sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Devir

É noite, quase meia noite. Fez muito calor no começo da noite, mas já pode-se sentir o frescor trazido pelo vento que entra pela janela que ainda está aberta. Assim de vez em quando tentar ver uma estrela. A noite está tão silenciosa, nenhum cão late, vez por outra passa um carro ou posso ouvir o acoite do vento nas folhas das árvores. No meu quarto, meus livros são meus companheiros, quanto me revelam do mundo. Tenho sono, mas  queria aproveitar só mais um pouco desta sexta-feira. Sim aproveitar para pensar um pouco  na vida. Não posso sentir ou perceber uma boa ideia nascendo em minha mente. Acho que por isso leio tanto. Falta criação, bem ao menos ainda me admiro da noite, das coisas feitas pelo homem. É quase meia noite e o vento vem de acoite, preciso dormir e acordar e trabalhar e afirmar minha vida.

Leitura

Na vida há tanta coisa que desconheço. São tantos os mistérios que despertam em mim muita curiosidade, todavia aquele que mais me atem atenção, incontestavelmente, é o comportamento humano. Eu adoro  descobrir cada vez mais um pouco sobre o que um humano é capaz de fazer. Sei que sou incapaz de  interpretar esse universo e de longe não tenho a mínima pretensão, nem seria possível, já que somos como a água que toma a forma do recipiente que prende. Uma das ferramentas que descobri desde cedo foi a leitura, apesar de saber que existe a música, a pintura, o rádio, a televisão, dentre tantas outras vias. No entanto foi a leitura que me encantou e que me deu suporte nesse processo de compreensão do comportamento humano. Foi através da leitura que construí tudo que sou, sem ela, creio que ainda estaria no mesmo lugar o qual nasci. Descobri na literatura uma forma de construir e contar o meu mundo para eu mesmo. E foi mergulhando em leituras que conheci mais sobre religião, ciência, crença e fé. Foi através da ciência que descobri o mundo, e por mundo não pude apalpar esse mundo e ela me ensinou o necessário para tornar real o imaginário. Creio que com o tempo, vamos compreendendo mais o mundo e esse exercício da leitura torna-se algo prazeroso.
Com o passar do tempo, descobri que a leitura era mais valiosa que eu imaginava. Foi através dela que descobri isso. Passei a amar os livros mais que nunca. Descobri ainda que posso compreender melhor o mundo selecionando, direcionando minhas leituras. Uma das coisas que descobri foi que a poesia diz mais sobre o mundo subjetivo que qualquer coisa, descobri com a poesia que o ser humano, ao aprender e saber, acaba por sofrer mais, descobri ainda o valor e o peso das palavras. Aprendi com a filosofia que o exercício de pensar e aprender é algo inerente ao ser humano e que todos podemos aprender tanto quanto desejamos. E foi através da leitura que tive que desconstruir todos os mitos que me foram pregados na infância, creio que ficaram sequelas, alguns maus vícios de ideias. Foi através da leitura que passei a entender mais a humanidade e me tornar mais humano, ao menos na teoria. Para mim a leitura é uma prática diária, uma forma de compreensão do mundo, uma maneira de saciar minha curiosidade sobre o humano. 

Nascer

Nasce o dia. Anunciam sua chegada as aves que cantam sem parar. Demonstram uma alegria que quase chega a ser poesia. Aos poucos, penetram no quarto os raios solares e alumiam todo o meu átrio. Através da janela paisagem está tão seca. Algumas árvores estão floridas sibipirunas, guapuruvus e jasmins, no entanto as ervas estão quase estivando ou já morreram.Nasce mais um dia.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Noite

A noite silenciosa trança o destino do mundo,
oculta os malfazejos dos males feitos,
oferece oportunidade para realizar os desejos.
No jardim desabrochado perfuma o jasmim
a rua que nua, e clara pela luz elétrica fria,
as vezes até assobia para o vento.
Noite, extrema noite, última noite,
quem sabe o que revelará no amanhecer,
quem fechará os olhos e não mais abrirá?
Noite que tu apronta, que preparas para o amanhã?
Estou tão cansado que  nem posso imaginar.
Noite vem aqui me abraça
e me poe para dormir,
porque amanhã será outro dia,
e outra noite sucederá 

Meio dia


Meio dia,
O sol arde nas tuas
que nuas cozinham o asfalto,
Se não fossem as árvores,
se não fossem as árvores floridas,
que seria da vida agora.
Ao meio dia
caminhar pela rua,
sentindo a pele arder,
sentir o corpo suar.
Sim é meio dia,
se não fossem as árvores floridas
que seria de nossa primavera.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Primavera

Estou tocado, encantado com a tarde,
que passa silenciosa e quente,
quente como tarde de verão,
mas é primavera,
suave primavera,
de flores amarelas,
flores de caesalpinoideas,
passa lentamente,
mas passa essa tarde encantada....

