quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Amarela alamanda

A alamanda do meu jardim
está com uma flor amarela,
amarela acacia ou coisa assim,
gosto de flor amarela é tão bela.
Amarelo ovo,
amarelo queimado,
amarelo acácia,
amarelo alamanda,
a natureza quer amarelar
o mundo!

Quando o dia nasce

Quando  o dia nasce,
as aves e as flores nascem juntos.
As aves enchem de sons
e as flores de cores e odores.
Quando nasce o dia
nasce também uma poesia
que espera ser escrita
ou simplesmente dita.
Quando nasce o dia,
a luz rouba o escuro do meu quarto,
as aves o silêncio
e eu desperto feliz,
percebo que a vida passa por um triz.
então abro a janela,
tenho a paisagem sempre bela,
do sol e das árvores.
Sinto a vida solver
o ar da manhã.
Sinto-me beijado pela manhã,
sinto tanta coisa,
que esqueço do meu mundo.
Quando o dia nasce
sou pleno e feliz.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Cada um, cada angustia

Quando era criança meus pais me ensinaram a rezar, a ter fé, esperança e a ser uma pessoa de bem. Quando era criança meus pais me protegiam, me alimentavam e se preocupavam comigo. Mas e agora que cresci? Por ter memória curta, me esqueço de orar, perco quase sempre a fé pelo menos continuo sendo uma pessoa de bem. Meus pais já não vivem comigo. Vivo só, e compartilho quase sempre minhas angústias com as pessoas que me cercam. Encontrei uma pessoa com quem posso contar. Mas o fato é que tem dias de verdadeiras angústias. Nada nos faz ou trás a felicidade. A vida nos proporciona tudo. Isto cada pessoa sofre uma angústia.

A vida


Muitas vezes penso na vida. Pode ser a qualquer hora. Penso nas minhas condições, dificuldades, lutas e tudo que me movimenta. A vida, sempre, me parece cruel, pois está sempre tentando nos testar. Há momentos que acho que o meu mundo vai desabar. Sei lá, é o que parece que vai acontecer. Então se me desespero, perco meu promo. Não é sempre, mas acontece. E vejo as coisas que creio está errado, que é injusto e isso me deixa indignado e descarrego tudo na vida. Eu penso tanta coisa sobre a vida, mas não sou capaz de descreve-lhes. As vezes penso que viver é ruim, mas pior é o não viver o não existir. Pois sem a vida nada faz sentido. Então sigo sempre pensando mais e mais oras aprendendo, oras se batendo para aprender, mas sempre sendo. Sem a vida nada é.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Pequenas coisas

Fim de ando está ai. As luzes do Natal já piscam nas ruas. Nas lojas todas enfeitadas anunciam os lucros ou o Natal. No shoping as árvores estão piscando a todo vapor. E então sentimos o espírito do ano novo. Sentimos que tudo pode renovar ou não, mas nem pensemos nisso. O ano praticamente já passou, não dar para voltar no tempo. O que vivemos de manhã já não viveremos mais a noite e nenhuma noite. Só temos que viver e quem tiver espírito suave agradeça a Deus ou seja lá em que crês pela sua existência. A vida é tão boa, mesmo com tantas coisas para serem resolvidas, mas isso que é a vida.

domingo, 27 de novembro de 2011

Noite acalentadora

A noite chega, independente do dia da semana, e cala o mundo. Acalenta-o cobre com seu manto escuro e faz a natureza se recatar. Toda a natureza silencia. E aos poucos vai acalmando embalando tudo que ela pode abraçar. Algumas flores se perfumam, não se sabe se é para a noite ou para algum amante. E quando já não tem mais luz. Quando não enxergamos as cores. Finalmente, podemos descansar e dormir em paz.

sábado, 26 de novembro de 2011

As ideias nos alimenta para nos consomir

As idéias tem vida próprias. São elas que nos alimentam, mas são elas também quem nos consome. Não razão, religião ou ser que não esteja atado a elas. Acordamos e vamos dormir, basicamente pensando desde coisas botas até revoluções.
E quando tempos um tempo para desfrutar da vida de  não fazer nada. Ah, elas sabem como nos tirar do sério.
E ficamos assim, lesos...

