas e sabiás.
Aos poucos desperto para o dia,
Aos poucos desperto para o trabalho,
As notícias dos jornais,
As colunas,
A cigarra canta.
E assim percebo as manhãs de minha nova lida
Tomar sua forma.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Noite de chuva

A noite escura após a chuva.
A água escoa caindo sempre para baixo.
Enlameada, se mistura com o pó que oras é seco
Oras é lama...
O mundo cheira após a chuva.
No escuro silencioso da noite,
Após uma longa estiagem
Suprimida pela chuva,
Ovos de insetos desencadeiam seus desenvolvimento.
As árvores sedentas matam sua sede
E silenciosamente se transforma para o novo dia.
As aves após o banho acordam se preparam para um novo dia
Acordarem cantando...
E ao quebrar da barra
A luz dar cores as formas
E as velhas cores ganham um novo tom.
O chão molhado, fresco, unido nos enche de alegria.
Sementes germinarão nos campos e em nossos peitos.
A vida com toda força
Volta a pulsar após uma noite de chuva. 

A velha


A manhã desperta da noite.
A barra quebrada, vermelha em brasa, aurora partiu.
O sol cresce levemente atrás das árvores.
A luz atravessa a janela e toda o cheiro suave
Da roupa guardada, a roupa de cama embrulhada.
Na cozinha a lenha estala e se queima quase molhada.
O cheiro do café. A goma perdendo a umidade no caco.
Café pronto. Levanta levemente a velha senhora,
Caminha devagar e vai ao oratório.
Reza uma oração e segue para a cozinha.
O conforto que só o tempo dá a paciência.
A idade domou o corpo vicejante que hoje
Arde em dor, rugas, dores e a longa espera pela morte.
A manhã talvez virá...
A morte chega antes às vezes.
Hoje, já não estamos mais só.
Temos rádio, televisão e um aposento que não nos deixa passar fome.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Textura da noite

O silêncio da noite.
O silêncio das luzes
Que alumiam ou sinalizam
Rotas, olhares...
Noite vazia, às vezes fria
As vezes quente e triste.
Chiam as folhas dos coqueiros,
Flores de Avenrroa no chão,
Um fruto ou outro no chão frio e escuro da noite.
Areia fina como o escuro da noite.
E inebriado de sono
Durmo tocando a textura macia e escura da noite.

sábado, 26 de outubro de 2013

Lúcia

A casa amarela,
A lojinha,
A sobra fresca da área,
A roseira, as flores e os anões artesanais,
Um cavalinho de barro...
Rubinho cachorro, quando você chegou?
Olha Jacinto quem está aqui.
Ah! Cabra besta, Willianinha venha falar com Rubinho.
Um abraço forte, bem apertado...
Beijos e afagos amigos.
A risada...
E como anda o coração?
Deixa de ser safado...
Água... Sente ai.
Gente sobe e desce.
Os dias de trabalhos juntos.
Curta manhã para tanto assunto,
Do mundo, de Serrinha...
Olho o jardim com um contentamento
De quem sente afagado pelo estética viva,
O crescer paciente das flores.
Balanço-me e conto como estou
E quero saber como está.
Volte mais, não vá embora sem vir aqui CACHORRO.

Bom, não viverei mais estas senas,
Minha doce amiga partiu,
Concluiu sua caminhada,
De certo agora descansa num campo
Flores, num campo de rosa
Sob árvores de Tílias,
Ouvindo hinos de amor,
Contemplando o senhor.
Deixa saudades,
Está viva em nossa memória
Até que nós sejamos só memória.
Adeus linda flor, doce amiga.
Lúcia.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Refletidas

Quantas são as fazes da vida?
Tudo poderia ter sido tão suave.
Por que me cobrei tanto?
Não imaginava que a vida passava tão depressa.
Agora que sei quanto tempo me resta,
Deixei de fazer tantas coisas,
Nem se fui feliz pelas minhas escolhas,
Felizes ou não a vida passa!
O tempo passa,
Tudo passa,
E não podemos esperar parados,
Temos que fazer as coisas acontecerem.
De vez em quando ouvir Mozart,
Ler Borges ou Drummond ou Neruda,
Apreciar Gogh,
Apreciar o mar ou o céu ou a lua,
Ou apreciar o que se ver.
Nosso universo as vezes é tão melhor do que o universo
do outro e nem percebemos,
Não conseguimos perceber a intersubjetividade...
Mas a vida continua,
A vida é imortal,
Enquanto vida existir,
As coisas belas serão refletidas...

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Meu castelo

O lugar onde moro, está mais para castelo.
Quando vou a sacada e olho para o céu é tão belo.
No céu de minha noite,
A lua vai minguando,
As estrelas estão brilhando,
Nuvens passam sombreando a lua,
Hoje, que trabalhei tanto estou tão cansado,
Mas recebo o afago do vendo,
Um abraço da noite
E a cama me chama.
Minha casa é meu castelo,
Nunca me senti tão bem,
No meu pequeno castelo,

terça-feira, 22 de outubro de 2013

domingo, 20 de outubro de 2013

Feliz manhã

O coqueiro cresce fagueiro,
No quintal da vizinha,
Cresce também uma caramboleira.
No chão crescem gramas.
No alto do coqueiro
Pousam sanhaçus
Com chamado curto...
Na manhã ensolarada,
Plantas coberta de flores
Flores brancas, lindos Himatanthus,
Embelezam tantos jardins
Do meu bairro,
E canta, canta a cambacica,
E a manhã se vai...
E o coqueiro faqueiro
Dança acompanhando a brisa.

Agrados da vida

Uma manhã de sol,
Após a chuva.
A brisa soprando.
O cheiro das flores,
Música clássica na vizinhança,
Uma poesia de Borges, Neruda, Drummond ou Bandeira.
A música de Almir Sater ou Cartola.
Uma cédula de alto valor perdida no bolso de uma roupa guardada.
Um telefonema marcando um encontro,
Um riso de criança,
Um afago,
A paixão de alguém pela vida e seu prazer em executar.
Acordar cedo ou dormir até mais tarde.
Um bom almoço,
Uma boa companhia
E uma boa conversa.
Coisas que são possíveis apenas
Em vida.

A lua, a manhã e cantatas

A lua cheia encheu a noite
Duma luz clara e suave.
A lua reinou na noite
E junto com a brisa
A noite silenciou.
O sol nasceu,
Os pássaros cantam felizes
Coletando néctar e frutos.
E a manhã vai passando.
Ao som das cantatas de Bach.

sábado, 19 de outubro de 2013

Quantos?