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Brisa e canção da tarde

http://www.youtube.com/watch?v=0mYUMctFm60&feature=related


O tempo,
a tarde,
o vento...
a luz do sol,
as árvores a balançar,
aves a cantar,
a tarde passa,
carregando nos  ombros o tempo,
as vezes o vento sopra e refresca a tarde,
a luz do sol vai se diluindo,
as cores sumindo,
mais uma tarde se vai,
mais uma tarde minha passa,
uma preciosa tarde,
e o tempo,
o meu tempo de vida
encurta a cada momento,
como um sopro de vento,
como uma tarde
que arde no começo
e no fim é
dominada pela noite,
e isso é tudo

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Uma resposta


http://www.youtube.com/watch?v=E2j-frfK-yg

Há algo em mim escuro,
indeterminado, parece que é
um vazio escuro e frio.
Que vezes vou visitar
este e neste lugar
dentro de mim.
Lugar que não sei o que é,
mas que existe em mim,
ele faz conexão
entre minha existência
e a minha inexistência.
Desperta questões.
Acho que muitas vezes
quero tocar no intocável,
quero rever o impossível,
sentir mais perto de Deus,
ou de quem partiu que tanto
amei.
Acho que vou em busca de uma resposta para a vida.
E todas as vezes que vou
a esse lugar eu fico triste, porque nunca encontro uma resposta,
ao contrário só encontro mais dúvidas.
Porque ir a esse lugar? Tão abstrato...
não sei, muitas vezes
minha mente vai só.
Acho que cada um de nós
tem esse lugar.
Quando penso que sou animal,
como qualquer animal,
que nada físico me faz especial,
então reflito, eu ouço uma
música, eu leio um livro,
eu contemplo uma imagem
e então tenho a certeza
que sim nós somos especiais,
nem maiores, nem menores,
mas especiais.
Especiais como as flores
que colorem o  mundo.
Como as aves que encantam o mundo
com seus sons.
Como o vento
e como a natureza.
Aprendemos a
usar a natureza em nosso benefício,
de certa forma acabamos exagerando.
Uma prova de nossa genialidade
é a imaginação de um lugar onde
só posso ir através da imaginação.
Então, eu volto a mim,
vou a esse lugar escuro,
sinto minha humanidade
e caminho mais na vida,
oras contentes, oras triste
o que é inevitável
é não seguir com o tempo,
pois se não seguirmos
seremos engolidos
em nossa inutilidade.

domingo, 25 de setembro de 2011

Ilusão



Sou quem sou.
Sou o que me fiz,
tudo que absorvi,
tudo que discerni,
tudo que escolhi.
Agora aqui estou,
preso aos meus objetivos,
preso ao meu mundo,
não creio que seja
uma prisão ruim
a que escolhi,
escolhi o meu trabalho,
escolhi o que queria aprender,
no entanto muito do que sou,
não foi por mim escolhido,
mas muito do que sou foi pelo mundo
pregado.
Sou quem sou,
e tudo que fiz me tornou assim,
atento a vida,
humano, as vezes doce,
as vezes ácido,
ou simplesmente as vezes
não sou.
As vezes penso como poderia
ser e não ser,
mas não fugo
a vida,
não sei como me fiz quem sou,
só vivi.
Escolho o que busco,
mas as vezes sou
preso ao meu querer,
pois ser não é fácil.
Preciso arrumar meu quarto,
preciso organizar meu ser,
não quero ser
um ser que existe
só por existir.
Talvez quando
entender a vida,
conheça
a felicidade plena,
talvez seja o fim,
mas pelo menos
que o seja,
que o viva mesmo
que seja ilusão.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Calma



Crescem sem pressa
as plantas no jardim.
A acacia ta quase nua,
suas vestes dão diferentes
tons ao chão do meu quintal
O sol abraça a acacia nua  no meio da rua
e invade minha janela,
que sena bela...
a sucupira com vergonha apaga
um pouco  o sol e fica amarela de flor
só pra ocultar essa sena.
Enquanto isso as plantas crescem
sem pressa
a oceocladis, dicorisandra...
crescem ao som das aves
pela manhã adentro

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

sibipiruna



E vi as flores espalhas pelo chão,
eram tão belas, tão amarelas,
tão perfumadas,
tão generosas
que enfeitavam e perfumavam,
a natureza
com elas se enchiam de beleza 
 me fez lembrar,
que a natureza é generosa,
é tão bondosa,
com a vida, 
com as flores 
nos ramos e no chão.
Dura muito não
ver as flores tão efêmeras,
me fez lembrar
quão curta é a vida,
e ver as flores,
sentir as cores...
viver é bão.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Essência



Com o tempo e a convivência ficamos tão parecidos uns com os outros que muitas vezes é difícil separar as ideias e os pensamentos ou melhor saber a quem pertence. Como num reflexo chegamos as mesmas conclusões, acabamos tendo as mesmas ideias e mesmos objetivos. Com o tempo nem percebemos, mas passamos a ser mais o outro que nós mesmos, nos parecemos com quem nos ama e é recíproco.
É como fazer uma boa comida que para que assim o seja tem que ser feita com bons sentimentos. Os ingredientes crus, sem parecem até sem graça e sabor, no entanto quando se junta tudo num só recipiente, se aquece, põe algo que uniformize o calor, e com o carinho e saber qual o ponto certo, eis que está feito uma delícia de comida.
Com o tempo vamos descobrindo mais sobre nós mesmo e geralmente é aquele(a) com quem convivemos que nos mostra o certo, de uma certa maneira estamos constantemente nos educando, aprendendo sempre mais sobre o outro e ao conhecer o outro aprendemos mais sobre nós mesmos. Vamos descobrindo nossa essência na relação. É essa relação que nos permite nos definir, e ainda faz com que suportemos as dificuldades que temos na vida.
Toda relação é uma construção uma aprendizagem, em que somamos. Tenho um amigo que sempre me dizia que uma relação só presta se for para somar. Ainda hoje concordo com ele, mas até que ponto uma relação vem a somar em nossa vida? Muitas vezes as relações sim somam muito na nossa vida, mas muitas vezes nos tira a liberdade. Se nos falta a liberdade de escolha. Se o respeito pelo outro é perdido, com certeza a relação está fadada ao fracasso. E o que sei eu sobre respeito. Creio que não sei muitas coisas,
se já fracassei tantas vezes em minhas relações, por não se dar ou perder o respeito. Acho que com o tempo que serei eu senão palavras de livros, um monte de trabalho, um mesquinho em meu mundinho.
Penso, sim penso nessas coisas. Vejo meus amigos de infância casados com filhos e seus problemas de vida. A mim, acho que não sou tão diferente, a diferença que não tenho os meus problemas, tenho os problemas de todos, porque não tenho minha própria família. Até quando evoluí? Não sei. Sei que com o tempo aprendemos e somos mais parecidos com quem amamos. E quem mais amamos sempre parte.
Um dia seremos nós, para nossa maior tristeza ou felicidade...