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Passa

E vão o dia e a noite,
passam sem parar,
nos distraímos com as coisas,
com as formas,
com as cores,
seguimos a vida
sem nos darmos conta
que as árvores crescem sem parar.
Que não paramos de morrer,
desde o dia que nascemos.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O vento!

E o vento me leva,
noite a dentro,
leve como uma
cipsela,
surfando
nas ondas do vento,
noite a dentro.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Curva da vida

As vezes me calo e não penso em nada. Sinto um vazio, algo congelando dentro de mim, e foram de mim como se a pele gelasse e desgelasse!
As vezes fico assim por medo. Fico sem as palavras, ações. As vezes fico mudo e então me dou conta que estou no mundo.
Travo uma luta com a minha existência que acredita ser longa, mas é tão curta, não tem a meia vida de um grama de urânio.
E então tenho tantos caminhos para me orientar que acabo desorientado, pois as escolhas muitas vezes provoca em nós doença mental pior que doença física.
Ansiedade. que rima com vaidade, mas esta é a afirmação em excesso!
As vezes me sinto um inútil, as vezes não e assim vou dobrando a curva da vida.

Esperança!

Ecoa em nossas almas a esperança. Nessa vida já vencida. Tudo que resta é a ilusão e a esperança. Tudo é tão passageiro e surdo como certas tardes, como a meia noite. Então procuramos beber em algo um pouco de ilusão e nos enchemos de esperança. Porque sem ela, a vida é mais dura.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Periodo

Os dias são longos, cansativos. Quando chega a noite sinto vontade de dormir. 

Chuva

A chuva caiu e banhou a tarde,
o sol até tentou, mas não deu as caras
ao dia.
As árvores estão tão viçosas agora,
as folhas molhadas estão coladas ao chão.
E a tarde se vai
se vai.

O amarelo das flores da Acácia

E caem as folhas e veem as flores.
As flores amarelas da acácia enfeitam o meu jardim.
São tantos cachos, tantas flores de um amarelo doce,
um amarelo acácia. Que quando fotografo
sinto uma frescura nas flores,
e congelo aquela imagem na câmera,
em minha mente.
As folhas se foram, e agora
as pétalas pintam o chão do meu quintal de amarelo.
E é sempre gostoso acordar e ver o chão
num caos de cores.
Engraçado que o amarelo das flores da acácia não é
o mesmo amarelo da manga que coloco para o sanhaçu.
É mais vivo, embora menos doce e menos queimado.
O amarelo das flores da acácia
enche minha mente de paz e esperança.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Sementes


As sementes esperam o tempo bom para germinar, mas de que adianta se vier a germinar entre espinhos, sobre as rochas. As sementes não tem noção de ambiente. As sementes precisa das mão do semeador, da caridade da chuva, da fertilidade do solo. É preciso paciência, para esperar pela chuva. Muitas coisas dependem de outras e de outras...

domingo, 20 de novembro de 2011

Tese!

O que fica do dia em mim?
Sentado o dia todo em frente ao computador o que posso esperar?
Minha coluna e os meus olhos doem, meu corpo feito carro ao meio dia ferve.
Estou cansado e nem posso parar para sentir a natureza, sentir o dia.
Não dá se quer para escrever uma poesia.
E o dia vai passando se misturando com a noite e a gente sem perceber.
Chega uma hora que não dá o corpo joga a toalha.
Passa pela mente desilusão, medo, pressão.
Nem reza braba ajuda, acho só mesmo o riso de uma criança
ou a uma flor perfumada me encheria de alegria agora,
porque Deus é muito subjetivo, metafísico.
E assim vamos seguindo essa vida, que aliás é única,
numa luta desesperada para sobreviver, sobresair
e no final morrer e ser enterrado feito qualquer bicho.
Sem, essa de ser superior,
vamos apodrecer, virarmos cinza ou pó.
E cair nas areias do esquecimento feito grãos no deserto.
Nem sobra tempo para pensar.