Quantos seres habitam em mim?
Quantos são aqueles que fazem de mim quem sou?
O que vejo,
O que sinto,
O que ouço,
O que penso,
Sentimentos de alegria,
Sentimentos de tristeza,
Quem me descreve uma poesia?
Faço às vezes alguma proeza?
Quantos seres habitaram Pessoa?
E Gogh,
E Nietzsche,
Aquilo que nos separa a vida,
Aquilo que nos une o amor
A existência!
Existir é sofrer sempre,
Amar é sofrer,
É ter coragem de se doar
Mais que receber...
E há algum dentro de mim
Que quer amar?
Aquilo que me constitui
é aquilo que permito
ou que insiste e expressar em mim.
Porque sou apenas um ser
Que aguarda sem pressa pelo fim.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Sexta-feira

Na minha nova rotina para quem não sabe, adoro uma rotina. Acordo muito cedo. Antes das seis horas já estou quase de banho e chá tomado. É lógico que estou dormindo supercedo.
Acordo, abro a janela e contemplo o sol e comtemplo a mata e contemplo a vida.
Quando acordo, em meu apartamento despertam juntos o rádio e o fogão.
O rádio fala e o fogão aquece. Confortam-me a solidão.
E o sol me abraça e o dia se passa.
E tudo vai passando.
Agora é menos de onze e eu já estou vovozando.
É a vida.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Tudo passa!

O tempo passa!
O tempo urge!
Fotos, objetos e memórias
E o tempo nos liga
Nos une e não deixa
Nos esquecer que o tempo passa.
O ontem nos é tão próximo!
A quem viveu muito,
O amanhã chega tão depressa,
Tudo passa,
Tudo passa!

Para o fim

A noite caiu suave,
Nem a vi chegar,
E ela nem veio depressa!
Veio devagar,
Quando percebi,
Era noite,
Quando percebi,
A lua crescente brilhava no céu.
O vendo derrubava
Os estames das flores de jambo.
E a noite corria para o fim...

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O vago da noite

A noite caiu tão depressa
Que nem vi o sol partir.
A noite caiu e quem viu?
O sol de hoje se foi,
Um dia a menos,
Tanto esforço
E tanto cansaço!
Tudo foi levado pelo fim da tarde!
Amanhã é outro dia,
Outra luta, outras coisas acontecerão.
Engraçado, sempre cremos na felicidade
Presente no passado.
Cadê a tarde e o sol rubro?
Sei lá, ainda hei de ver!
A solidão e os livros e as aulas
Me acompanham!
Sinto falta de minhas doces leituras!
Sinto falta das tardes!
Tudo se foi com a tarde e o tempo...
Será isso mesmo que eu quero?
Goethe dizia que um homem sem tempo
é um homem sem métodos.
Acho que não tenho métodos...
E ansiedade horas tomam conta de mim,
Horas a esqueço!
Ainda bem que posso ouvir Pessoa, Neruda e Borges!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Caminhar

Cada dia em nossa vida,
é único, cada um deles 
um teste, uma provação,
Por isso esqueço dos dias,
leio poesia, leio a natureza,
ouço o que fala a brisa,
paquero a lua mesmo da rua,
E a vida me revela dura
e a vida me revela doce,
E continuo a viver
A buscar, mas docura para a vida,
quem sabe não encontre,
alguma doce companhia.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Sonho

A vida uma poesia,
Ao sonho a paciência
De poder aguardar e realizar,
Ou esquecer!
Tudo é ilusão depois de vivido,
E desejo e paraíso pelo não merecido.
A brisa da noite canta
E me faz dormir
E me faz sonhar,
E me faz ser quem sou,
Pois tudo é emprestado
E passagueiro.

domingo, 6 de outubro de 2013

Nocturne

Nocturne!
Após a noite
A luz do dia me acaricia
E me acorda,
A brisa da manhã me afaga!
Cantam as cambacicas
Os sanhaçus,
Cheiam as folhas do coqueiro,
O mundo é tão vasto de minha janela.
E meu ser se torna vasto para o dia,
Refletir Tao the Ching,
E viver mais um dia

Nocturne

Nocturne!
Após a noite
A luz do dia me acaricia
E me acorda,
A brisa da manhã me afaga!
Cantam as cambacicas
Os sanhaçus,
Cheiam as folhas do coqueiro,
O mundo é tão vasto de minha janela.
E meu ser se torna vasto para o dia,
Refletir Tao the Ching,
E viver mais um dia

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Apelo

Borges, Nietzsche e Pessoa venham me tirar da solidão,
Dai-me com suas lindas palavras um pouco de ilusão.
O amanhã é incerto e pra mim já chegou,
Vejo as coisas sem graça nem alegria,
Ah, Neruda e Drummond me enbriem com suas poesias.
Amanhã será outro dia.
O amanhã não nos pertence,
Nada nos pertence, os lugares, as coisas, as pessoas...
São todos passageiros e seguimos o mesmo fluxo
Em direção ao nada.
Por que e para que querer tanto...
Buda já dizia e Schopenhauer reverberava
Que apego é sofrimento.
E como viver neste mundo incerto,
Cheio de homem esperto?
Sabe lá. Sabe lá.

Andar perdido

Quando anda perdido,
Caminha sem saber para onde,
Vai e volta.
Quem anda perdido,
Certamente está buscando se encontrar.
E aprende a ir e vir,
Aprende a se virar,
Aprende a ser.
Não se sabe quando se anda perdido,
As vezes quando estamos perdidos,
Estamos mais apto para viver,
Mas viver a solidão,
É está eternamente perdido.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Efêmera

O sol que anima a vida
Também queima e arde
A pele e a alma,
Pode tirar a calma!
Vida passagueira,
Como um pessegueiro
Cuja frutificação
É tão efêmera.
Tantas coisas assim o são.

Cada momento

A noite escura
De céu estrelado,
Grilos cantando,
Cachorros dormindo,
Música clássica,
Um chá de gengibre
E a cama e o sono
Que mais pode querer
Um homem simples.
Viver cada momento.

domingo, 29 de setembro de 2013

Novo lar

Estranha a noite!
Não me adaptei ao novo lar,
Minha morada é tão boa.
Abro a porta da sacada
Sobra fresca a brisa,
Ouço grilos cantarem,
Quando deito na cama,
Vejo as estrelas brilharem
E as nuvens passarem,
Quando ainda é madrugada
O sol já nasceu!
E aos poucos me acostumo,
Aos poucos volto a calma
E a paz num novo lar.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Tudo Passa

Às vezes perco a paciência,
Quando aguardo e não acontece.
Aguardo o dia todo e nada,
Mas é preciso esperança,
É preciso paciência
Porque tudo passa...
Tudo passa!

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Correr da lua

Noite de lua minguante,
Na rua nem um passante,
A lua no horizonte,
Oras se esconde,
Oras aparece,
Parece que acende...
Lua que tudo viu,
Lua que tudo viu,
De maio a abril,
É noite de setembro,
Primavera toda bela.
Noite se vai,
Tempo se vai,
Vida se vai.

sábado, 21 de setembro de 2013

Litoral

Oras chove,
Ora o sol abre.
A brisa que vem do mar
Assovia no telhado,
E chove e para de chover,
E venta, venta...
Que friozinho bom.
Que tempo agradável,
Um papa-capim canta
E canta...
E a manhã vai passando.


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Saudades...

Só se tem saudades quando se tem memórias.
Quanto vemos fotos antigas revivemos,
Ficamos saudosos.
O tempo passa e nem percebemos.
Não percebemos as árvores do bosque crescer,
As rugas e os cabelos brancos surgirem.
Tudo passa tão depressa e parece se arrastar.
Aprendemos vivendo...
Vamos transformando o mundo.
Saudades... saudades... saudades...