Pequeno mundo


http://www.sky.fm/play/solopiano trilha sonora!

Hoje, estou tão triste!
que não creio que o amanhã me fará bem.
Acho que meu mundo está tão pequeno,
parece que meu peito vai estourar,
meu horizonte está tão próximo,
As flores perderam as cores,
elas se misturam com o sol,
tenho vontade de ficar sentado,
olhando para o horizonte como fazia,
porém antigamente esperava algo,
hoje já não espero mais,
já experimentei de muito de bom
que o mundo podia me dar.

Hoje estou tão triste,
e olhe que a primavera
chegou ou chega essa semana,
mas parece que
é noite em meu ser,
noite sem cores e sem flores,
acho que preciso chorar,
quero chorar,
quero expulsar essa dor
que me atinge agora,
essa dor que doí,
e nada vai faze-la
parar, a não ser o tempo.

Meu mundo de repente ficou
tão pequeno,
meu horizonte,
ah, as flores
elas perderam o cheiro,
e as cores...

É triste querer o que não se pode,
é triste pensar
em ser outro ser,
por mais que eu tente,
não posso,
não assumo,
pois esse é meu mundo,
meu pequeno mundo,
as vezes enfeito com
poemas,
com palavras vagas,
mas me sinto
como um semeador.

Hoje sinto muita dor,
tudo vai passar.

Ação do tempo


Aves no céu,
úmido chão,
nos campos crescem as ervas
que florescem singelamente.
Crescem, colorem  e perfuma a natureza.
Nos campos podemos ver amplo o horizonte,
tão amplo como vêem as aves do céu.
Trabalha e sua o homem em busca do pão,
remove a terra, planta a semente,
cuida com carinho de suas plantas
E o fiel pasto
contempla a natureza enquanto
a vigia suas ovelhas.
As aves voam no céu,
onde um véu se forma,
onde nuvens desafazem-se em doce água.

Segue a vida,
as vezes nem tão romântica,
mas a vida segue sempre,
independente de nossos desejos,
independente do eu,

Na vida tudo nos é emprestado, 
pois somos agora,
o que fizemos no instante anterior,
não sabemos o que seremos,
pois é muito orgânica a vida.

E as aves continuarão no céu a voar,
as ervas nos campos a crescer,
e a vida seguirá,
independente de nós.

Manhã de primavera


Nasce tão bela 
a manhã de primavera,
as aves cantam sem parar.
Amanheço, abro a janela,
sinto a brisa invadir 
o quarto e roubar 
minha alma
que está calma,
a brisa leva-a
a minhas lembranças,
enche-a de esperanças.

Enche-me de esperanças,
as minhas lembranças,
que a brisa leva
a minha calma,
da minha alma,
no meu quarto,
sinto a invasão da brisa,
a janela amanhece para mim,
deixa entrar o som das aves
que cantam sem parar,
na manhã de primavera,
que nasceu tão bela.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Oração pra tese

Do meu quarto vejo o dia passar, pois luz aos poucos vai partindo.
A tarde vai passando e o clima esfriando. As aves voltam a cantar,
o sabiá cisca entre as folhas de acacia do jardim garimpando minhocas.
E minha mente vai ficando cansada, vai escurecendo como o dia.
Mas trabalhar é preciso, vamos seguindo e quem sabe assim
conseguirei terminar tudo no para. Assim seja amém.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Um canto ou um encanto "o sabiá a cantar"

Como é doce o canto do sabiá,
ave doce que canta sem parar.
Faz minhas manhãs mais sorridentes
e minhas tardes mais contentes.
Canta doce ave, canta sabiá,
é quase primavera,
sei que cantam as outras aves,
agradeço pelo apreço,
mas o que me encanta
é seu canto oh sabiá.
Tarde com seus cantos,
mais belas não há,
como é doce o canto do sabiá,
mais doce que pinha madura.
É delicioso provar do canto de quem vem pra cá,
o meu amigo sabiá.