sábado, 19 de novembro de 2011

E o dia passou

E o dia passou,
lento como uma brisa,
em minha mente deixou
o cansaço,
Mas a noite chegou,
mais a noite chegou,
e trouxe o vento,
pra cantar
cantiga de ninar,
para eu dormir.
E o dia longo passou!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O Riacho

O riacho corre leito abaixo,
e vai fazendo curvas e sons.
Suas águas oras se assanham,
oras são calmas, calcarias e azuis.
E segue cantando, ecoando
o som da chuva. 
Segue as vezes quebrando
sobre as rochas, mas logo
se recompondo, vai refrescando
o que está em suas margens.
As vezes suas águas correm 
por apenas um dia, as vezes
não chega a alimentar 
o que o espera,
mas o que se pode 
esperar de um riacho
senão sua beleza, frescura e vida breve.

A manhã parte

E a manhã parte levada pela brisa
que balança os cachos da acácia.
Com ela vão o som das aves.
E a manhã se vai,
mais um manhã de sexta,
mas uma manhã de  novembro.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O presente

A tarde vai partindo, lentamente,
como uma noite que caminha para o altar.
Parte ao som dos passarinhos,
de Rachmaninoff.
Parte tranquila como o espelho do lago.

Até que a o carteiro bate lá fora.
Ah, o meu livro de presente chegou.
"Entre flores e espinhos"
de autoria de Joseph Bezerril.
Esse vou guardar, na memória,
não vou esquecer de minha amiga,
Rita de Cássia, sua esposa
que tão gentilmente
me ofereceu!


A tarde

A tarde começou tão clara,
acesa pelas flores amarela
da acácia, tão suave soprada
pela brisa e esfriada pela
sobra da sibipiruna, tão
melodiosa entoada pelo som das
aves.
A tarde encheu meu coração
de alegria, minha mente de cores,
meu ser de energia.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Jardim

No meu doce jardim crescem três neomáricas. As plantas estão tão viridescentes. Como choveu as folhas que caíram da acacia estão úmidas e liberam um cheiro gostoso. O sanhaço não para de cantar. Sobre o ramo da alamanda está um filhote de sabiá e uma danada de uma maritaca está comendo os botões das flores da minha acácia.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Chuva

A manhã uma suave é banhada pela chuva.
Enquanto a brisa atravessa a janela é tão fria.
As aves corrochiam longe.
As águas da chuva escorrem sobre os telhados
marrons e se quebram no chão
anunciando a presença da chuva.
O sol nem deu as caras,
as nuvens barraram a aurora.
O dia amanheceu, mas o sol ficou longe,
feito ébrio que está quase acordado,
mas distante do mundo.
As nuvens se movem no céu
da manhã que antecede o fim do ano.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A chuva da manhã

Na doce manhã de chuva,
nem deixou sol apareceu.
Durante todo esse período,
a chuva soprava sua brisa 
e cantava, se deitava sobre os tetos,
sobre folhas e sobre as ruas.
Suas águas lavam as calçadas
e as ruas.

A doce chuva da manhã
fez toda a natureza calar
para ouvi-la cantar.

Na natureza há um respeito,
quando a chuva fala
todos se calam para
escuta-la.