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Adaptar

Sol, calor e suor.
O verde das árvores,
As cores das flores,
A brisa do mar,
A gente andando na praça,
Caixas de som...
Aos poucos me acostumo a tudo isso.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Noite

Noite que refrigera minha alma,
Maravilhosa que me traz a calma.
Noite que vem e que vai.
Enluarada ou estrelada.
 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Adeus Brasilia

É hora da partida,
Hoje aqui amanhã
Outra vida,
Adeus flores do cerrado,
Planura do planalto,
Lago Paranoá,
Céu intenso de Brasília,
Tardes maravilhosas,
Parque Olhos D'água,
Leila, Dani, Ismael, Djalma, Stefani, Rosas,
Estufa de Arachis,
Amigos do Herbário CEN...
Adeus Brasília...
Distrito Federal.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Inquietude da alma

Profunda noite, silenciosa,
Escura e suave.
Que há no mundo fora de mim?
Há matéria, energia e vida.
Há tanta coisa por conhecer,
Há tanta coisa que preciso designorar.
Noite profunda que diz o teu silêncio ensurdecedor?
Que expressa o meu ser além de minha consciência?
É tarde e imerso na noite profunda,
Perdi o meu sono
E busco nas palavras
A expressão da inquietude de minha alma.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Sentido

O silêncio do sol nesta manhã de agosto,
A amplidão do Cerrado onde imegem
O raios do sol no inverno
O canto distante das aves.
Nada parece acontecer.
O som de uma ambulância,
A fala do vizinho
São coisas sem sentido,
Mas que constroem o sentido
aqui e agora.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Força

Há tantas coisas que nos faz cansar e desanimar.
A correria do dia-dia, a terrível batalha de aperfeiçoar e ser o melhor.
O tempo que não ajuda, pessoas estressadas.
Mas tudo passa, o tempo passa.
Sólida poesia brota dos momentos incógnitos da vida.
Algo nos faz feliz ao menos por breve instantes na vida.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Passageira glória

Suave a noite caiu.
Rubra e azul sob a tarde
O sol se foi.
São tantas coisas lindas
Que não percebemos,
Tentando se sobressair,
Que adianta a glória
Se desconhece a aurora e o segundo crepúsculo.
Nada.

Aguardando a primavera

O sol deita sua luz sobre os vales e montanhas e planícies.
As aves cantam intermitentes, parecem agradecer pela vida.
Pássaros de diversas qualidades com os mais variados cantos.
Encantam com seus cantos a manhã.
Só as árvores florescem, flores perfumadas e coloridas.
As ervas dormem em sementes.
A poeira vermelha tinge tudo que lhes cerca.
E o tempo passa, e a primavera vem,
Que venha com toda sua beleza e força.

Noite

A tarde cai tão bela,
e sobre a tarde a noite.
Emana grandeza e silêncio.
Um passo para o fim.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Viver amar a vida

E se enxugam as poesias.
Viver apressado não é interessante.
O interessante é viver livre
Para olhar as estrelas a noite
Para ver as flores durante o dia.
Para contemplar as coisas boas da vida,
O doce do pudim, ouvir Mozart,
Ver Gogh, ler Borges...
Temos que viver
Já que a vida não cessa instante algum
E quando cessa! A morte abarca.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Luar

É noite de lua cheia,
O céu azul estrelado,
O espelho da lua no cerrado.
O brilho da lua flameja
Nas águas do Paranoá.
Cansado, deito e durmo,
Não penso em nada.
Verão no Cerrado.
Não é inverno,
Mas sim calor,
Sol e beleza nas extremidades do dia.
Mais nada.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Agosto

A tarde estava tão bela
Havia crepúsculo no poente e no nascente.
Enquanto o sol partia
A lua aparecia...
Quantas cores maravilhosas.
Depois da tarde belíssima
Veio a noite sensacional.
E mais um dia de agosto se foi.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Sensações evanescentes

Tudo a todo momento está se fazendo e desfazendo.
Alguns semtem mais que outros a evanescência da vida.
E como uma fornalha consome madeira,
Vamos consumindo os momentos vividos,
Consumindo nossas saudades,
Porque o que foi, não volta mais, apenas dá espaço
Ao novo, mas queremos o novo e de maneira alguma
Desapegar do velho. Isto nos faz sofrer.
Nem todos temos a mesma sensação,
Mas como somos seres efervescentes de sentimentos,
Um dia nos deparamos com esta  mesma sensação,
Várias coisas podem desencadear.
Mas isso não faz parte deste texto,
Apenas as sensações avanescentes.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Graças

Graças, dou ao tempo passado e a ação realizada.
Mais um dia se passou e todas as etapas foram realizadas
Ou pelo menos houve um esforço nesta direção.
Vi a luz do sol nascer, saciei minha fome e minha cede.
O dia transcorreu em paz.
Este dia parte outro dia virá.
Graças, dou pela vitalidade, pela energia.
Porque sei que tudo passa para todos a todo momento.
Que assim seja.

O silêncio interior

O silêncio habita em nosso ser e nem percebemos.
Conversamos a sós, pensamos e até podemos ouvir nossa voz.
Mas passamos o dia ouvindo nossa voz  interior.
Passamos o tempo todo ouvindo esta voz nos orientando.
Dei conta de que o silêncio habita meu ser.
Abri um livro e li em voz alta
Para espantar o silêncio
E dissipar essa sensação.
E dormi sem a sensação de ser tomado pelo silêncio.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Saudades

Há tanta beleza para ser vista
E ser descoberta.
Há tanta coisa boa na vida.
Hoje, à tarde, cantava alto o sabiá.
As maritacas sumiram.
Bem cedo, ainda madrugada
Canta o sabiá.
Lembrei de como era bom acordar nessa época
Em Barão onde o sabiá cantava em minha janela.
Tinha, ali, um pequeno jardim,
E o silêncio e noites inteiras,
De alegria.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Profunda noite

É noite profunda.
O céu estrelado,
O frio da noite nos envolve,
E nos faz sentir medo do nada.
A noite profunda
Muitas vezes é o nada.
Ausência de movimento,
Ausência de tanta coisa.
Grilos cantam,
Maquinas refrigeradoras
Trabalham.
E a noite cai
Para se derramar na manhã.

Dança das folhas

É verão,
O sol brilha
E é tão belo.
Dançam as folhas ao vento
Quando se desprendem
Dos galhos,
Saracoteam, flutuam
E tingem o chão
E lhes dão chiado.
Nuas as árvores florescem
E depois se vestem,
Aproveitam o verão.

O cerrado e eu

O Cerrado no verão é tão belo,
Com seu céu limpo e azul,
Com suas plantas nuas floridas,
Com a algazarra das aves na matina,
Com o calor, o barro solto,
Numa frenética espera pela chuva.
O Cerrado encanta,
A cada estação, embora reduzido,
O cerrado ainda é cerrado.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O mundo e a palavra

Amplo é o mundo,
Densa é a palavra que o determina.
Tudo que vejo se não consigo verbalizar
Não tenho como expressar.
A palavra, organiza o mundo.
Cada língua tem seu trato
e densidade de sua palavra.

domingo, 11 de agosto de 2013

Cerrado Dourado

É agosto,
O Cerrado aparentemente tudo está seco.
A poeira vermelha se desprende do chão 
e tinge o mundo de vermelho.
O céu está tão azul,
O horizonte cinza,
E agora temos a florada dos dourados ipês amarelos,
Belo, belo, belo,
Embora efêmero,
Douram o cerrado,
Embelezam o mundo,
Flor a flor se abre,
Flor a flor se desprende,
Logo serão apenas, frutos,
e mais logo em seguida sementes aladas,
E mais em seguida se germinar, plantas,
Nunca mais verei esta floração,
Cada ano é uma nova estação,
Linda florada de ipê,
Doce Cerrado,
É tão belo dourado.