Reflexão





Atualmente, não temos tempo para reflexão ou para pensar sobre o sentido da vida, simplesmente nos transformamos numa geração de consumistas. Queremos consumir tudo que vemos e isso pregam os veículos de comunicação que é possível que vale a pena, para isto basta usar um cartão e tudo pode ser pago. Não precisamos da religião, religiosos são ridículos e pobres assim se expressam muitas pessoas ditas esclarecidas, com uma situação financeira  suficiente.
No entanto, como pensar se os nossos pensamentos se encontram estão prontos. Se há especialistas que explicam tudo, qualquer fato que acontece pode ser explicado, ou ao menos é o que creem os canais que dominam o mercado midiático. Dessa forma recebemos empacotadinhos nas revistas, jornais, internet e tv os pensamentos mais quentes. Nos tornamos consumistas de informação também, até ai tudo bem, no entanto perdemos o hábito de pensar.
Essa grande quantidade de pensamentos feitos tornou nossos cérebros preguiçosos.
Nos achamos imortais, superiores e fortes. Sofrer é coisa de fracos. No entanto nunca teve tanta gente fazendo terapia. Consulta a psicólogos substituiu as confissões aos padres nas igrejas, apenas substituímos de ordem e de pessoa.
A morte passou a ser algo impensável na atualidade, envelhecer, só para quem não tem dinheiro, pois hoje tem remédios e plásticas. Quem quer ser gordo, gordura é doença. Eis os pensamentos da atualidade.
Atualmente, ter o corpo perfeito é o mais importante, quanto a mente basta consumir o que a mídia divulga. A verdade está nestes veículo. Nem percebemos quão fracos e dependentes estamos nos tornando.
A vida não é simples, embora seja pregado como simples, no entanto precisamos refletir sobre a condição do ser para com a vida. O sofrimento que não queremos viver atualmente, muitas vezes é necessário para entendermos a vida.
Muitas pessoas refletiram sobre os sofrimentos humanos.  São Jerônimo refletia muito sobre a vida. De certo era uma pessoa que estudava e tinha muito conhecimento sobre a vida tinha em sua mesa de estudo um crânio que represava a brevidade da vida. Embora pareça louco, era uma forma de refletir sobre o mundo, de que não fugisse de sua mente a sua mortalidade, sua humanidade.
E as vezes penso para onde estamos indo? O que será de nós. Se não pararmos para pensar como podemos para vivermos num mundo melhor. Certamente não haverá recursos para todos senão pararmos para refletir sobre um mundo melhor e fizermos o mínimo para sermos melhores.  

domingo, 18 de setembro de 2011

Ser e saber


O que está por trás da gênese do conhecimento?
Sempre achei que haveria algo que me daria inteligência,  faria-me captar tudo que desejo saber de uma só vez, de maneira a estudar e aprender o mais rápido possível sem muito esforço.
Eu achava que haviam pessoas mais ou menos inteligentes, pessoas com essa capacidade de coleta de conhecimento. Nunca havia imaginado que o conhecimento como qualquer coisa que se quer conseguir exige tempo, trabalho e muito esforço.
Só com o passar dos anos, depois de muito ler, de buscar entender epistemologia é começo a compreender que  não exige essa fórmula mágica, mas alguns fatores influência na capacidade de compreenção, como por exemplo que o lugar onde é criado influencia na sua maneira de apreender o mundo.
O desejo de aprender de ter conhecimento tem que partir do eu de dentro para fora. Temos que perceber o mundo, compreender e então aprender sempre mais.
Porque conhecer é aprender a viver e viver bem melhor.
Num dos livros do Foucault de título "Arqueologia do Saber" em que li e  não compreendi muita coisa, creio que falava da gênese ou história do saber. Serviu pelo menos depois para compreender como se daria o meu processo de conhecimento.
Primeiro para adquirir saber e ou conhecimento tem que ter curiosidade, uma sede de entender como  funciona o mundo entender os símbolos entender o significado das palavras. Como qualquer animal que necessita se alimentar e apreende o que deve fazer para aquirir alimento, também assim o somos, mas temos que irmos mais além, do necessário, temos que buscar o alimento para a alma e o conhecimento é esse alimento.
Segundo tem que alimentar  essa curiosidade seja qual for a forma, temos diferentes maneiras de entender o mundo, diferentes povos. Essa diversidade cultural enriquece nossa maneira de ver o mundo e compreender e aprender.
Terceiro tempos que tentar transformar o mundo, modificar o mundo para melhor viver.
Sendo assim como na arqueologia em que vai se encontrando peças, evidências vai-se criando e contando uma história dando sentido a vida, assim o é com o nosso saber.
Sendo assim é a construção do conhecimento algo que é gerado e substancialmente vai criando forma e vida própria.
Gosto de outro livro do Foucoult "A hermenêutica do Sujeito" o qual o autor explica muitas coisas importante na vida uma das principais coisas é o cuidado de si.
Falo muito deste autor pois foi lendo ele que passei a compreender muitas coisas sobre mim e sobre a compreensão do mundo. Precisamos dar sentido ao mundo partido de como percebemos o mundo.
Sendo assim busquei na pintura acima vemos uma figura de um ser humano adulto deitado em posição fetal uma forma de explicar como o conhecimento pode ser gerado dentro de nós. Dessa forma percebo ou concebo o mundo e a alma. Somos seres que nos tornamos independentes do corpo de nossa mãe, mas que necessita está ligado afetiva e psicologicamente a eles de maneira que tenhamos a máxima semelhança possível.
E isso responde minha pergunta, acho que não, pois não seria um simples texto que explanaria o conhecimento, mas que dá evidências para a busca se uma arqueologia do saber.