domingo, 13 de novembro de 2011

Domingo em Viena

Aos domingos muito cedo, soam os sinos. As badaladas anunciam que vai começar o culto a Deus. A porta centra é aberta. Luzes e velas acesas. O sol quase fresco ilumina os becos, ruas e ambientes escuros. A rua vazia, tem o silêncio quebrado pelo corrochio de pardais. Idosos caminha em direção a igreja. Enquanto isso dentro das igrejas os padres e seus ajudantes fazem os acabamentos finais para a missa. Nada entendo do que eles falam, pois as palavras soam em alemão, acho muito bonito, mas não entendo nada, assim como não entendo muito dos afrescos, esses pelo menos dou minha interpretação subjetiva. O cheiro da fumaça que o padre usa para perfumar a bíblia antes do pronunciamento da palavra é igual ao que os padres usam no Brasil. E então começa a celebração e a igreja permanece quase vazia. Então me senti, no Brasil colonial quando as missas eram proclamadas em latim, só estas foram proclamada em Alemão. Vistei uma segunda igreja, não tão distante da primeira. Esta segunda parece a igreja de São Francisco em Ouro Preto, estultuante. No entanto o público não era mais volumoso que na primeira. Uma coisa é certa, aquelas igrejas, tornaram meu domingo mais belo e interessante.

sábado, 12 de novembro de 2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Cabalistica


Hoje é sexta-feira, até ai nada demais, afinal é só mais um dia na semana. Todavia hoje é 11 de novembro, mês 11 do ano, não é muita coisa, afinal, é só mais um ano. No entanto estamos estamos no ano de 2011. Pra mim a coisa muda completamente de figura, afinal data semelhante, só acontece de século em século. Uma amiga minha, Letícia Garcia, falou que se tratava de uma data cabalística. Pensei que palavra bonita, mas qual o significado desta palavra. Consultei o dicionário onde fiquei sabendo que significa algo oculto, misterioso. Que bacana pensei. E foi mais um motivo pra matutar. Acho que essas datas cabalísticas, minha nova aquisição  uma palavra, sempre me encantaram. Lembro de algumas datas destas, umas das quais até comprei um livro 7-7-2007. Acontece que tanto número um, nunca tinha visto 11-11-11. A última vez que aconteceu essa data cabalística foi a um século atrás, nem os meus avós haviam nascido. Acredito que para os meus bisavós essa data não tinha significado algum. Como posso saber, se nem alfabetizados eles eram, como podia expressar algo. Acho que naquele tempo, a o sentido da vida se restringia a luta para sobreviver, já que o nordeste não oferecia tantos recursos, talvez se fossem alfabetizado, hoje teria alguma memória escrita num papel. Mas isso não aconteceu. Até ai a geração dos meus bisavós e avós já passou para o mundo da maioria. Refleti ainda que se para o tronco de minha geração, essa data não tinha significado algum, me espanta que meus data não faz muito sentido. Por que? Creio pelo fato que só lembranças ou dos fatos que precisamos ou por meio de certas fontes que para ter acesso faz-se necessidade de conhecer as letras, as palavras, os contextos e como meus meus pais não desenvolveram o hábito da leitura, suas memórias estão muito restritas ao cotidiano. As lembranças das gerações de meus familiares eram encerradas com seus corpos em suas covas ou dissolvidas quando eles partiam para lugares distantes de seus familiares. Ao que parece essa situação era muito comum as pessoas naquele tempo.
Essas reflexões causam me uma certa tristeza,  no entanto, fico feliz pela oportunidade que me foi dada. Abracei-a com toda força. Creio que na próxima que ocorrer uma data tão cabalista não estarei mais vivo, talvez meus netos. Já terei sido reciclado pela natureza. No entanto, meus netos terão poderão ler essa simples reflexão, terão ciência de que neste mundo, seus antepassados viviam, sem nada dessas tecnologias, nem por isso sucumbiam, eram muitas vezes mais felizes, embora muito sacrificados pela vida, e é um tempo não tão distante. Talvez eles leiam esse pequeno texto. Isso mesmo estou falando com voce. Saiba que na vida tudo são possibilidades, e a vida é curta, e que datas cabalísticas  como esta são raras. 

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Sono

No meio da noite
é tudo tão calado,
parado.
Só a lua continua acesa no céu.
Só a magnólia e o jasmim
continuam a perfumar o mundo.
As aves dorme, enquanto os
grilos cantam.
A acácia do meu jardim
estática parece me olhar,
parece querer me chamar
a atenção com tantas flores.
Hoje a noite
está tão quente,
meus olhos se fecharam,
mas o meu juízo
teima em me maltratar
e não me deixar dormir.