Os Sinos de Ouro Preto

Dobram os sinos,
Rua afora, ladeira acima,
Ladeira abaixo, soam seus timbres peculiares.
Quem é daqui, reconhece de onde vem
E em qual igreja dobra,
Dobram e encantam a cidade.
Que anunciarão os sinos?
Quantas vezes dobraram os sinos?
Gerações foram despertas
E adormecidas...
Linda Ouro Preto,
Cheia de tradições,
De jovens alegres,
De repúblicas vivas,
De turistas curiosos.
Quando dobram os sinos,
Viajo na concha do tempo,
Que só existe em pensamento,
Cantam as várias aves,
Enquanto a cidade é silêncio
E som de sinos.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Tempo reflexão

O tempo passa
e deixa marca na pele
e deixa marca na alma.
O tempo passa
Sem que percebamos.
Ontem, hoje, e amanhã
são infinitos...
Tudo passa.

Escorrer

Enquanto caminho, penso na vida.
Nem sempre penso, as vezes tenho uma ideia me dominando,
Consumindo minha alma.
Ontem enquanto caminhava via a aspereza do chão
de concreto corroído pela água.
A água que mesmo amorfa e líquida transforma as coisas
Ou são as coisa que se transformam.
A aspereza daquele chão empoeirado
me levou a esquecer a bendita ideia e pensar numa coisa mais simples e forte.
A água que escorre, mole, plástica, suave e vai se entregar ao mar,
ou sabe á o que, mas escorre sempre, por força da gravidade.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Noites

Noite, noite, noite...
Três formas diferentes de ver a noite.
Noite pós fim de tarde,
Noite profunda meia noite,
Noite aurora,
Finda a noite.
Logo mais tudo é dia.
Ou nunca mais veremos a noite
ou o dia.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Que tem as flores

Quantas flores dispersas nos campos
Nas montanhas, nos jardins e praças.
Quantas flores encantam os homens?
Já perdi a conta, já nem sei quantas
São as combinações.
Flores são só flores.
O perfume das flores,
A cor das flores...

domingo, 4 de agosto de 2013

Sensação

Como o domingo é longo à sombra da solidão.
O frio da ausência humana,
Uma palavra mesmo que seja baixinha.
Um pouquinho de atenção.
Mais nada.

sábado, 3 de agosto de 2013

Niilismo

Ontem a noite, sexta-feira,
Perdi o sono.
Folheei o buda que estava sobre a mesa.
Tanta coisa bela, mas inacessível a um humano, demasiado humano.
Peguei o caderno e escrevi duas páginas,
Na tentativa de não morrer naquele momento,
Minha triste existência.
A solidão é triste.
A vida é tão curta para sentirmos tristeza.
Tenho certeza que nenhuma frase que escrevi interessa
Ao mais papolvo ser.
Fiz um chá, tomei-o.
Até que o sono chegasse,
Li quase duas páginas de Pessoa.
Questões preenchiam minha mente.
Minha existência tem um significado?
Respondam-me Sartre, Borges, Nietzsche.
Por um breve instante nada faz sentido,
Mas quando olho sobre a cama vejo
Livros de Gogh, e volto a mim,
Algo pode fazer sentido amanhã.
Apago a luz, deito e durmo.

Povoar

Após o meio dia,
a sol pino, ocorre o primeiro ocaso.
Nem as aves contam,
nada acontece,
feito serpentes,
pessoas se esticam deitadas,
dormem
ou despretenciosas vão ao shoping
se mostrar? encontrar alguém?
Lá na caatinga, a cigarra canta,
o calango corre sobre as folhas secas.
Enquanto o Cerrado é tomado por soja....

Tanta coisa fútil povoando o mundo.

Motivos

Os sábados são tão maravilhosos
quando esperamos algo.
Envelhecer tira o brilho deste dia,
cadê aquele motivo que fazia
o coração sorrir, pulsar alegre?
e agora depois de tanta coisa vivida
o que é possível de esperar?
Deus salve Borges e Guimarães Rosa,
estrelas de minha manhã.

A mesma coisa

Às vezes viver é ser triste.
Quando lutamos por algo
e cremos tanto que ali está
o motivo para existir.
Atravessamos a existência
que é tão vazia.
Porque nunca queremos
a mesma coisa.

Climax

Já é tarde, embora a tarde pouco avançada depois do meio dia. O sol brilha em sua maior intensidade.
A natureza toda está recolhida. O silêncio só é quebrado pelo chiado de folhas que se quebram a cada passada. No horizonte podemos ver o tremer do vapor. Tudo está tão vazio. Meu peito vazio, o mundo vazio. Calor! Viver este momento belo, mas de peito vazio é tão difícil. Saudades? Deveres, sigo caminhando como a tarde vai partindo.

domingo, 28 de julho de 2013

Redelinear

É estranho descobrir que no mundo há maneiras de se perceber algo distinta da nossa. São poucas estas situações em que somos tomados por essa sensação, principalmente quando não gostamos de viajar de sair da rotina. Há determinadas memórias adormecidas que são despertadas por meio de uma música, um texto, uma propaganda. Estas memórias são compartilhadas por um determinado grupo que pode ser pequeno como o núcleo familiar, o ambiente escolar, a cultura de uma cidade ou até mesmo amplo como os programas transmitidos pela rede globo. Um bom exemplo são as coisas que aconteceram na década de noventa, certamente é compartilhada pelas pessoas, como eu, com faixa etária entre os 30 e 40 anos. Enfim quando saímos do nosso universo, nossa cidade ou cidade ou país, estranhamos que o outro conheça tais coisas, mas conhecem de outra maneira, a partir de outra perspectiva. Estava viajando de Genebra para Viena, de ônibus, durante toda a noite, quando acordei, ainda muito cedo percebi que na rádio tocava a música "Crazy for you" de Madona. Como assim, pensei, está música toca aqui, percebia meu pequeno conhecimento de mundo. Naquele momento senti o êxtase tomar todo o meu ser. Estava muito feliz por está conhecendo o velho mundo e ao mesmo tempo aquela música me trazia lembranças de minha vida em Serrinha dos Pintos, pois ouvira muito aquela música tocada na difusora de Alexandria.Aquele música estava viva em minha mente e decerto não tinha ou tinha um significado muito diferente do que existia em mim. Naquele instante estava muito distante do passado e minha origem, mas aquela música era um elo entre o passado e o presente. Mais uma vez aquela música ganhava sentido em minha vida de uma outra maneira, poderia até me levar a esquecer o passado mais distante. Imagine que para aqueles passageiros que estavam preocupados em dormir, aquela música não significava nada. Talvez para suas realidades aquela viagem seria semelhante a minha ao ir de Campinas para Ribeirão Preto.  Eu estava viajado sem saber por onde ir, mas sabendo para onde eu ia. Então o dia nasceu e eu conheci Wiena. E agora que ouvi a música revivi, relembrei e mais uma vez redesenhei pude redelinear minha memória e perceber quanto o mundo é amplo e nossa vida pode ser sensacional.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Quero-quero