Melancolia


O que acontece em nossa mente para que nos sintamos tristes?
Mesmo que os dias sejam lindos e ensolarados,
mesmo que ouçamos as aves cantarem,
ou que tenhamos quem amamos do nosso lado.
Mesmo assim nos sentimos tristes enfadados.
Incapazes.
Essa sensação de incapacidade
nos quebram a felicidade,
nos mostram o quanto somos humanos.
Mesmo que tenhamos tudo que queremos
almejamos a nossa frente mesmo assim nos sentimos
em estado de crepúsculo
é como se um véu negro nos envolvesse.
Melanu=escuro colles =biles.
A melancolia é uma sensação interna inerente a nossa espécie.
Acho que tomei desse mal líguido esse  fim de semana,
espero que tudo se vá pela urina,
ou que minha alma expulse
amanhã é outro dia...
espero que não reste nada.
Mas obrigado por me sentir assim,
logo vai passar...

sábado, 17 de setembro de 2011

Solidão

A noite silenciosa cala minha alma.
No escuro dos meus pensamentos
nem um vento, nada perco a calma.
Certamente a solidão é só momento

Então, calo quem sou e o que sou,
me fecho feito uma concha,
e espero melhoras,

essa solidão vai passar

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Doce é a vida

Doce é a vida
doce de maneira intensa.
doce no sentido mais amplo,
muito além da substância...
Sim como é doce ouvir algo belo
uma poesia, uma música ou uma bela conversa.
Doce sentir a brisa roubar o calor e parece querer levar nossa alma, nos trás a calma,
assim como é doce sentir os pés molhados da grama,
pisar sobre areia da praia, e sentir a água salgada purificar seus pés.
Doce é sentir o sabor da fruta madura na planta...
A vida é tão doce, tão cheia de doçuras,
nem sempre é assim,
mas se tentarmos sentir sempre o doce da vida,
talvez possamos nos livrar um pouco
das amarguras
que insistem em serem mais intensas que a doçura.

O rio

Quando parti,
logo senti
senti que o rio
havia deixado um vazio,
um grande vazio,
nas minhas manhãs.

Quando parti
não mais vi
o rio, o rio
a quem tanto olhava,
a quem tanto admirava,

o rio com suas marés
que subiam
e desciam.
Rio que nunca parava,
nem no feriado,
nem no dia normal
fazia-no parar.

Mirava o rio
na sala a trabalhar,
na cozinha a tomar
um delicioso chá

e sempre me encantava
com o rio
e seus hospedes
barcos, caiaques...
suas árvores.
Hávia até uma bétula
que me avisava quando ventava...
o rio Thames
me deixou um vazio,
uma saudade gostosa
que me faz querer

voltar e em suas margens caminhar




Manhã

Manhã
Nasce o sol e a noite dar adeus ao dia.
As aves cantam tão alegres.
A brisa ainda sopra fria.
As ruas ficam vazias.
Tudo parece tão calmo como no deserto.
As flores desabrocham.
Folhas caem.
Tudo segue sem sentido,
tudo segue contido,
sem o homem,
nada parece ter vida.
Não há manhã,
som...
nada só o silêncio da eternidade.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Temos medo

Temos medo
Temos medo do incerto,
do amanhã.
Temos medo da solidão,
para algumas coisas não há solução.
Todos os dias acordamos com um vão,
que precisa ser preenchido,
precisamos sair da escuridão
que é nosso medo de perder tudo que nos é querido,
por sabermos tantas coisas temos medo
e esquecemos de viver como
assim o faz a flor,
muitas vezes tememos a dor.
Tudo hoje é tão incerto como sempre foi,
Somos tão inseguro quanto sempre fomos,
mas agora com o adágio de que podemos
prever muito do que pode acontecer...
Temos medo,
mas tudo um dia vai passar,
pra nossa desgraça queremos
que o aconteça tão logo,
queremos consumir nossa vida
sem tentar viver,
pois vivemos de expectativas
e é ai que nos enchemos mais de medo.
Um dia teremos de partir,
mas se vivermos sem medo,
nos sentiremos felizes,
por ter vivido sem medo,
tudo passa:
a beleza e o encanto,
afinal não somos tão profundo quanto
achamos que o outro é
por isso temos medo...
as vezes tentamos nos encantar
e só nos tornamos mais solitários
e medrosos.
Temos medo do amanhã,
pois assim a natureza nos ensinou,
e nossos desejos cimentou,
não adianta temos medo
da morte, do mais forte...
mas o importante é continuar
lutando, mesmo que o fim
já saibamos é a morte,
nem por isso a flor deixa de ser bela,
nem por isso as coisas deixam de valer a pena,
encha sua alma de sonhos,
tenha medo...
ache em si o sussego.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Guapuruvu

O céu, ultimamente, tem estado tão azul,
e na praça amarelo está o guapuruvu,
amarelo da cor do Brasil, o chão
pintado de pétalas e folhas secas.
Hoje vai ter uma linda lua nua cheia,
e com esse céu pintado de estrelas
como o chão fica de pétalas do guapuruvu.
E a noite caiu pra amenizar
o calor no lindo guapuruvu.
Porque vejo tudo tão desconexo,
tudo tão sem verso,
serão pétalas do guapuruvú,
Schizolobium paraiba...

A tarde ensolarada

Que tarde bela, no quintal folhas caídas no chão dão um tom de verão.
Um quintal seco com uma palma e uma acacia o sol a brilhar,
canta forte o sabiá, logo a primavera vai chegar,
mas já posso ver o jasmim e seus buques branco e amarelos,
os ipês nus, mudando de roupa,
alguns coberto de flores,
como cantam o sanhaçus,
que tarde fatigueira.