E esse ar parado,
nenhuma brisazinha
pra amenizar o clima.
Ainda bem que vai chover
no feriado,
assim poderei ficar
despreocupado com o calor
que teima em não me deixar dormir.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O sol e a almanada

O sol no céu azul feito nau no meio  do mar
 arde mais quando brasa de fogueira de São João.
Cá na terra, no meu pequeno jardim
uma bela alamanda insulta o sol
com o brilho de suas folhas viridescentes.
Fico a parte só miro a alamanda,
não dar para encarar o sol.
Então desvio o olhar à acácia,
aos sanhaços não estão nem ai,
só se preocupam em deliciar seu naco de manga.
E assim o sol se vai
e a alamanda fica sem seu brilho.
As vezes acho que a alamanda encara o sol
só para para ganhar brilho.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

cai a noite

E quando cai a noite, escurecem as palavras em minha mente.
E quando cai a noite e a brisa não aparece,
ai, minha mente padece.

Breve suspiro

Quase sempre nos acostumamos com tudo. Está acostumado com as coisas é torná-las invisível. Quantas pessoas, situações ou objetos que temos ao nosso não se tornam invisíveis. Muitas vezes esquecemos de dizer palavras carinhosas, o que sentimos por elas, de lhes dar atenção, carinho e afeto. Quase sempre cremos serem eternas, fazem parte de nossas vidas. Acontece ainda celebrações entre os amigos, saídas para o bar, e simplesmente não comparecemos, então nós é caímos no esquecimento e nós é nos tornamos invisíveis. Acontece ainda que queremos muito alguma coisa então quando finalmente compramos, passamos a desejar outra coisa e simplesmente não curtimos. Mas ai, certo dia, as pessoas passam para o lado da maioria, os amigos ou você se muda, a coisa é roubada. Só neste momento que a invisibilidade ganha forma e cor e tu então ver que a vida passou e nada passado é reversível, tudo até pode parecer igual mas na essência tudo é diferente. Creio que é necessário refletir sobre a vida, rever os conceitos, e valorizar mais o que temos. A final a vida parte num breve suspiro. E caímos no esquecimento.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Infância

A alguns anos atrás morava numa num sítio de uma cidade pequena. Esse sítio chamava-se Serrinha do Canto era povoado da cidade de Serrinha dos Pintos no RN. A vida no sítio era muito calma e pacata. A maior parte do tempo não tinha muito o que que fazer, senão ajudar meu pai na roça que era raro e por água em casa, quando muito tirar comer para o gado. Meu pai nunca explorou muito nossa mão de obra, dava prioridade aos estudos. Sabia que era muito importante. Adorava mesmo era viver o inútil do ser. Ficar acordado durante a tarde pra poder comer doce as escondidas, fazer ponche de limão enquanto mamãe dormia. Meu irmão aprendeu a fazer até doce de leite. E ficava sem fazer nada à toa. As vezes, observava as formigas trabalharem, as abelhas polinizarem as flores ou simplesmente ficava vagando. E ficava imaginando coisas, esperando sempre que algo de bom acontecesse e sempre acontecia. Primeiro vinha o inverno e coloria todo o mato seco de verde, enchia as plantas de flores e frutos. Hum como eram doces as goiabas e as melancias verde por fora e vermelhas por dentro, os melões, as suculentas annonas (pinhas), e no fim as cajarandas. Essas frutas amarelas maravilhosa com sabor acridoce caim no chão feito lama e perfumava tudo em sua volta. Mais tarde quando o inverno acabava era época da colheita,  e em seguida vinha a época do caju. Gostava tanto de caju que meu amigo me apelidou de caju. Vivia sob os cajueiros feito bacurim, rasgando e deliciando os suculentos pseudofrutos. Acabava a safra e tava todo mundo gordo. Minha felicidade estava muito ligada a fartura de comida. Vida boa, vida atoa.