O quero-quero caminhando no campo,
Gritando quero-quero, quero-quero.
Voa, da rasante e grita.
Pela manhã, à tarde
Ou a noite estarão sempre lá
Em qualquer lugar.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Dominar

Sentimentos quem os domina?
Somos uma bomba de sentimentos,
Oras estamos felizes ora tristes.
Oras amamos a solidão oras a odiamos.
Estamos contentes pela manhã,  pela tarde rabugentos
E a noite felizes.
Enquanto tudo isto acontece.
Nossas válvulas de escape são comer, beber, fumar e fu - amar
Bem se  nada disto nos alivia a tensão da vida,
Somos dominados pela gula, pela luxúria...
Ou viramos carolos de qualquer religião.
Quem não controla seus atos?
Nesse mundo cheio de competição,
E desejo.
Sentimentos quem os domina?
Enquanto isso resta-nos olhar o aurora,
o segundo crepúsculo...
Conversarmos com os nossos sonhos,
Dominarmos nossos instintos.
Sabe lá.
Contemplar a lua e as estrelas e a companhia de quem nos ama.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Noite imperial

A tarde caiu suave e leve.
Logo veio a brisa fria.
A água do lago paranoá
Está tão transparente
Que vemos os peixes nadar.
Ou pele de sapo tem
As capivaras nadando
Nesse gelo da noite.
E calmamente apareceu venus,
A noite e de brinde
A maguestosa lua

Alvorecer

A luz fria da manhã
Atravessa a janela
E junto a ela o canto
Suave das aves
E a brisa me revelam
As formas, as cores, os sons
E a tenuidade da vida.
Eis que inicia o dia.
Que delícia iniciar o dia
E poder identificar o som do sabiá,
Som da maritaca,
Som dos sanhaçus.
As cores das plantas verdes e vivas,
Secas e mortas, cinzas...
O sofrimento da grama,
O esplendor das plameiras.
As vezes encontrar o sentido
Para viver mais um dia
Está nas coisas pequenas,
No entanto sublimes.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Doce manhã fria

A manhã foi tão fria,
Embora sol brilhava num doce céu azul.
Os eucaliptos pareciam animados,
a bailar junto à brisa.
À sombra da sala,
Que frio! Como é agradável
Saborear um chá.
No banheiro um grilo cantava,
Cri, cri, cri...
Percebi ao acordar
Que os sabiás voltaram
A cantar.
Cantava alegre
Um feliz sabiá.
E a manhã se passou,
Fria e bela.




sexta-feira, 19 de julho de 2013

Agora é hora passada

A lua prateada alumia
a noite em Rio Paranaíba.
O silêncio das estrelas
É quebrado pelo canto dos galos.
Já é dia nas horas passadas
Agora doce madrugada.
Quanto tempo
que não ouvia o galo cantar.
Quanto tempo
não via a lua alumiando a noite
Agora é hora de dormir.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Em qualquer lugar

A noite caiu
Nem vi o tempo passar.
Palavras pensadas e pensadas.
A noite chegou,
sem que visse os horizontes.
Tudo e nada
É só uma questão de percepção.
O dia passou!
Aqui estou,
Perdido na noite
em qualquer lugar.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Palavra

Como os elos de uma corrente,
As palavras unidas formam uma oração, uma frase.
E o que o texto senão o tricotar com as palavras,
como num tecido em que fios são cruzados,
assim são os textos pinçados com palavras.
As palavras são tão ricas,
pois carregam em si o significado das coisas.
As palavras descoisificam  nossa língua.
Com a palavra certa não se diz, essa coisa que esta na suas mãos,
Se diz esta flor, esta rosa, este livro.
Verbalizam o indizível,
Encurta as explicações,
Pois são signos,
conceitos.
Palavras são o que são.
A palavra é uma luz que acende
na mente de cada um
a todo instante,
ampliando a compreensão do mundo.
Como ficou mais fácil entender o Sertão depois de Guimarães Rosa.
Como  é mais fácil entender nossos sentimentos
verbalizados pelos poetas...
Drummond e Pessoa, falam o que sentimos.
Que palavra Gogh daria a suas pinturas
e Mozart e Bach a suas sinfonias?
Que palavras uso para denominar minha vida?
Não sei! Certas vezes só sinto,
e me expressar é uma forma
de dispersar meus sentimentos.
As palavras servem para entender o mundo
e para minha compreensão de mim mesmo.  

Conjunto matinal

A manhã,
A aurora,
A lua, todo este conjunto é tão belo.
Como é maravilhoso poder despertar
E ver e sentir e viver
A manhã despertar pela aurora
Acalentada pelo olhar da lua.
Quando percebemos,
Tantas vezes estamos concentrados
Em nossos objetivos
que vivemos sem ver e viver
a vida, sem sequer contemplar
A manhã, a aurora e a lua.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Nasce

Suave a bela manhã desabrocha como uma flor.
A brica fresca acaricia as flores, as folhas
e os sulcos de minha pele, brincando
com minha alma, meus pensamentos.
Sigo em frente não dá para olhar para trás...
A vida se revela a cada instante
e a manhã nos alumia, nos faz sentir feliz,
e contemplar a obra do grande criador!

domingo, 14 de julho de 2013

Só resta

E a noite chegou e nem percebi.
Senti que o tempo esfriou,
Mas não vi o sol se apagar,
O tempo passou e fiquei preso
no meu ser...
Só me resta descansar.

sábado, 13 de julho de 2013

Força, fé e trabalho

Cada homem tem a sua arte que forja no desenrolar das horas e dos anos.
Meu tio Aldo que desfechou o próprio destino. Aprendeu a negociar e a trabalhar na roça por gosto e necessidade. Desde muito cedo, por ser o primogênito, teve que trabalhar para ajudar no sustento da família. Vem a minha mente, por que meus avós lhes batizaram com este nome Aldo. Um nome de origem alemã que significa velho. Imagino ainda no começo da década de 1930, quando minha avó Chica e meu avó Chico foram a cidade registrar o filho. A parte isto, meu tio não sei em que ano, iniciou uma jornada hercúlea de negociar. Saia do povoado do Porção e ia a cidade de Alexandria. Carregado de goma, todas as sextas saia no lombo de uma burra vermelha e seguia pelos caminhos longos, monótonos. Se ao menos soubesse os nomes das rochas, das plantas, dos relevos e das paisagens. Talvez não se entregasse tanto aos seus pensamentos e a monotonia, mas não que houvesse monotonia em tantas horas dispendiosas no lombo de um animal. Creio que havia amor, como há no seio humano, as coisas creadas pelo ser superior. Amor pelas paisagens, formas, cores, cheiros e revelar das coisas que surgiam e desapareciam em sua mente. As floradas rosas de jitiranas, o som dos riachos escorrendo, o som do casco nas rochas, a amplidão do mundo e a esperança de ganhar seu dinheiro honesto.
Aldo Batista, servira ao exército, era um homem muito sério, de voz grossa e forte. Era fácil saber quando estava lá em casa, de longe ouvia sua voz contando suas histórias. Será se tinha problemas de audição? Geralmente quem tem fala alto, ou queria ser entendido? Na juventude de meu pai fora não apenas irmão, mas um segundo pai. Tio Aldo, casou com a primogênita, Maria das Neves, de meus avós José e Sinhá. Foi por meio destes que meu pai Chico conheceu e casou com minha mãe Chica. A parte isto.
Como comecei minha fala, além de pequeno comerciante, Aldo trabalhou na roça. Sim, suas roças eram grandes e bem cuidadas. Não gostava de fazer serviço sujo, seus roçados eram zelados desde o plantio a colheita. Dava gosto de ver, mas pareciam grandes hortas. Com a força de seus braços, uma enxada que não precisava ser das melhores, campinava do nascer ao pôr do sol. Como quem ler uma texto clássico, com cautela e reflexão, assim ia capinando. Certamente, pensava na feira do fim de semana, no que faltava em casa, no zelo da família, no melhor para o povo. E assim ia construindo sua vida e seu destino.
Todos os anos cultivava uma roça, com habilidade, fazia suas feiras e dava dignidade a sua família.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Surda noite