Estralinha

Estrela partiu,
a rua calou,
nenhum cão latiu,
agora é estranho
chegar em casa
e não encontrar
ele alegre a correr,
nunca mais o vi,
partiu e nem se despediu...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Tudo passou

Já não sou quem eu fui,
já não tenho o mesmo vigor,
já experimentei tanto da vida,
tantos sabores, tantas cores
e formas e movimentos,
mas sou tão restrito,
meu mundo é tão pequeno
e o meu tempo tão curto,
não curto o suficiente,
as vezes sou deficiente,
o mundo que tanto ensina,
também muito aprende,
E espero que o tempo passe,
que a vida passe,
tenho ansiedade por encontrar
com minha morte, pelo amanhã.
Espero pela sorte, mas se não vier?
Já não sou quem eu fui...

Parar o tempo

Quem dera parar o tempo,
mesmo que fosse um momento.
Quem  me dera dominar o vento,
controlar seu movimento.
Mas nada disso posso,
sou impotente, não sei pintar
como assim fazia Gogh,
controlava o tempo
e parava o vento.
Parou tudo nos seus quadros,
azuis e amarelos,
são todos tão belos.
Acho que numa poesia
posso parar o tempo,
controlar o vento,
porque sei que o que tenho,
nada me pertence,
onde vou tudo é passageiro,
tenho tudo e não posso nada,
o que levo são risos e pensamentos.

Quem me dera parar o tempo,
mesmo que fosse por um momento.

domingo, 11 de setembro de 2011

Algo no mundo

Pensei algo e pus no mundo.
Algo não muito interessante,
algo que saiu errante,
palavras rimadas, cantadas,
nesse mundo de raimundo.
Mundo em que tudo podemos
encontrar, mas nem sempre expressar,
pensei algo e pus no mundo,
palavras vagas,
um movimento, códigos,
foi como plantar uma semente
em um bom lugar,
alguma coisa há de acontecer,
a alguém pode servir,
o mundo é tão vasto
e as pessoas tão normais,
ou anormais...
Pus algo no mundo que ganhou vida,
sabe lá onde poderá parar.

Liberdade

O céu a azul,
Que linda paisagem das ruas, árvores e jardins tão limpos.
Não é difícil amar a vida,
mas ao mesmo tempo não é difícil sofrer,
com nossas incertezas e medos.
Saber que todos morreremos,
quem mais amamos, quando será?
Mas a vida nos mostra tanta coisa bonita,
uma flor com seu perfume e sua cor,
uma criança, tanta coisa.
Saber que a vida sempre continua,
que independente de nós há tanta
coisa interessante, que é curto o nosso tempo,
mas é nosso tempo e podemos fazer
nossas escolhas que são só nossas.

A tarde de domingo

Hoje, domingo, choveu pela manhã e todo o resto do dia foi agradável. Não fiz nada, além de ver filmes. Vi Alexandria, Macacos no espaço e o Ritual.
Agora olhei pela janela que linda que está a tarde, umida.
O sol se esconde atrás de nuvens azuis.
Pardais cantam pelas ruas,
andorinhas voam pelos céus.
As ruas estão tão calmas.
Brisa alguma sopra agora,
nenhuma planta se move.
Aqui não posso ver bétulas,
rosas perfumadas, ou ericas nas ruas,
como tinha em Londres,
mas tenho muitas palmeiras e ao invés de aviões tenho
aves.
É domingo e pelo que vi,
domingo é sempre igual
aonde quer que vá,
a beleza está dentro de nós,
nas expectativas que pomos sobre as coisas.
Sinto o aroma deixado pela chuva
entrando pela janela,
ouço o canto da cambacica e de muitas aves.
Quero caminhar,
sei que tenho muito o que fazer,
mas agora me sinto bem,
me sinto bem no domingo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Descrever o meu mundo