A barata


Era tarde da noite e não havia ido dormir ainda, mexia no computador. Então vi um vulto entrando no meu quarto. Não dei muita atenção. Então desliguei o computador e fui dormir. Até ai tudo bem, apaguei as luges, curtia o canto longe dos grilos, mas em pouco tempo, ouvi algo se mexendo em meu quarto, não eram os malditos pernilongos. O que seria? Esperei mais um pouco, ouvi então o som de um voo, então acendi a luz e fiquei procurando, não encontrei nada. Apaguei a luz e logo depois começou o chiado. Ah, danada, pensei. Estava quente, não estava conseguindo dormir. Então acendi a luz e vi aquelas antenas feito orelhas de jegue se mexendo. Eis a grande decisão matá-la ou não? Senti-me um juiz e um carrasco ao mesmo tempo. Baratas são insetos da ordem Blattodea. Alimentam-se de restos de comida e podem ser vetores de doenças. Apresenta exoesqueleto formado de quitina. Este exoesqueleto é rijo quando a barada se locomove faz um chiado asqueroso, além do mais quando por acaso pisamos sobre uma delas se ouve o um som de algo quebrando. Em nossa visão as baratas são seres tão nojentos, mas seria esto um motivo ou justificativa para que a matasse  ou seria o fato de ela ter invadido no meu quarto e estivesse tirando minha tranquilidade? Vale salientar que as baratas surgiram no planeta milhões de anos atrás, quando nós ainda não existíamos. Não seria nós os invasores de seu ambiente? Bem para muitas pessoas esses motivos são suficientes para tirar a vida até mesmo de um ser humano. No entanto, não tive coragem de abater aquele pequeno animal, então peguei um papel higiênico peguei-a pelas antenas e atirei-a no jardim. Fechei a janela e foi dormir. Pensando nas baratas que são brutalmente assassinadas.

domingo, 6 de novembro de 2011

O som da tarde

Ouço as aves cantarem,
o vento se debater contra
as folhas. Também ouço
a tarde chegar.
Esta chega como criança
diante do diferente, tímida
e quando menos se espera
se doura com a partida do sol.
A tarde guarda muitas coisas
para mim, oculta os meus medos,
mais que as outras horas...
enquanto isso fico quietinho
no meu quarto.
Ouvindo o som da tarde,
e saboreando a luz da tarde.

sábado, 5 de novembro de 2011

As coisas

Não sei o que acontece com o mundo ou com as coisas. As vezes me preocupo com as coisas e suas coisas. Acho que me apego as coisas, por medo de perder essas valorosas coisas. Mas o que são essas coisas tão valiosas para mim? Não sei, mas absorvo tanto do mundo externo que tem dias que meu mundo interno parece vazio, desordenado. As coisas do mundo são um só mistério que criamos para nos refugiar de nossos medos.

As aves, as flores e as árvores

As aves, as flores, as árvores são tão vivas tão belas.
As aves enfeitam o céu, as flores os bosques, os jardins
e as árvores a floresta.
As árvores são moradas das aves e suporte das flores.
As aves dispersam frutos e sementes das árvores,
e as flore atraem as aves para as árvores.
As árvores, as flores e as aves
são tão amigas, tão belas...