É noite.
A noite é silenciosa, escura e triste.
Estou só imerso no mundo e na vida.
A sombra da solidão o que nos faz feliz?
Tentar fazer algo que nos desperte alegria.
Não me parece uma boa opção,
pois, logo vou querer mais e mais.
Será o desejo fonte de felicidade?
Só sei que num instante estou radiante,
no seguinte quero sumir e pouco tempo
depois estou radiante.
E como lidar com esta efusão de sentimentos.
Adestrar-me em uma religião, se moldar a um estilo?
Não sei, não me encaixo em nada disto.
Abro um livro, outro e mais outro.
Ver um filme quem sabe?
Quando é noite que me sinto só,
quando percebo a solidão tocar meu coração,
penso, penso, penso e fico triste,
mas a tristeza é fonte de criação,
pois que venha bons pensamentos,
traga-me tudo de bom,
doce noite escura.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Noite vasta noite

Noite, silenciosa noite,
profunda como minha alma.
E o que ocultas?
O mundo vasto mundo.
Noite vasta noite.

Recarregar

Por vezes, certos instantes, tudo perde o sentido,
mas há tantas coisas que me rodeiam acendem
em mim um novo sentido. As formas e as cores
reveladas pela luz, os livros e o que me cerca.
Todavia nestas horas de ócio que me recarrego,
que busco sair do ócio. Há em mim um sujeito
antiacrático. Sempre foi assim, mas confesso
que sofro neste processo de criação de reinvenção.
Descobri na leitura um princípio construtor,
e encontro em Borges a fonte mais rica.
E por vezes recomeço sempre.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Restaurar

Quando a alma não quer aceitar mais nada,
quando o corpo quer descansar.
Deita e dorme.
Não temos neste instante apetite para o saber
o que nos resta é dormir e sonhar
com tudo feito e criar energia e fazer.

O brilho da manhã em Barão

O vento frio da manhã,
O brilho do sol num céu azul,
O canto das aves,
A grama seca,
O adeus dos eucaliptos
fazem de minha manhã tão bela
que pensar é esta doente dos olhos mesmo.
De repente bate a saudade,
imagens das manhãs em Barão Geraldo,
minha bicicleta,
a luz difusa entre as árvores,
a praça dos cocos com seus guapuruvus,
as fachadas das escolas de inglês,
o riacho poluído,
as grandes figueiras,
as espatódeas,
o star clean
e a Unicamp.
Tudo parecia tão sólido e feliz.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Questões diurnas

Por que às vezes o dia se arrasta?
Enquanto seus extremos são tão fantásticos?
O primeiro e o segundo aurora me alegam muito.
Quando desperto e ouço o canto das aves
e quando o sol se poe vejo as estrelas brilharem
suaves.
Às vezes a manhã parece ter voz,
Às vezes as estrelas parecem nos flertar.
Hoje a lua apareceu de leve,
só uma fraçãozinha sob vênus,
mais que encantadora.
Sei lá por que o dia se arrasta,
talvez seja pressa de ver a tarde partir,
sabe lá.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Noite

Noite,
Noite que adormece os olhos
Noite que traz a calma, revigora a alma.

Noite de céu estrelado,
De vento solto,
De profundo silêncio.

Noite que nos revela os sonhos
Sedes muitas vezes ventre fecundo da vida.
Noite tudo ou nada...
Somente noite

Em Quanto a tarde Cai

A tarde cai devagar. O brilho dourado da tarde se derrama sobre as folhas e as flores das árvores.
E a luz aos poucos vai minguando e desaparecendo. As cores se apagam e junto com elas as formas. Enquanto caminho penso. Alberto Caieiro dizia que pensar é está doente dos olhos. Acho que estou doente dos olhos mesmo porque há tanta coisa para ser vista no fim da tarde. As vezes não penso e vejo a poeira, simples pó, colorida, vejo as plantas floridas, o vôo paciente da garça.
E a tarde se passa. As vezes penso o que ficou de mim da tarde? O que ficou de mim do dia?
Estou preso ao meu pensar. De certo vó Sinhá e vô José, a tempos atrás, estariam sentados na frente da casa bem a tardinha. Vô e vovô conversando sobre coisas triviais que acontecia e viam.
Coisas do tipo o gado hoje está de barriga bem cheia, vai demorar a terminar de apanhar o algodão. Fulano passou aqui hoje, ciclano está doente. Enquanto essa conversa desfiava o sol se punha e vovô terminava de catar o feijão para deixar de molho para o dia seguinte. Em seguida entrariam e jantariam e logo após uma breve noite iam dormir.
Com certeza não entenderiam o mundo de hoje. O dia que se estende até a meia noite. As luzes, as leituras, as preocupações.
Naquela época que nem é tão distante na história, eles seguiam o curso da natureza.
O dia não só a tarde caia devagar. Havia tempo para viver e digerir os fatos e a tarde.
Sabe-se lá, hoje já não existe gente como vô José e vó Sinhá.
Acho que as pessoas ou pensam demais ou nem pensam, apenas correm em busca de objetos que lhes deem uma breve alegria. Vivem em busca de respostas e felicidade. Nada mais.

domingo, 7 de julho de 2013

Andorinhas


As andorinhas,
As andorinhas são aves elegantes,
parecem está sempre vestidas de terno.
Sempre olham acima de seu bico,
até parecem que não comem.
Voam por altos céus,
sabe-se lá para onde vão.
Encantam-me desde criança.
Só via as andorinhas
na minha escola,
ou na rua.
Ah, andorinha,
quanto te vejo
sinto uma saudade,
quem dera voar
até onde te vi pela primeira vez.

Belezas

Há coisas prazerosas na vida
que se banha na luz do sol matinal,
ou na luz do por do sol.
Comer galinha caipira nos domingos.
Esta sob a sombra num dia de calor.
Se deparar com um prear na vereda.

Caminhar pelo campo numa manhã de primavera.