Às vezes, gosto de explicar o mundo, através das palavras, a minha maneira. Como tudo que faço fica meio torto, troncho ou inacabado, assim ficam os meus textos. Então para embelezar um pouco o minhas descrições sobre o meu mundo, coloco a coisas belas como as flores, o canto das aves, um dia de de sol pu de chuva. Às vezes falo sobre a chuva, pois a chuva sempre foi algo bom para mim, antes do homem morar em barracos ou ribanceiras, chuva sempre foi sinônimo de vida; e o mais difícil de descrever é quando falo sobre mim ou sobre os sentimentos humanos. Sei que não escrevo bem,  mas pelo menos tento traduzir o mundo a minha maneira, pois vejo e sei que a beleza da vida está nas coisas simples e pequenas. Não é fácil materializar o mundo em palavras ou melhor traduzir o mundo, mas como sou meio largado, vou alinhavando os meus textos como quem costura sacos de castanha, com uma agulha grande e com barbante, pelo menos as castanhas não caem do saco. Acho que nunca escreverei como um Borges, um Pessoa, um Drummond, um Bandeira ou um Neruda, mas pelo menos ao tentando traduzir o mundo a minha maneira. Desta forma vou bebendo na filosofia, na literatura, nos jornais e muitos outros canais como entender o mundo, que é para depois tentar traduzir o mundo a minha maneira. Não tive a sorte de ter livros em casa quando criança, mas tive a sorte de ter tido pessoas que contavam histórias, pessoas que conversavam, talvez porque não tinham televisão. Mas aquelas pessoas conversavam, contavam seus causos. O mundo naquela época era muito mais colorido e cheio de sabores e texturas. Só que logo a televisão chegou e passei a ver o mundo no preto e no branco, sem cheiro e sem cor e eu não aprendi a conversar, nem a ouvir e fiquei assim vivendo de aforismos, completando ou concordando com o que os outros pensam e falam. E foi ai que aprendi a ler, e assim lendo, um pouco mais a cada dia que descobri Gandhi, Aluízio Azevedo e meu mundo vou se ampliando com a leitura, fui lendo textos de alguns poetas e escritores. Não sabia que a poesia era tão metafísica, e gostava de ler mesmo assim, talvez por preguiça. Não tem sido tarefa fácil tentar traduzir o mundo, mas eu vou mesmo assim dando cores, cheiros e sons aos meus textos, umas ficam bonitos, outras ficam horrorosas as que falam sobre mim por exemplo. Um dos grandes problemas é a minha deficiência com língua materna, pois cometo erros grosseiros de ortografia, sintaxe, concordância dentre outros. Pelo menos, alinhavo com algumas metáforas que é o que me salva ou me condena, sabe-se lá. Não tenho um grande público mesmo, mas nem por isso não devo deixar de limar minhas frases, talvez por não ter um público crítico, vou alinhavando minha pequena obra. Acho que tenho que ter mais carinho com as palavras, pois elas são a substância de minha expressão. Quem é o meu público? Acho que só me leu, vagos amigos. Acho que não me faço interessante, mas já falei, não sei tecer bem com as palavras, não sei monologar e raras são as vezes que engatilho um diálogo com alguém. Na maior parte do tempo fico assim sem jeito, sem graça, como menino envergonhado, e as palavras somem de minha cabeça. Mas eu sou cabeça dura, nunca desisto fácil e vou conversando comigo, mesmo tendo dificuldades ou com as pessoas que me rodeiam, vou buscando pela metafísica tentando descrever o mundo a minha maneira.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Luar

A lua prateada adorna o céu,
a noite chegou e trouxe consigo,
de abrigo um escuro véu
que fez a natureza se recolher,
as aves dormir e as árvores respirar,
algumas flores desabrocham a noite.
Flores de manacá, tecoma e espirradeira,
flores brancas perfumam a noite.
E a luz da lua revela a presença
de mariposas a voar no céu,
Ah, que belo que é uma noite de luar.

Que á no tempo?

Passa o tempo...
A lua e suas fases,
as estações do ano.
As marés dos rios e mares,
dentro de nós
nossos mares
as vezes claros, as  vezes escuros,
as não percebemos que o tempo passa,
talvez seja melhor não perceber.
Dia após dia, noite após noite.
Essa luta incessante,
essa batalha na busca
da felicidade é tão boa.
As vezes angustiante,
ainda bem que há os deuses
para nos vigiar,
o tempo passa...

Setembro

Setembro,
A lua está crescente,
as noites são tão claras e estreladas,
Vi a lua em roma,
Vi a lua no Ribeirão,
lua crescente, parece a mesma lua
que alumiava o meu sertão,
acendia todo o vale...
Setembro os dias são tão largos,
com manhãs tão hamoniosas
ao som das aves, latidos dos cães,
e as ruas perfumadas de flores,
creio que nunca senti tanta coisa,
uma sensação boa que enche meu coração
de esperança.
Setembro, 2011,...
logo o ano vai passar,
alguns dormirão,
outros seguirão a vida.
Setembro, quinta-feira,
na rua faz poeira,
o vento sopra forte,
assobiando nas janelas,
bulinando com as árvores....
tudo isso em setembro.

Calma


A nossa vida é um eterno descobrir. Somos curiosos e adoramos conhecer o novo, o diferente, coisas que melhorem nosso modo de viver. As vezes é necessário fazer uma viagem, encontrar uma grande paixão e vive-la, ter algo que nos faça sentir melhor e nos ensine novos caminhos e novas descobertas.
Todavia essas aprendizagens nos custam caro, custam movimento, energia, autocontrole e muitas vezes paciência e escolhas. Temos que escolher o que é melhor para nós o que não é uma tarefá fácil. Muitas vezes a escolha é um golpe de sorte, uma aposta em que não sabemos se vai dar certo ou errado. Eis que ai se esconde os nossos maiores receios. O medo de fracassar muitas vezes nos torna estáticos. Então nos angustiamos, nos fechamos e vivemos tristes. Nos tornamos assim através da pressão do mundo e da vida. Muitas vezes somos nós quem cobramos mais de nos mesmos. Não tenho uma receita para o sucesso, porque sou assim também inseguro, no entanto tenho sede de aprender, muitas vezes quando acho que não vai dar, fecho os olhos e peço a Deus ou o seja lá no que acredito. Sempre é muito importante a voz dos amigos quando se está distante e dos familiares e por fim a crença na vitória. É preciso calma, a vida é uma luta incessante que só acaba na hora da morte. Portanto é preciso ter a alma serena para viver bem.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sensação

As vezes o peito aperta tão forte que explodimos de tanta emoção, mas que gostoso quando é uma sensação boa.