Luz da manhã



French Neoclassical Painter, 1774-1833
                                                         Vi a luz da manhã, dourada como ouro aceso. Essa manhã fria começou a aquecer o mundo e dar-me profundidade das cosias. Essa luz revelou a forma bela das flores perfumadas e as coisas ao meu redor.
Através dela pude apreciar o meu jardim. Essa luz veio e invadiu o meu ser, me fez acordar, abrir a janela
e sentir a brisa fria que povoava meu jardim, no entanto a luz apagou as estrelas da noite. Gosto das estrelas, mas também gosto do céu azul, mas a luz também revelou o céu azul, revelou ainda as palavras escritas nos livros, acho a leitura mais fresca de manhã. E assim a manhã veio, dourou minha vida, me trouxe sabedoria e capacidade de discernir as coisas. Nem sempre temos a luz da manhã para revelar as coisas em nossas vidas. Não podemos conhecer as pessoas e suas ações, senão superficialmente, as pessoas não são como a luz da manhã reveladoras, mas em sua maioria são profundas com rios submersos sob rochas calcarias. As vezes as pessoas parecem serenas como a luz da manhã, mas estas pessoas podem estarem apenas ocultando suas verdadeiras intensões. São tantos os males que há no mundo, quem dera que estes males fossem ingênuos como a luz da manhã. Os males do mundo, creio que se trata de uma invenção humana, criada como todas as coisas criadas pelo homem de seus sentimentos mais ocultos. Esses sentimentos são tão ocultos que não podem ser revelados por luz alguma, nem mesmo raio x seria capaz de revelar. O mundo se revela sob a luz da manhã e a ciência ajuda a revelar mais o obscuro, mas nem tudo pode ser revelado, então vamos aprendendo, refletindo, compreendendo o mundo, mais contemplando mais a luz da manhã.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Sair para caminhar

Sair de casa é essencial
pra sentir a vida pulsar,
as pernas caminhar,
sentir um aroma diferente,
encontrar uma flor,
uma paisagem,
ver gente.
As vezes nos fechamos
com os nossos problemas
e esquecemos do mundo
que há lá fora.
As vezes esquecemos
que temos todo um universo
em nosso interior
que necessita de ideias
externas,
saia para caminhar,
veja agora as Murraias
florescem, e perfumam
e enfeitam as ruas com suas
flores candidas.

Os passarinhos e as flores

O canto dos passarinhos me encanta,
bem como sua leveza, sua beleza.
Passarinhos cantam pra encantar,
voam de lá pra cá, voam sem parar.
Passarinhos são coloridos,
plumulosos, tão alegres,
tão belos. As aves embelezam
a natureza como as flores,
mas as flores perfumam
porque só sabem perfumar,
passarinhos cantam por só saberem cantar.
Os pássaros e as flores são tão
agradáveis, tão amigáveis.
As flores e os pássaros povoam
meu jardim, minha mente,
minha alma, engraçado
eles me trazem calma.
Acho que roubam dos deuses
só para povoar o meu jardim,
acho que sim.
Os passarinhos cantam
e as flores perfumam
e eu os admiro.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

tradução DNA

Tempo,
espaço,
cor,
forma.

Na concha do tempo,
nos caracóis do cabelos
 me perco e me encontro.

Quantas voltas me dar o tempo,
que extensão tem o meu corpo?

Faces, braços, pernas,
troncos o corpo.

Os sentidos filtram para nós o mundo,
a ciência ler o mundo com mais profundidade.

E contamos o tempo,
em anos, décadas,
então morremos,
nossa geração,
não se perde na concha do tempo,
e fica apenas
a memória ou  não fica nada,
tudo que permanece é a leitura
do DNA.

Acacia

Cachos de flores amarelas,
pêndulos crescem nos ramos nus,
flores grandes e muito belas,
são despetaladas pelo vento,
e tingem de amarelo
o meu pequeno jardim.

Passagem













O dia acaba a meia noite
e começa a meia noite.
O dia deixa de ser
e vem a ser.
e ciclicamente
o tempo vai passando
sem que percebamos.
Noite e dia, dia e noite.
Num contínuo
que não dar para perceber,
quando se percebe 
o que é já foi.
Passa a infância,
a adolescência,
logo nos tornamos adultos,
idosos e chega a morte,
e nos faz mergulhar na eternidade.
Nem percebemos
que na vida tudo
tem suas passagens,
pois assim como num dia
que temos
manhã, tarde e noite,
as vezes percebemos
outras vezes não.
O aniversário é uma
passagem por onde passamos
e não tem como voltar,
no entanto é através dessas
passagens que construímos
nossa essência,
que sobresaimos
a existência.
Temos que respeitar as passagens,
respeitar nosso corpo,
e por fim a nossa vida,
seguindo sempre
em frente, com esperança
de ver um novo amanhã
sempre.