Talhar a melancia sobre uma sombra de jurema
sentindo o cheiro das flores do milho,
do marmeleiro e do cerrador.

Caminhar sobre a terra molhada
depois de uma grande seca.

Agrada  a vista ver dos ramos secos
gemas se desenvolverem em folhas.

Ver a aroeira florida.

Apesar de tudo,

A vida é bela no sertão.

sábado, 6 de julho de 2013

Alcancei

Sob o eco das palavras em nossas mentes criamos.
Criamos os mitos, as histórias e construímos nós mesmos nossas próprias histórias.
Sobretudo, já faz tanto tem que vô José se foi que nem me lembro se nutria um carinho por ele, mas nutria fortemente o carinho e amor que mamãe tinha por ele. Na nossa infância, nutrimos sentimentos de verdade e paixão por tudo aquilo que nossos pais falam e sentem. Rimos quando eles riem e choramos quando eles choram. Mamãe às vezes é dura, mas é terma e amável conosco sempre. O fato é que mamãe amava seus pais, meus avós como ama seus filhos, nós. E sempre estava presente, pelo menos mais de três vezes no mês estávamos nós lá. Quem dera fosse hoje.
Mas me lembro que as histórias de vô José eram profundas e saudosas, sentia a proximidade da morte, a velhice o encarcerar em seu corpo, e o lugar onde se deslocava era do quarto para a cozinha e para o banheiro. É triste ser prisioneiro da idade. Com seus passos arrastados e seu corpo encurvado segurando uma bengala lá ia e vinha, e sentava na cadeira, e muitas vezes ria um riso sem dente, mas cheio de som de alegria. Rememorando, rememorando de quando em vez recebia uma visita e rememorava, os tempos, as histórias, as lutas, quase sempre as vitórias e remexia as vezes nos rancores. Sentava na calçada e olhava para o horizonte que terminava entre chapadas, a mata verde, o frio, o joazeiro, o canto das aves, o rincho do jumento. Aquela estrada de poeira e barro vermelho por onde passara subindo  descendo, cargas e mais cargas de capim, lenha, milho, feijão, tudo passara, tudo não reverberava mais... aos poucos acabara. Aquela estrada, a velha estrada de pedras farinhentas, de flores silvestres, dava nas cajazeiras e cajaranas, que em certo tempo podia sentir o cheiro ácido dos frutos podres, cheiro delicioso,  e o cheio das unhas de gato.
Vô José só podia contar as histórias. Muitas histórias só fazem sentido para aqueles que a presenciou, para mim, não fazia sentido, mas ficava ali, sentado ouvindo,  não me lembra de nenhuma sequer. Estas histórias foram encerradas na última roupa limpa vestida. Podem serem rememoradas.
Uma frase profunda é a que usava:  "Eu ainda alcancei o tempo de seca de 1915".
Hoje, restam os perfumes das flores e a casa, e a memória e a terra parece mais árida e o sol mais quente e mais nada.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Noite

A noite estrelas brilham no céu.
Hoje com o vento frio
parece o céu parece um espelho
de tão limpo.
Tanta coisa nos espera numa noite,
mas a cama é a predileta delas.
Com ou sem estrelas
a noite é refrigeradora.

O silêncio reflexivo

Que maravilhosa manhã de sexta-feira,
Que silêncio maravilhoso.
Parece a sala está surda.
Através da janela ouço o som intermitente das aves
maritacas, graúnas, joãos-de-barro,
doidela, canários, papa-cebos, bem-ti-vis,
o silêncio é tamanho que posso ouvir
a brisa chegando e acariciando
as folhas da sibipiruna, do coqueiro-de-vênus.
Não sinto cheiro algum,
só ouço. Às vezes é bom parar para ouvir o mundo.
Bem no fundo deve está soando o som do ir e vir dos carros
e da máquina de cortar grama.
Soa como uma manhã de paz.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Por do sol Brasiliense

E a noite cai calma.
As águas do lago estão agitadas,
o céu está encarnado feito brasa acesa.
Enquanto a noite se deita sobre a terra,
desponta no poente Vênus tão belo,
grande e amarelo.
E a luz se dissolve por completo
quando chego em casa já é noite.
Nas ondas do rádio, ouço
um piano ao cair da tarde.
Como é maravilhosa a voz da Lúcia,
diretamente do auditório
Mário Garófago.
As tardes em Brasília,
que se partem depois do lago
são tão belas quanto
as de Ribeirão,
Todavia tenho aqui o lago,
e a paz que Nix me traz.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Restaurar

A noite é silenciosa, escura e muitas vezes fria.
No seio da noite a natureza descansa.
No fundo da noite muitas plantas exalam um doce aroma,
que nos guia em direção a doçura e candidez das flores.

O solo esfria fica tão fresquinho.
A brisa sopra suave.

No céu escuro podemos ver as estrelas piscando
coloridas, vemos ainda os planetas.

Nesta hora as águas do lago estão tão plácidas.

A natureza respeita a noite e descansa.
E tudo despertará pela manhã com o primeiro crepúsculo,
doce aurora.

Vozes da manhã

É de manhã,
O sol brilha intenso lá fora,
O céu está tão azul,
A brisa sopra suave e fresca,
Ela toca aqui na janela que estala
Com paciência,
Ouço longe o som do martelo
No poção rachando e desfazendo
O cimento sólido.
Os galhos da sibipiruna
Agitam-se com a brisa
E balança pra lá e pra cá.
É manhã próxima de julho,
É uma linda manhã de junho,
Gente a trabalhar,
Sei lá onde,
E a manhã passa
Fagueira.


terça-feira, 2 de julho de 2013

A tarde florida

É fim de tarde,
e o sol não arde,
descamba ao poente,
e vai ficando ausente,
distante do nascente.
E agora sua luz se apaga,
a noite de leve nos afaga
as montanhas, os vales,
e solve toda luz,
impõe sua sombra.
No lado oposto da estrada
um ipê rir todo florido,
suas flores tão amarelas,
ah, como são belas.
Fez me lembrar,
das tardes de tempos atrás,
que sei que não volta mais,
E o ipê, e a tarde,
me preencheram de alegria,
me iluminaram essa poesia.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Aceitar

No mundo quem não reclama?
Nem tudo se aceita, mas também
como aceitar, ser humilhado e pisado,
ninguém é animal irracional,
tem que revidar?
Aceitar! como podemos aceitar,
guardar na alma tal humilhação!
É o mesmo que engolir um sapo,
mas se algo maior nos repreende,
paciência, só temos que aguardar,
a bondade e a maldade,
está em nosso coração,
a escolha muitas vezes 
está na razão.
Aceitar, muitas vezes 
é a melhor opção,
revela sua grande percepção
da ignorância humana,
Aceitar é ignorar
ser superior, superar com o menosprezo,
porque há gente que precisa
ser ignorado,
pois até o ódio é uma paixão,
ignorar é dizer não,
deletar tudo
e recomeçar.

domingo, 30 de junho de 2013

Dá-me calma

Existir,
sob o céu,
sobre a terra,
uma flor desabrocha
e fecunda gera um fruto.
Face da terra, de solo fecundo,
de amor profundo esteja transbordante o meu ser,
que eu aprenda em todas as situações a melhor viver.
Oh, brisa da manhã.
Oh, muito e tudo que pode me ensinar,
me ensina a viver com sabedoria,
acalenta meu coração
sempre que estiver sob pressão.
Que minha alma jubile
sempre que uma semente de fé
germinar em minha alma.
Dá-me calma em existir.