Sete de setembro

O dia sete de setembro em Serrinha dos Pintos sempre foi um evento. No dia sete de setembro, antes de irmos ver o desfile, íamos todos primeiro à escola onde estudávamos, hasteávamos a bandeira, cantávamos o hino e seguíamos para a ruinha, serrinha, a pé ou de bicicleta.
Por, este dia, sempre ter sido um evento naquele pequeno lugar. Os poucos eventos nos deixavam muito felizes, as vezes num lugar que pouca coisa acontece, qualquer acontecimento é um evento. Passei a adorar os sete de setembro.
Gostava de ver a bandeira hasteada em nossa escola isolada e de ver que os adultos ao passarem diante da bandeira tirarem seus chapéus em respeito a pátria. Achava e acho muito belo sinal de respeito e civismo. Em minha cidade, como em todas as cidades do nordeste, havia e creio que ainda há desfiles em homenagem a pátria. 
 Era lindo de ver os desfiles pelas poucas, pequenas e apertadas ruas de Serrinha que na minha infância ainda era um distrito.
 Então umas duas semanas antes do sete de setembro havia uma atmosfera de patriotismo. Havia todo um preparo nesse período os professores ensinavam os meninos a marchar. Eram duas escolas que desfilavam em serrinha, a Escola Estadual Serrinha do Pintos e a Escola José da Câmara, cada uma com pelotões diferentes. 
Lembro do trabalho que dava para organizar o esforço das pessoas para domar as crianças, todos os professores reunidos em uma só causa o sucesso do desfile, além de organizar ainda tinham de fazer o esforço de tomar emprestado as roupas ou faziam quando podiam. Era um esforço feito em conjunto.
 A cada ano tentava-se ser melhor que no ano anterior. Finalmente, no dia sete de setembro como num riacho que começa a tomar a primeira cheia, as ruas iam enchendo aos poucos de gente. E como numa manhã de inverno em que todas as plantas desabrocham suas flores coloridas, bomba d'aguas, comelinas, de azuis; jitiranas, ipomoea, de rosas e azuis; senas de amarelo; os calumbins e juremas, mimosas, de branco; as crianças e adolescentes todos perfumados e coloridos começavam a colorir a cidade. O barulho das motos, das mãe agitadas arrumando seus filhos para o desfile, do pessoal da banda afinando os instrumentos. Tudo isso gerava em mim uma sensação de felicidade tão boa, uma sensação de esperança, afeto e orgulho por fazer parte de tudo aquilo que me dava uma identidade. Uma emoção forte explodia no peito de poder olhar para as meninas mais bonitas sem que elas pensassem que estava olhando para sua beleza dela, mas para suas roupas. E nós meninos que não eramos bestas íamos em busca dos pelotões onde estavam as meninas mais bonitas, fazíamos nossas avaliações. 
Enfim, Neste dia a igreja abria e ali na matriz, Chiquinho de Raimundo Moura explanava o significado de cada pelotão. No desfile o primeiro pelotão era o da guarda da bandeira nacional, seguido do pelotão das bandeiras estaduais, municipais; logo após vinha a banda de música e se seguia hierarquicamente,   onde vinham os agricultores quase no final, só não iam no final por causa do pelotão das bicicletas.
  Eu que morava no sítio adorava ver aquelas pessoas desfilando e queria participar desfilar, ficava imaginando desfilar no melhor pelotão, tocar na banda, mas nada disso nunca aconteceu, eu era muito matuto, todos meus irmãos desfilaram, menos eu.
Então ao final do desfile todo mundo se reunia em frente a matriz, cantávamos o hino nacional e estava consumado. Restavam os comentários e aguardar para o próximo ano.

Feriado

É feriado,
o dia nasceu tão calado.
As ruas estão vazias,
as aves cantam como num feriado.
As pessoas não saíram para trabalhar,
pois é feriado,
absolutamente tudo está tão calado.
É primavera, as árvores, engraçado,
se desposam de suas folhas,
para se cobrir de flores
como noivas, mas noivas
modernas coloridas e perfumadas,
coloridas de azul, de amarelo, de vermelho,
e assim se vai,
Os pássaros como músicos
cantam sem parar
o roxinol, sanhaçu e sabiá,
mas hoje as calles estão vazias,
é feriado nacional de
sete de setembro,
em respeito a pátria
todo mundo fica calado.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Vermelho doce

O vermelho da romã é doce,
o vermelho do morango é ácido,
nem sempre gosto de
lamber as coisas com os olhos,
pois quando o faço sinto
intenso desejo.
O vermelho da pitanga é doce,
vermelha calda que me faz salivar,
o cheiro que me faz desejar,
do doce odor de frutas,
do calor tropical, 
que tinge minha cor 
e minha de amor
por ti o terra amada,
meu brasil verde e amarelo
como manda,
como couve...
cheia de doces vermelhas frutas.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Vida

Tudo na vida é aberto,
tudo na vida continua inacabado,
enquanto houver vida.
Pois se nunca atingiremos a perfeição completa,
ou nossos objetivos mais profundos...
o que nos sobrará...
Talvez nunca atingiremos nada,
mas e dai a vida continua mesmo assim.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Vaga

A noite veio mais tarde. Foi recebida por um céu todo azul.
Com ela vieram as estrelas e a lua e toda a rua ficou feliz.
Árvores desnudas, sem folha ou flores, vagos ipes...
ora aqui ora ali florindo, sorrindo para a vida.
Amanhã será um lindo dia, senão posso fazer uma poesia
ou nada.