Motivo do existir

Vô José,  costumava repetir ao rememorar fatos que marcaram sua vida. Já idoso, cabelos brancos, sempre vestido casaco por causa do frio da serra. Lembro que falava, dos anos difíceis. Anos de seca. Vô José guardava essas coisas, sabe-lá por que. Contava que em 1915, morava nos Cajás, povoado de Barriguda, hoje Alexandria. Naquela época tinha apenas 13 anos de idade. Diversas vezes saia de lá para ir a Martins, lugar onde nunca faltava frutas, à cavalo para buscar frutas. Montava em sua casa e só se apeava em Martins. No dia seguinte com a carga de frutas montava nos burros e adormecia, acordava muitas vezes quando havia chegado em casa. Sei que naquela época ele já via o serrote da Veneza, os mufumbos e catingueiras do sertão, de certo via animais,
via gente que como ele dorme na eternidade. Sabe-se lá o que falava quem encontrava, o que comia. De certo os animais ficavam suados. Tantas coisas aconteciam nesta longa e monótona viagem. Sabe-se lá em que pensava tio José com uma carga de frutas que possivelmente só duraria uma semana, mas por ser de graça. Sabe-se lá se não tinha a boca com o mel seco da manga. Sem o mínimo de conforto, ele sofria, assim como sofriam os animais.
Meu avó faleceu já faz tanto tempo, os animais também, mas aquela paisagem continua viva, perdida em outros imaginários, com outros sentidos. Todas aquelas paisagens peculiares, sumiram como surgiram no dia em que vovô adormeceu para a eternidade. De certo vovô não se preocupava com o nome das plantas, dos bichos para ele o que importava era a barriga cheia,
o mel da manga e da jaca... Vovô não foi nenhum herói, nem lembrado por nenhuma façanha, mas não deixou de existir e foi por seu esforço que agora existo. Tá explicado a luta do nada.

sábado, 29 de junho de 2013

As flores do jardim

As flores que desabrocham no jardim
Já foram flores silvestres,
já flores menos vistosas.
As flores que desabrocham no jardim,
foram as flores escolhidas por seu aroma,
por sua cor, por sua beleza.

As flores que desabrocham no jardim,
estão ali por um capricho de quem cultiva
a beleza.

Todos almejam a beleza das flores,
mas nem todos sabem ou tem paciência
de cultivá-la.

Cada um faz o que lhe melhor convém,
há aqueles que almejam as flores do jardim
e vai lá e as colhe ser ser dono,
e há aqueles que com paciência,
tem o mais belo jardim,
por que as plantas cultivadas
tem a permanência e o viço de está vivas
e desabrocha a toda manhã
as flores,
mas as flores dali tirada, logo perdem o viço.

Cultive também flores em seu jardim.

Quero

A manhã caiu e como bicho na loca quero ficar aqui quieto no meu lugar. Quero desfrutar do meu calor, do meu cobertor, de minha cama. Quero folhear meus livros, ler Borges, ruminar sobre minha vida...

Eterno revelar

O mundo que se revela me surpreende sempre.
O amanhecer, o vir a ser, o entardecer, o por do sol,
a despontar no nascente da lua, cães a ladrar na rua,
o desabrochar de uma flor perfumada e singela,
a maldade e a bondade humana, a poesia e o poeta.
Borges, Pessoa, Neruda e Drummond habitam minha
cabeceira e povoam minha mente. Anteontem fui apresentado
a Hilda Hilst, pela sua biografia conheci sua grandiosidade
oculta ao meu conhecimento. Pessoa que passou a vida
oculto, haverão tantos ocultos empoeirados
diluídos neste mundo. Outro dia numa parada de ônibus,
descobri um colecionador e construtor de máximas, Fabiano de Melo,
uma pérola gerada no Piauí. No seio do Nordeste,
não sei porque nos surpreende...
Mas tantos outros povoam minha mente, Foucault, Sartre, Nietzsche,  Kafka,
Gogh, Mozart, Schumman,  Holst, Bach.
Quando penso no tempo, que já vejo com profundidade,
vejo que ainda tenho o mesmo anseio por conhecer este mundo,
revelado por tais faróis,
e pelas luzes que me cercam, minha família, meus amigos
e por todos aqueles que amam o que faz e faz com prazer,
que servem a todos e por todos é servido.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Flor da campina

 Flor doce desejo de amor,
A flor que nasce na campina
que é acariciada pela luz
que inunda o vale e o mundo.

A flor que desabrocha perfumada,
que é tão bela e delicada,
que só a luz e a brisa
sabem tocá-la.

A flor no seio de amor,
que nasce na campina,
pela manhã é revelada
e pela brisa tocada.

Quando ti vi na campina,
ai! que doce contemplação,
quando te acariciei com o meu olhar,
quis profundamente te tocar,
sentir seu perfume,
 fui tomado por sua beleza,
senti na alma uma doce leveza,
tudo porque fui a campina,
tudo porque desabrochou naquele dia,
Tudo porque o sol te iluminou,
agora aqui estou,
e você ai está,
sabe lá quando nossas almas
flor, doce flor,

irão novamente se encontrar.

Passagem

A chuva partiu,
por este ano não volta mais.
É mais um ano em minha vida,
é mais um ano que vejo
as águas secarem,
os animais se esconderem
nas sobras da noite
ou no refúgio de uma loca.
As árvores amarelam
e perdem suas folhas,
as jitiranas e as chananas
estão florindo, parece
adorar o sol escaldante
que tudo espanta do sertão,
os avoetes voam, vão embora
sabe lá para onde.
Aqui, posso ver o espetáculo
da natureza se resguardar
o cumaru florido
perfumando árida paisagem
que está surgindo.
Meu corpo
e minha alma
já perceberam a natureza
se expressar,
agora uma nova
estação virá,
é o verão.

Aroma

Acendo um incenso,
o fogo que consome
exala o doce aroma
de jasmim.
A fumaça se espalha,
e se vai com uma oração,
emano de meu coração,
alegria, paz e harmonia,
minha mente
desperta de imagens,
doces sensações.
E o aroma,
me faz mais vivo,
mais feliz.

Atônito

Como é profundo o mundo.
Há tanta coisa a se revelar
a meu olhar, meu sentir,
meu cheirar.
A todo instante sou surpreendido,
com uma palavra, uma imagem,
um aroma, um som.
Do nada conheço
alguém que me surpreende,
uma biografia, uma poesia,
uma canção.
Não quero ser uma pessoa engessada,
embora no dobrar dos anos,
o cansaço enrijece minhas ideias,
sou mais cautelosos ao novo.
E sinto que nunca saberei
nunca tocarei na profundidade do mundo,
mas me surpreenderá sempre
o humano.
Ontem, pela primeira vez ouvir falar
sobre Hilda Hist, uma grande poeta,
fiquei atônito, nunca havia
ouvido falar sobre esta grande poeta.

A combinação das palavras
o despertar para o mundo
que se faz cada dia mais
revelado e profundo.